Cadernos QRad 118 · Malformações do Desenvolvimento Cortical
Neurorradiologia · pediatria

Malformações do Desenvolvimento Cortical

Fonte: Brunelli et al: 2024, RadioGraphics

O momento da agressão decide o quadro

As malformações do desenvolvimento cortical (MDC) vão do achado sem sintoma à epilepsia intratável com atraso do desenvolvimento. Podem vir de mutação, infecção ou agressão ambiental, e quanto mais cedo na corticogênese, mais grave. O diagnóstico definitivo é histológico, mas quase nunca há tecido: a RM é o método de escolha, e reconhecer o padrão orienta o teste genético.

córtex normal na RM Superfície externa e junção córtex/substância branca lisas e nítidas; sulcos com pequenas variações, mas uniformes e simétricos em posição e profundidade. O que fugir disso merece segundo olhar.

Embriologia, idade e técnica

EtapaQuandoO que acontece
ProliferaçãoA partir de 8 semanas; pico em 15 a 16Na zona ventricular; produz pelo menos o dobro de neurônios necessários, e o excesso morre por apoptose
MigraçãoSobretudo 12 a 20 semanasRadial (neurônios excitatórios, guiados pela glia radial) e tangencial (interneurônios inibitórios, das eminências ganglionares). Montagem de dentro para fora: os mais tardios ficam nas camadas superficiais
Organização pós-migracional22 semanas até 2 anosSeis camadas, sinapses, sulcos e giros

A membrana pial segura os neurônios dentro do cérebro; falhas nela explicam a polimicrogiria e a malformação em paralelepípedo. Hipocampo e córtex olfatório (arqui e paleocórtex) têm sinal um pouco mais alto em T2, FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) e difusão, sobretudo a 3 T: é normal.

IdadeCórtex em T1Córtex em T2Leitura
Até 6 meses (padrão infantil)ClaroEscuroJunção nítida: boa fase para ver MDC
Até 1 ano (padrão isointenso)Igual à substância brancaIgual à substância brancaJunção borrada pela mielinização; 8 a 12 meses é a pior fase
24 meses (padrão adulto)EscuroClaroMielinização completa no 3º ano: boa fase de novo
a fase em que a lesão some Entre 8 e 12 meses, displasia focal pode ficar invisível. Exame normal nessa idade com epilepsia: sugerir repetir a RM depois da mielinização e rever exames antigos, em que a lesão pode estar clara.
+ complemento · protocolo Preferir 3 T; 3D T1 volumétrico e T2 fortemente ponderado de alta resolução são essenciais (pegam fendas pequenas e covinhas ventriculares). Reformatações multiplanares e 3D ajudam a achar displasia. Espessura cortical não tem corte rígido: depende de idade, tamanho da cabeça e sexo.

Classificação atual

GrupoMecanismoEntidades
1Proliferação ou apoptose anormalMicrocefalia primária; megalencefalia e hemimegalencefalia; DCF (displasia cortical focal) tipo IIa e IIb e túberes corticais
2Migração anormalHeterotopias; lisencefalia (agiria, paquigiria e heterotopia em banda); malformação em paralelepípedo; polimicrogiria; esquizencefalia
3Desenvolvimento pós-migracional anormalDisgiria; DCF tipo I e III; microcefalia secundária
O que mudouAntesAgora
PolimicrogiriaPós-migracionalDistúrbio migracional tardio (grupo 2)
Malformação em paralelepípedoLisencefalia tipo IIEntidade própria: é sobremigração, não submigração
Heterotopia em banda (duplo córtex)Junto das heterotopiasParte do espectro da lisencefalia
LisencefaliaClássica ou varianteDescrita por gravidade, gradiente, espessura e malformações associadas
DisgiriaNão existiaTermo novo para córtex de espessura normal e sulcação aberrante
DCF tipo IIIGrupo à partePode deixar de existir como entidade separada
+ complemento · de onde vem Barkovich propôs a primeira classificação em 1996, pelas três etapas, revista em 2001, 2005 e 2012. Em 2020 veio o consenso europeu Neuro-MIG (European Network on Brain Malformations: rede europeia sobre malformações cerebrais), base da tabela acima: as etapas dependem umas das outras, e os grupos ficaram menos rígidos.

Microcefalia e hipercrescimento

MicrocefaliaDefinição e imagem
DefiniçãoPerímetro cefálico ≤ −2 DP (desvios-padrão); leve entre −2 e −3 DP (cognição em geral normal), grave ≤ −3 DP
Primária (congênita)Padrão giral normal ou simplificado: menos giros, sulcos com 1/4 a 1/2 da profundidade, córtex de espessura normal
Secundária (pós-natal)Agressão depois da migração: metabolismo, infecção, toxinas, trauma, hipóxia-isquemia, desnutrição
GenesASPM e WDR62 (não sindrômica); CASK: tronco e cerebelo desproporcionalmente pequenos; TUBA1A: lisencefalia, corpo caloso ausente e hipoplasia cerebelar
Microcefalia em dois lactentes
Sagital: padrão giral normal.
Sagital: padrão giral normal.
Sagital: padrão giral simplificado.
Sagital: padrão giral simplificado.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 4. Ver artigo
HipercrescimentoPontos
MegalencefaliaCérebro grande, com córtex normal ou displásico; vias PI3K-AKT-mTOR (via da fosfatidilinositol 3-quinase e do alvo da rapamicina) e RAS-MAPK (via das proteínas quinases ativadas por mitógeno)
HemimegalencefaliaUm hemisfério inteiro aumentado, com ventrículo do mesmo lado aumentado e mielinização acelerada
Megalencefalia focalAté 3 lobos (displasia quadrântica); em geral frontal ou parieto-occipital
SíndromesMCAP (megalencefalia com malformação capilar), MPPH (megalencefalia, polimicrogiria, polidactilia pós-axial e hidrocefalia), CLOVES (supercrescimento lipomatoso congênito, malformações vasculares, nevos epidérmicos e anomalias da coluna e do esqueleto), nevo epidérmico: supercrescimento do corpo e marcas na pele (mosaicismo)
Macrocefalia benigna, menino de 8 meses
T2 axial: espaços liquóricos frontais alargados (setas).
T2 axial: espaços liquóricos frontais alargados (setas).
T2 axial: polos temporais (setas).
T2 axial: polos temporais (setas).
T1 sagital: crânio grande em relação à face.
T1 sagital: crânio grande em relação à face.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 6. Ver artigo
Hemimegalencefalia direita, 3 semanas de vida
T2 axial: hemisfério direito aumentado, com mielinização acelerada.
T2 axial: hemisfério direito aumentado, com mielinização acelerada.
T1 coronal: o ventrículo do lado afetado está aumentado.
T1 coronal: o ventrículo do lado afetado está aumentado.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 7. Ver artigo
o ventrículo separa malformação de tumor Na megalencefalia unilateral o ventrículo do lado afetado aumenta; lesão expansiva ou infiltrativa comprime o ventrículo.
macrocefalia não é megalencefalia Macrocefalia é medida (perímetro ≥ +2 DP); megalencefalia é cérebro anormalmente grande. Cabeça grande com cérebro normal é comum, muitas vezes com alargamento benigno dos espaços subaracnóideos da infância.

DCF tipo II e túberes

DCF tipo IIHistologiaImagem
IIaLaminação desfeita, neurônios dismórficos, sem células balonadasCórtex espesso, junção borrada, sinal alterado no córtex e abaixo dele, sulcação aberrante
IIbIgual, com células balonadasO mesmo, mais o sinal transmanto
Túber da esclerose tuberosaSemelhante à IIb (TSC1, TSC2)Transmanto; calcificação ocasional
DCF tipo II com sinal transmanto, homem jovem
T2 coronal: córtex frontal esquerdo espesso, com a junção córtex/branca apagada (seta).
T2 coronal: córtex frontal esquerdo espesso, com a junção córtex/branca apagada (seta).
FLAIR coronal: hipersinal cortical e subcortical (seta).
FLAIR coronal: hipersinal cortical e subcortical (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 8. Ver artigo
A DCF que some com a idade
T2 axial aos 2 meses: córtex frontal direito espesso e substância branca escura abaixo dele (seta).
T2 axial aos 2 meses: córtex frontal direito espesso e substância branca escura abaixo dele (seta).
Aos 6 meses (seta).
Aos 6 meses (seta).
Aos 12 meses: na transição para o padrão adulto, a lesão quase não se vê.
Aos 12 meses: na transição para o padrão adulto, a lesão quase não se vê.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 9. Ver artigo

A DCF é o diagnóstico mais comum na criança operada por epilepsia farmacorresistente. Tipo II, túberes e megalencefalia displásica formam um espectro de doenças da via mTOR.

sinal transmanto Faixa de hipersinal em T2 e FLAIR na substância branca, em funil, do córtex até o ventrículo. É muito específico de DCF IIb (e túberes).
o bebê que ainda não mielinizou No cérebro não mielinizado a DCF é escura em T2 e clara em T1, ao contrário do adulto. Com a mielinização a lesão fica parecida com o vizinho e some: aos 12 meses já é difícil.
+ complemento · diferencial Tumor glioneuronal de baixo grau (ganglioglioma), oligodendrocitose e MOGHE (mild malformation of cortical development with oligodendroglial hyperplasia in epilepsy: malformação leve do desenvolvimento cortical com hiperplasia oligodendroglial). DCF e tumor podem coexistir. A epilepsia começa mais cedo na DCF; na espectroscopia, queda de NAA (N-acetilaspartato) e aumento de colina são mais fortes no glioma.

Heterotopias

Neurônios normais em lugar errado, por migração que parou no caminho.

HeterotopiaImagemPistas
Nodular periventricularNódulos na parede ventricular, iguais ao córtex em todas as sequênciasA mais comum; trígonos e cornos occipitais. Bilateral e simétrica: FLNA (gene da filamina A) (Xq28), com cardiopatia
SubcorticalSubstância cinzenta do ventrículo ao córtex, que costuma ser displásicoPode vir com lisencefalia
Colunar transmantoFaixa estreita de cinzenta do epêndima ao córtexNum lobo inteiro: "lobo dentro de lobo"
Heterotopia subventricular, menina de 8 anos
T1 coronal: nódulo na parede ventricular (seta).
T1 coronal: nódulo na parede ventricular (seta).
T2 (seta).
T2 (seta).
FLAIR: sinal igual ao do córtex em todas (seta).
FLAIR: sinal igual ao do córtex em todas (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 11. Ver artigo
Heterotopia periventricular bilateral e subcortical, lactente
T1 axial: tecido na parede dos ventrículos (setas).
T1 axial: tecido na parede dos ventrículos (setas).
FLAIR (setas).
FLAIR (setas).
T2: sinal igual ao do córtex (setas).
T2: sinal igual ao do córtex (setas).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 12. Ver artigo
Nódulo na paredeHeterotopiaNódulo subependimário da ET
SinalIgual à substância cinzenta em todasDiferente da cinzenta
OrientaçãoAo longo da paredePerpendicular à parede
CalcificaçãoNãoFrequente
RealceNãoPode realçar

Lisencefalia e heterotopia em banda

TermoDefinição
AgiriaSulcos a mais de 3 cm um do outro; cérebro em "8", fissuras sylvianas largas e verticais
PaquigiriaGiros largos e grosseiros, sulcos rasos a 1,5 a 3 cm
Heterotopia em banda (duplo córtex)Banda de cinzenta sob o córtex, separada dele por fina camada de branca
Lisencefalia espessa (clássica)Córtex de 10 a 15 mm
Lisencefalia finaCórtex de 5 a 10 mm
MicrolisencefaliaLisencefalia com microcefalia congênita grave; hipoplasia cerebelar frequente
Agiria, menina de 5 anos
T1 axial: córtex espesso, sem giros nem sulcos.
T1 axial: córtex espesso, sem giros nem sulcos.
T2 coronal: o cérebro em "8".
T2 coronal: o cérebro em "8".
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 13. Ver artigo
Heterotopia em banda (duplo córtex), lactente
T1 axial: bandas de substância cinzenta entre os ventrículos e o córtex, dos dois lados (setas).
T1 axial: bandas de substância cinzenta entre os ventrículos e o córtex, dos dois lados (setas).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 14. Ver artigo
Paquigiria, 4 meses
T2 axial: giros simplificados e córtex espesso.
T2 axial: giros simplificados e córtex espesso.
T2 axial, mais alto.
T2 axial, mais alto.
T2 coronal: mais evidente nos polos temporais e nos lobos frontais e parietais.
T2 coronal: mais evidente nos polos temporais e nos lobos frontais e parietais.
T2 coronal, mais posterior.
T2 coronal, mais posterior.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 15. Ver artigo
GeneFenótipo
LIS1 (PAFAH1B1)Lisencefalia isolada ou Miller-Dieker (com dismorfismo facial)
DCX (cromossomo X)Lisencefalia clássica e heterotopia em banda; meninos mais graves
ARXPredomínio temporal, ou ligada ao X com genitália anormal
RELNCom hipoplasia cerebelar e anomalias do hipocampo
Tubulinas (TUBA1A, TUBB2B, TUBB, TUBB3)Com hipoplasia cerebelar, córtex fino ou disgiria; núcleos da base dismórficos
Tubulinopatia (TUBB3), 1 ano
T1 axial: disgiria multifocal, foice hipoplásica (ponta de seta) e lentiforme esquerdo menor (círculo).
T1 axial: disgiria multifocal, foice hipoplásica (ponta de seta) e lentiforme esquerdo menor (círculo).
T1 axial: folhas cerebelares dismórficas (seta).
T1 axial: folhas cerebelares dismórficas (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 16. Ver artigo
como descrever Gravidade (difusa ou parcial) + gradiente (anterior, posterior ou nenhum) + espessura do córtex + malformações fora do córtex (núcleos da base, corpo caloso, teto, tronco e cerebelo).

Polimicrogiria, paralelepípedo e esquizencefalia

Polimicrogiria e malformação em paralelepípedo são o mesmo mecanismo: neurônios passam da superfície por falhas na membrana pial. Falhas pequenas dão polimicrogiria; falhas grandes dão uma camada lisa de neurônios por fora, o paralelepípedo.

Polimicrogiria ou paquigiriaPolimicrogiriaPaquigiria
GirosMuitos, pequenos e compactosPoucos, largos e grosseiros
Junção córtex/brancaIrregular, boceladaRelativamente lisa
Espessura2 a 3 mm antes da mielinização; 5 a 8 mm depoisEspessa (10 a 15 mm na clássica)
MecanismoSobremigração (migração tardia)Submigração precoce
Local típicoPerissylviana (60 a 70%), sobretudo posteriorDifusa, com gradiente
Polimicrogiria com esquizencefalia de lábios fechados, menina de 7 anos
T1 axial: hemisfério esquerdo menor.
T1 axial: hemisfério esquerdo menor.
T1 coronal: córtex polimicrogírico perissylviano esquerdo (seta).
T1 coronal: córtex polimicrogírico perissylviano esquerdo (seta).
T1 sagital: fissura sylviana verticalizada (seta).
T1 sagital: fissura sylviana verticalizada (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 19. Ver artigo
a polimicrogiria que parece lisa Polimicrogiria grave com córtex espesso imita paquigiria, e a camada molecular fundida sobre os microssulcos (ou a resolução baixa) faz a superfície parecer lisa. Procure a junção bocelada.
DistroglicanopatiaAchados
Walker-Warburg (a mais grave)Paralelepípedo, hidrocefalia fetal, cistos cerebelares, tronco com dobra em "Z" na junção mesencéfalo-pontina, displasia retiniana, encefalocele posterior
Músculo-olho-cérebroParalelepípedo, descolamento de retina, sem septo pelúcido, vérmis inferior hipoplásico
FukuyamaParalelepípedo têmporo-occipital, polimicrogiria frontal e cerebelar
Malformação em paralelepípedo
T2 fetal: córtex espesso e "pedregoso", poucos sulcos e ventrículos grandes.
T2 fetal: córtex espesso e "pedregoso", poucos sulcos e ventrículos grandes.
T2 axial depois do nascimento.
T2 axial depois do nascimento.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 1. Ver artigo
Walker-Warburg, lactente
T1 axial: padrão em paralelepípedo.
T1 axial: padrão em paralelepípedo.
T2 coronal.
T2 coronal.
T1 sagital: tronco hipoplásico com a dobra dorsal em "Z" na junção mesencéfalo-pontina.
T1 sagital: tronco hipoplásico com a dobra dorsal em "Z" na junção mesencéfalo-pontina.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 20. Ver artigo
EsquizencefaliaLábiosComunicação
Tipo IFechados (fundidos)Fenda revestida de cinzenta, sem ligar ventrículo e espaço subaracnóideo
Tipo IIAbertosLiga o ventrículo ao espaço subaracnóideo
Esquizencefalia de lábios fechados bilateral
T1 volumétrico axial: fendas pequenas cercadas de polimicrogiria (pontas de seta).
T1 volumétrico axial: fendas pequenas cercadas de polimicrogiria (pontas de seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 21. Ver artigo
Esquizencefalia de lábios abertos, toxoplasmose congênita
TC axial de recém-nascido: fenda grande à esquerda ligando ventrículo e espaço subaracnóideo, com calcificações nas paredes ventriculares.
TC axial de recém-nascido: fenda grande à esquerda ligando ventrículo e espaço subaracnóideo, com calcificações nas paredes ventriculares.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 22. Ver artigo
esquizencefalia Fenda de espessura total, do epêndima à pia, revestida por cinzenta polimicrogírica. Causas: CMV (citomegalovírus), isquemia, trauma, teratógenos, COL4A1/COL4A2 (genes do colágeno tipo IV) e tubulinas. Com displasia septo-óptica: displasia septo-óptica plus.

Disgiria, DCF I e DCF III

Grupo 3O que éImagem
DisgiriaEspessura cortical normal, sulcação aberrante; camadas normais ao microscópioDescrita primeiro nas tubulinopatias e distroglicanopatias
DCF tipo I (Ia, Ib, Ic)Falha da organização radial (Ia), tangencial (Ib) ou das duas (Ic)Junção borrada, sinal alterado, hipoplasia segmentar ou lobar; falta assimétrica de mielinização subcortical sugere Ia
DCF tipo IIIDesarranjo cortical em volta de outra lesãoIIIa esclerose hipocampal · IIIb tumor · IIIc malformação vascular · IIId lesão adquirida da primeira infância
Microcefalia secundáriaAgressão pós-migracionalVer microcefalia
DCF tipo III com anomalia venosa, menina de 12 anos
FLAIR axial: córtex frontal direito espesso e hipersinal subcortical com vasos (seta).
FLAIR axial: córtex frontal direito espesso e hipersinal subcortical com vasos (seta).
FLAIR: sulcação alterada (ponta de seta) e a anomalia venosa (seta).
FLAIR: sulcação alterada (ponta de seta) e a anomalia venosa (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 10. Ver artigo
Disgiria, menina de 4 anos
T2 axial: sulcação anormal parassagital frontoparietal dos dois lados (setas), com espessura cortical normal.
T2 axial: sulcação anormal parassagital frontoparietal dos dois lados (setas), com espessura cortical normal.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 23. Ver artigo

Infecções congênitas

AgenteAchados
ZikaMicrocefalia, crânio de aspecto colapsado, calcificações na junção córtico-subcortical, padrão de lisencefalia, heterotopias, polimicrogiria
CMVInfecção precoce: lisencefalia; polimicrogiria perissylviana, esquizencefalia, ventriculomegalia, calcificações, cistos do polo temporal, atrofia cerebelar
ToxoplasmoseEsquizencefalia e calcificações periventriculares
Microcefalia por Zika, menino de 2 anos
T1 coronal: córtex espesso e heterotopias subependimárias (setas).
T1 coronal: córtex espesso e heterotopias subependimárias (setas).
T2 axial: agiria frontal e paquigiria temporoparietal.
T2 axial: agiria frontal e paquigiria temporoparietal.
Suscetibilidade: calcificações subcorticais (setas).
Suscetibilidade: calcificações subcorticais (setas).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 5. Ver artigo
CMV congênito, 6 meses
T2 coronal.
T2 coronal.
T2 coronal: ventrículos dilatados e córtex perissylviano com aspecto de polimicrogiria (setas).
T2 coronal: ventrículos dilatados e córtex perissylviano com aspecto de polimicrogiria (setas).
T2 coronal posterior: ventrículos dilatados (setas), hemisfério cerebelar esquerdo e vérmis atróficos.
T2 coronal posterior: ventrículos dilatados (setas), hemisfério cerebelar esquerdo e vérmis atróficos.
T2 axial: giros simplificados e córtex espesso (setas).
T2 axial: giros simplificados e córtex espesso (setas).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 17. Ver artigo
Zika ou outra TORCH (toxoplasmose, outras, rubéola, citomegalovírus e herpes)? Em área endêmica, crânio colapsado e calcificação na junção córtico-subcortical favorecem Zika.

Pontos de prova: alto rendimento

Pior idade para ver DCF8 a 12 meses
Sinal transmantoDCF IIb e túberes
HeterotopiaIgual ao córtex em tudo
Nódulo calcificado que realçaEsclerose tuberosa
PolimicrogiriaPerissylviana, junção bocelada
ParalelepípedoSobremigração, distroglicanopatia
Dobra em Z do troncoWalker-Warburg
Esquizencefalia tipo ILábios fechados
HemimegalencefaliaVentrículo do lado afetado maior
AgiriaCérebro em 8
DCXHeterotopia em banda
ZikaCalcificação córtico-subcortical

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Liberar RM normal de bebê de 8 a 12 meses com epilepsia
  • Chamar polimicrogiria espessa de paquigiria
  • Confundir nódulo da esclerose tuberosa com heterotopia
  • Ler o arquicórtex claro a 3 T como lesão
  • Chamar de tumor a hemimegalencefalia
  • Não procurar fenda pequena no 3D T1

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

Jovem com epilepsia refratária: córtex frontal espesso, junção borrada e faixa de hipersinal em T2/FLAIR em funil, do córtex até o ventrículo. Diagnóstico mais provável:

É o sinal transmanto, muito específico de DCF IIb (e dos túberes da esclerose tuberosa).
↑revisar esta parte do caderno · DCF tipo II e túberes
Questão 2

Lactente de 10 meses com crises focais e RM sem alteração. O que recomendar?

Entre 8 e 12 meses o córtex fica isointenso à substância branca e a displasia pode sumir. Sugerir nova RM depois da mielinização (e rever exames anteriores).
↑revisar esta parte do caderno · Embriologia, idade e técnica
Questão 3

Nódulos na parede dos ventrículos laterais, com o mesmo sinal do córtex em T1, T2 e FLAIR, sem calcificação nem realce. Hipótese:

Heterotopia é igual à substância cinzenta em todas as sequências, corre ao longo da parede e não calcifica nem realça. O nódulo da ET (esclerose tuberosa) calcifica, pode realçar e é perpendicular à parede.
↑revisar esta parte do caderno · Heterotopias
Questão 4

Fenda revestida de substância cinzenta, do epêndima à superfície, com os lábios encostados e sem comunicação livre com o ventrículo. Classificação:

Lábios fechados (fundidos) = tipo I. No tipo II os lábios ficam abertos e a fenda liga o ventrículo ao espaço subaracnóideo. O revestimento de cinzenta separa de porencefalia.
↑revisar esta parte do caderno · Polimicrogiria, paralelepípedo e esquizencefalia
Questão 5

Malformação em paralelepípedo (cobblestone): qual é o mecanismo?

É sobremigração: falhas grandes na lâmina basal (distroglicanopatias) deixam os neurônios passar da superfície. Por isso saiu da antiga lisencefalia tipo II. Falhas pequenas dão polimicrogiria.
↑revisar esta parte do caderno · Polimicrogiria, paralelepípedo e esquizencefalia
Questão 6

Recém-nascido com hemisfério direito aumentado e córtex alterado. Qual achado favorece hemimegalencefalia em vez de lesão expansiva?

Na megalencefalia unilateral o ventrículo do lado afetado aumenta, e a mielinização costuma ser acelerada. Lesão expansiva ou infiltrativa comprime o ventrículo.
↑revisar esta parte do caderno · Microcefalia e hipercrescimento
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Fonte.
Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, Delgado DS, Lee HW, Martin MGM, et al. Malformations of Cortical Development: Updated Imaging Review. RadioGraphics 2024;44(11):e230239. doi:10.1148/rg.230239. Autores do Hospital Sírio-Libanês e da Universidade de São Paulo.

O texto ainda chama a polimicrogiria de pós-migracional, mas a tabela de classificação já a põe no grupo da migração; o caderno segue a tabela. O artigo não diz qual gene dá gradiente anterior ou posterior na lisencefalia nem detalha a revisão da ILAE para a DCF. Tirei os diagramas com texto em inglês. Conferido em 07/10/2026.

Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.