As malformações do desenvolvimento cortical (MDC) vão do achado sem sintoma à epilepsia intratável com
atraso do desenvolvimento. Podem vir de mutação, infecção ou agressão ambiental, e quanto mais cedo na
corticogênese, mais grave. O diagnóstico definitivo é histológico, mas quase nunca há tecido: a RM é
o método de escolha, e reconhecer o padrão orienta o teste genético.
córtex normal na RM
Superfície externa e junção córtex/substância branca lisas e nítidas; sulcos com pequenas
variações, mas uniformes e simétricos em posição e profundidade. O que fugir disso merece segundo
olhar.
Embriologia, idade e técnica
Etapa
Quando
O que acontece
Proliferação
A partir de 8 semanas; pico em 15 a 16
Na zona ventricular; produz pelo menos o dobro de neurônios necessários, e o excesso morre por apoptose
Migração
Sobretudo 12 a 20 semanas
Radial (neurônios excitatórios, guiados pela glia radial) e tangencial (interneurônios inibitórios, das eminências ganglionares). Montagem de dentro para fora: os mais tardios ficam nas camadas superficiais
Organização pós-migracional
22 semanas até 2 anos
Seis camadas, sinapses, sulcos e giros
A membrana pial segura os neurônios dentro do cérebro; falhas nela explicam a polimicrogiria e a
malformação em paralelepípedo. Hipocampo e córtex olfatório (arqui e paleocórtex) têm sinal um pouco mais
alto em T2, FLAIR (fluid-attenuated inversion recovery: T2 com o sinal do líquor suprimido) e difusão, sobretudo a 3 T: é normal.
Idade
Córtex em T1
Córtex em T2
Leitura
Até 6 meses (padrão infantil)
Claro
Escuro
Junção nítida: boa fase para ver MDC
Até 1 ano (padrão isointenso)
Igual à substância branca
Igual à substância branca
Junção borrada pela mielinização; 8 a 12 meses é a pior fase
24 meses (padrão adulto)
Escuro
Claro
Mielinização completa no 3º ano: boa fase de novo
a fase em que a lesão some
Entre 8 e 12 meses, displasia focal pode ficar invisível. Exame normal nessa idade com epilepsia:
sugerir repetir a RM depois da mielinização e rever exames antigos, em que a lesão pode estar
clara.
+ complemento · protocolo
Preferir 3 T; 3D T1 volumétrico e T2 fortemente ponderado de alta resolução são
essenciais (pegam fendas pequenas e covinhas ventriculares). Reformatações multiplanares e 3D ajudam a achar
displasia. Espessura cortical não tem corte rígido: depende de idade, tamanho da cabeça e sexo.
Classificação atual
Grupo
Mecanismo
Entidades
1
Proliferação ou apoptose anormal
Microcefalia primária; megalencefalia e hemimegalencefalia; DCF (displasia cortical focal) tipo IIa e IIb e túberes corticais
2
Migração anormal
Heterotopias; lisencefalia (agiria, paquigiria e heterotopia em banda); malformação em paralelepípedo; polimicrogiria; esquizencefalia
3
Desenvolvimento pós-migracional anormal
Disgiria; DCF tipo I e III; microcefalia secundária
O que mudou
Antes
Agora
Polimicrogiria
Pós-migracional
Distúrbio migracional tardio (grupo 2)
Malformação em paralelepípedo
Lisencefalia tipo II
Entidade própria: é sobremigração, não submigração
Heterotopia em banda (duplo córtex)
Junto das heterotopias
Parte do espectro da lisencefalia
Lisencefalia
Clássica ou variante
Descrita por gravidade, gradiente, espessura e malformações associadas
Disgiria
Não existia
Termo novo para córtex de espessura normal e sulcação aberrante
DCF tipo III
Grupo à parte
Pode deixar de existir como entidade separada
+ complemento · de onde vem
Barkovich propôs a primeira classificação em 1996, pelas três etapas, revista em 2001, 2005 e 2012. Em
2020 veio o consenso europeu Neuro-MIG (European Network on Brain Malformations: rede europeia sobre malformações cerebrais), base da tabela acima: as etapas dependem umas das outras, e
os grupos ficaram menos rígidos.
Microcefalia e hipercrescimento
Microcefalia
Definição e imagem
Definição
Perímetro cefálico ≤ −2 DP (desvios-padrão); leve entre −2 e −3 DP (cognição em geral normal), grave ≤ −3 DP
Primária (congênita)
Padrão giral normal ou simplificado: menos giros, sulcos com 1/4 a 1/2 da profundidade, córtex de espessura normal
Secundária (pós-natal)
Agressão depois da migração: metabolismo, infecção, toxinas, trauma, hipóxia-isquemia, desnutrição
Genes
ASPM e WDR62 (não sindrômica); CASK: tronco e cerebelo desproporcionalmente pequenos; TUBA1A: lisencefalia, corpo caloso ausente e hipoplasia cerebelar
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 4. Ver artigo
Hipercrescimento
Pontos
Megalencefalia
Cérebro grande, com córtex normal ou displásico; vias PI3K-AKT-mTOR (via da fosfatidilinositol 3-quinase e do alvo da rapamicina) e RAS-MAPK (via das proteínas quinases ativadas por mitógeno)
Hemimegalencefalia
Um hemisfério inteiro aumentado, com ventrículo do mesmo lado aumentado e mielinização acelerada
Megalencefalia focal
Até 3 lobos (displasia quadrântica); em geral frontal ou parieto-occipital
Síndromes
MCAP (megalencefalia com malformação capilar), MPPH (megalencefalia, polimicrogiria, polidactilia pós-axial e hidrocefalia), CLOVES (supercrescimento lipomatoso congênito, malformações vasculares, nevos epidérmicos e anomalias da coluna e do esqueleto), nevo epidérmico: supercrescimento do corpo e marcas na pele (mosaicismo)
Macrocefalia benigna, menino de 8 meses
T2 axial: espaços liquóricos frontais alargados (setas).T2 axial: polos temporais (setas).T1 sagital: crânio grande em relação à face.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 6. Ver artigo
Hemimegalencefalia direita, 3 semanas de vida
T2 axial: hemisfério direito aumentado, com mielinização acelerada.T1 coronal: o ventrículo do lado afetado está aumentado.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 7. Ver artigo
o ventrículo separa malformação de tumor
Na megalencefalia unilateral o ventrículo do lado afetado aumenta; lesão expansiva ou infiltrativa
comprime o ventrículo.
macrocefalia não é megalencefalia
Macrocefalia é medida (perímetro ≥ +2 DP); megalencefalia é cérebro anormalmente grande. Cabeça
grande com cérebro normal é comum, muitas vezes com alargamento benigno dos espaços subaracnóideos da
infância.
DCF tipo II e túberes
DCF tipo II
Histologia
Imagem
IIa
Laminação desfeita, neurônios dismórficos, sem células balonadas
Córtex espesso, junção borrada, sinal alterado no córtex e abaixo dele, sulcação aberrante
IIb
Igual, com células balonadas
O mesmo, mais o sinal transmanto
Túber da esclerose tuberosa
Semelhante à IIb (TSC1, TSC2)
Transmanto; calcificação ocasional
DCF tipo II com sinal transmanto, homem jovem
T2 coronal: córtex frontal esquerdo espesso, com a junção córtex/branca apagada (seta).FLAIR coronal: hipersinal cortical e subcortical (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 8. Ver artigo
A DCF que some com a idade
T2 axial aos 2 meses: córtex frontal direito espesso e substância branca escura abaixo dele (seta).Aos 6 meses (seta).Aos 12 meses: na transição para o padrão adulto, a lesão quase não se vê.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 9. Ver artigo
A DCF é o diagnóstico mais comum na criança operada por epilepsia farmacorresistente. Tipo II,
túberes e megalencefalia displásica formam um espectro de doenças da via mTOR.
sinal transmanto
Faixa de hipersinal em T2 e FLAIR na substância branca, em funil, do córtex até o
ventrículo. É muito específico de DCF IIb (e túberes).
o bebê que ainda não mielinizou
No cérebro não mielinizado a DCF é escura em T2 e clara em T1, ao contrário do adulto. Com a
mielinização a lesão fica parecida com o vizinho e some: aos 12 meses já é difícil.
+ complemento · diferencial
Tumor glioneuronal de baixo grau (ganglioglioma), oligodendrocitose e MOGHE (mild malformation of cortical development with oligodendroglial hyperplasia in epilepsy: malformação leve do desenvolvimento cortical com hiperplasia oligodendroglial). DCF e tumor podem coexistir.
A epilepsia começa mais cedo na DCF; na espectroscopia, queda de NAA (N-acetilaspartato) e aumento de colina são mais fortes no
glioma.
Heterotopias
Neurônios normais em lugar errado, por migração que parou no caminho.
Heterotopia
Imagem
Pistas
Nodular periventricular
Nódulos na parede ventricular, iguais ao córtex em todas as sequências
A mais comum; trígonos e cornos occipitais. Bilateral e simétrica: FLNA (gene da filamina A) (Xq28), com cardiopatia
Subcortical
Substância cinzenta do ventrículo ao córtex, que costuma ser displásico
Pode vir com lisencefalia
Colunar transmanto
Faixa estreita de cinzenta do epêndima ao córtex
Num lobo inteiro: "lobo dentro de lobo"
Heterotopia subventricular, menina de 8 anos
T1 coronal: nódulo na parede ventricular (seta).T2 (seta).FLAIR: sinal igual ao do córtex em todas (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 11. Ver artigo
Heterotopia periventricular bilateral e subcortical, lactente
T1 axial: tecido na parede dos ventrículos (setas).FLAIR (setas).T2: sinal igual ao do córtex (setas).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 12. Ver artigo
Nódulo na parede
Heterotopia
Nódulo subependimário da ET
Sinal
Igual à substância cinzenta em todas
Diferente da cinzenta
Orientação
Ao longo da parede
Perpendicular à parede
Calcificação
Não
Frequente
Realce
Não
Pode realçar
Lisencefalia e heterotopia em banda
Termo
Definição
Agiria
Sulcos a mais de 3 cm um do outro; cérebro em "8", fissuras sylvianas largas e verticais
Paquigiria
Giros largos e grosseiros, sulcos rasos a 1,5 a 3 cm
Heterotopia em banda (duplo córtex)
Banda de cinzenta sob o córtex, separada dele por fina camada de branca
Lisencefalia espessa (clássica)
Córtex de 10 a 15 mm
Lisencefalia fina
Córtex de 5 a 10 mm
Microlisencefalia
Lisencefalia com microcefalia congênita grave; hipoplasia cerebelar frequente
Agiria, menina de 5 anos
T1 axial: córtex espesso, sem giros nem sulcos.T2 coronal: o cérebro em "8".
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 13. Ver artigo
Heterotopia em banda (duplo córtex), lactente
T1 axial: bandas de substância cinzenta entre os ventrículos e o córtex, dos dois lados (setas).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 14. Ver artigo
Paquigiria, 4 meses
T2 axial: giros simplificados e córtex espesso.T2 axial, mais alto.T2 coronal: mais evidente nos polos temporais e nos lobos frontais e parietais.T2 coronal, mais posterior.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 15. Ver artigo
Gene
Fenótipo
LIS1 (PAFAH1B1)
Lisencefalia isolada ou Miller-Dieker (com dismorfismo facial)
DCX (cromossomo X)
Lisencefalia clássica e heterotopia em banda; meninos mais graves
ARX
Predomínio temporal, ou ligada ao X com genitália anormal
RELN
Com hipoplasia cerebelar e anomalias do hipocampo
Tubulinas (TUBA1A, TUBB2B, TUBB, TUBB3)
Com hipoplasia cerebelar, córtex fino ou disgiria; núcleos da base dismórficos
Tubulinopatia (TUBB3), 1 ano
T1 axial: disgiria multifocal, foice hipoplásica (ponta de seta) e lentiforme esquerdo menor (círculo).T1 axial: folhas cerebelares dismórficas (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 16. Ver artigo
como descrever
Gravidade (difusa ou parcial) + gradiente (anterior, posterior ou nenhum) + espessura do córtex +
malformações fora do córtex (núcleos da base, corpo caloso, teto, tronco e cerebelo).
Polimicrogiria, paralelepípedo e esquizencefalia
Polimicrogiria e malformação em paralelepípedo são o mesmo mecanismo: neurônios passam da superfície por
falhas na membrana pial. Falhas pequenas dão polimicrogiria; falhas grandes dão uma camada lisa
de neurônios por fora, o paralelepípedo.
Polimicrogiria ou paquigiria
Polimicrogiria
Paquigiria
Giros
Muitos, pequenos e compactos
Poucos, largos e grosseiros
Junção córtex/branca
Irregular, bocelada
Relativamente lisa
Espessura
2 a 3 mm antes da mielinização; 5 a 8 mm depois
Espessa (10 a 15 mm na clássica)
Mecanismo
Sobremigração (migração tardia)
Submigração precoce
Local típico
Perissylviana (60 a 70%), sobretudo posterior
Difusa, com gradiente
Polimicrogiria com esquizencefalia de lábios fechados, menina de 7 anos
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 19. Ver artigo
a polimicrogiria que parece lisa
Polimicrogiria grave com córtex espesso imita paquigiria, e a camada molecular fundida sobre os microssulcos
(ou a resolução baixa) faz a superfície parecer lisa. Procure a junção bocelada.
Distroglicanopatia
Achados
Walker-Warburg (a mais grave)
Paralelepípedo, hidrocefalia fetal, cistos cerebelares, tronco com dobra em "Z" na junção mesencéfalo-pontina, displasia retiniana, encefalocele posterior
Músculo-olho-cérebro
Paralelepípedo, descolamento de retina, sem septo pelúcido, vérmis inferior hipoplásico
Fukuyama
Paralelepípedo têmporo-occipital, polimicrogiria frontal e cerebelar
Malformação em paralelepípedo
T2 fetal: córtex espesso e "pedregoso", poucos sulcos e ventrículos grandes.T2 axial depois do nascimento.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 1. Ver artigo
Walker-Warburg, lactente
T1 axial: padrão em paralelepípedo.T2 coronal.T1 sagital: tronco hipoplásico com a dobra dorsal em "Z" na junção mesencéfalo-pontina.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 20. Ver artigo
Esquizencefalia
Lábios
Comunicação
Tipo I
Fechados (fundidos)
Fenda revestida de cinzenta, sem ligar ventrículo e espaço subaracnóideo
Tipo II
Abertos
Liga o ventrículo ao espaço subaracnóideo
Esquizencefalia de lábios fechados bilateral
T1 volumétrico axial: fendas pequenas cercadas de polimicrogiria (pontas de seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 21. Ver artigo
Esquizencefalia de lábios abertos, toxoplasmose congênita
TC axial de recém-nascido: fenda grande à esquerda ligando ventrículo e espaço subaracnóideo, com calcificações nas paredes ventriculares.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 22. Ver artigo
esquizencefalia
Fenda de espessura total, do epêndima à pia, revestida por cinzenta polimicrogírica. Causas: CMV (citomegalovírus), isquemia,
trauma, teratógenos, COL4A1/COL4A2 (genes do colágeno tipo IV) e tubulinas. Com displasia septo-óptica: displasia septo-óptica
plus.
Disgiria, DCF I e DCF III
Grupo 3
O que é
Imagem
Disgiria
Espessura cortical normal, sulcação aberrante; camadas normais ao microscópio
Descrita primeiro nas tubulinopatias e distroglicanopatias
DCF tipo I (Ia, Ib, Ic)
Falha da organização radial (Ia), tangencial (Ib) ou das duas (Ic)
Junção borrada, sinal alterado, hipoplasia segmentar ou lobar; falta assimétrica de mielinização subcortical sugere Ia
DCF tipo III
Desarranjo cortical em volta de outra lesão
IIIa esclerose hipocampal · IIIb tumor · IIIc malformação vascular · IIId lesão adquirida da primeira infância
Microcefalia secundária
Agressão pós-migracional
Ver microcefalia
DCF tipo III com anomalia venosa, menina de 12 anos
FLAIR axial: córtex frontal direito espesso e hipersinal subcortical com vasos (seta).FLAIR: sulcação alterada (ponta de seta) e a anomalia venosa (seta).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 10. Ver artigo
Disgiria, menina de 4 anos
T2 axial: sulcação anormal parassagital frontoparietal dos dois lados (setas), com espessura cortical normal.
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 23. Ver artigo
Infecções congênitas
Agente
Achados
Zika
Microcefalia, crânio de aspecto colapsado, calcificações na junção córtico-subcortical, padrão de lisencefalia, heterotopias, polimicrogiria
CMV
Infecção precoce: lisencefalia; polimicrogiria perissylviana, esquizencefalia, ventriculomegalia, calcificações, cistos do polo temporal, atrofia cerebelar
Toxoplasmose
Esquizencefalia e calcificações periventriculares
Microcefalia por Zika, menino de 2 anos
T1 coronal: córtex espesso e heterotopias subependimárias (setas).T2 axial: agiria frontal e paquigiria temporoparietal.Suscetibilidade: calcificações subcorticais (setas).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 5. Ver artigo
CMV congênito, 6 meses
T2 coronal.T2 coronal: ventrículos dilatados e córtex perissylviano com aspecto de polimicrogiria (setas).T2 coronal posterior: ventrículos dilatados (setas), hemisfério cerebelar esquerdo e vérmis atróficos.T2 axial: giros simplificados e córtex espesso (setas).
Fonte: Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, et al. RadioGraphics 2024;44(11):e230239, Fig. 17. Ver artigo
Zika ou outra TORCH (toxoplasmose, outras, rubéola, citomegalovírus e herpes)?
Em área endêmica, crânio colapsado e calcificação na junção córtico-subcortical favorecem
Zika.
Pontos de prova: alto rendimento
Pior idade para ver DCF
8 a 12 meses
Sinal transmanto
DCF IIb e túberes
Heterotopia
Igual ao córtex em tudo
Nódulo calcificado que realça
Esclerose tuberosa
Polimicrogiria
Perissylviana, junção bocelada
Paralelepípedo
Sobremigração, distroglicanopatia
Dobra em Z do tronco
Walker-Warburg
Esquizencefalia tipo I
Lábios fechados
Hemimegalencefalia
Ventrículo do lado afetado maior
Agiria
Cérebro em 8
DCX
Heterotopia em banda
Zika
Calcificação córtico-subcortical
Armadilhas e erros comuns
Erros
Liberar RM normal de bebê de 8 a 12 meses com epilepsia
Chamar polimicrogiria espessa de paquigiria
Confundir nódulo da esclerose tuberosa com heterotopia
Ler o arquicórtex claro a 3 T como lesão
Chamar de tumor a hemimegalencefalia
Não procurar fenda pequena no 3D T1
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Jovem com epilepsia refratária: córtex frontal espesso, junção borrada e faixa de hipersinal em T2/FLAIR em funil, do córtex até o ventrículo. Diagnóstico mais provável:
É o sinal transmanto, muito específico de DCF IIb (e dos túberes da esclerose tuberosa).
Lactente de 10 meses com crises focais e RM sem alteração. O que recomendar?
Entre 8 e 12 meses o córtex fica isointenso à substância branca e a displasia pode sumir. Sugerir nova RM depois da mielinização (e rever exames anteriores).
Nódulos na parede dos ventrículos laterais, com o mesmo sinal do córtex em T1, T2 e FLAIR, sem calcificação nem realce. Hipótese:
Heterotopia é igual à substância cinzenta em todas as sequências, corre ao longo da parede e não calcifica nem realça. O nódulo da ET (esclerose tuberosa) calcifica, pode realçar e é perpendicular à parede.
Fenda revestida de substância cinzenta, do epêndima à superfície, com os lábios encostados e sem comunicação livre com o ventrículo. Classificação:
Lábios fechados (fundidos) = tipo I. No tipo II os lábios ficam abertos e a fenda liga o ventrículo ao espaço subaracnóideo. O revestimento de cinzenta separa de porencefalia.
Malformação em paralelepípedo (cobblestone): qual é o mecanismo?
É sobremigração: falhas grandes na lâmina basal (distroglicanopatias) deixam os neurônios passar da superfície. Por isso saiu da antiga lisencefalia tipo II. Falhas pequenas dão polimicrogiria.
Recém-nascido com hemisfério direito aumentado e córtex alterado. Qual achado favorece hemimegalencefalia em vez de lesão expansiva?
Na megalencefalia unilateral o ventrículo do lado afetado aumenta, e a mielinização costuma ser acelerada. Lesão expansiva ou infiltrativa comprime o ventrículo.
Fonte.
Brunelli JM, Lopes TJP, Alves IS, Delgado DS, Lee HW, Martin MGM, et al. Malformations of Cortical
Development: Updated Imaging Review. RadioGraphics 2024;44(11):e230239. doi:10.1148/rg.230239. Autores
do Hospital Sírio-Libanês e da Universidade de São Paulo.
O texto ainda chama a polimicrogiria de pós-migracional, mas a tabela de classificação já a põe no grupo
da migração; o caderno segue a tabela. O artigo não diz qual gene dá gradiente anterior ou posterior na
lisencefalia nem detalha a revisão da ILAE para a DCF. Tirei os diagramas com texto em inglês. Conferido em
07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados da mesma fonte.