As cirurgias de coluna não param de crescer, e com elas os exames pós-operatórios.
A divisão de trabalho: radiografia é a base do pós-imediato e do seguimento
(sempre comparar com a basal); TC responde implante, fusão e complicações ósseas;
RM vê canal, raízes, coleções e infecção (limitada perto do metal);
mielo-TC substitui a RM impossibilitada e localiza fístula liquórica; medicina
nuclear (gálio, leucócitos, PET-FDG (tomografia por emissão de pósitrons com fluordesoxiglicose)) entra na infecção.
domando o artefato metálico
Fixo: o material (aço > titânio >> PEEK (poli-éter-éter-cetona), quase sem artefato) e a
espessura. Modificável: kVp alto (menos artefato, ao custo de contraste e dose
quadrática), corrente alta, colimação fina, pitch baixo, kernel suave, voxel isotrópico
≤ 0,75 mm, e as armas avançadas, que são os algoritmos de redução de artefato (projection
completion/iterativos) e dual-energy com monoenergético virtual alto (mata o
endurecimento de feixe; não o espalhamento). Reformatações e 3D ainda diluem estrias.
Redução de artefato metálico na TC de dupla energia, mulher de 62 anos com instrumentação posterior L3–S1
Monoenergética de 100 keV, axial em L3: mais artefato metálico e melhor resolução de contraste.Monoenergética de 140 keV, mesmo nível: menos artefato, com menor resolução de contraste.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 1. Ver artigo
+ complemento · a pergunta antes do laudo
Qual era a doença, qual cirurgia foi feita e há quanto tempo? Sem esse tripé,
achado esperado vira “complicação” e complicação vira “pós-op habitual”.
O que o cirurgião fez
Cirurgia
O essencial
Descompressão
Laminotomia unilateral (hérnia) · laminotomia mediana (estenose: tira o caudal da lâmina de cima e o cranial da de baixo) · laminectomia (lâmina inteira ± espinhoso) · facetectomia parcial (raiz comprimida; tirar o mínimo, senão instabiliza)
Cervical anterior
Acesso de Smith-Robinson (C2–T1) · a discectomia e fusão cervical anterior (ACDF): discectomia + cage/enxerto tricortical ± placa anterior (multinível, trauma, enxerto sem cage) · corpectomia + cage; > 2 corpos ressecados pedem posterior junto · transoral para clivo/C1–C2
Cervical posterior
Parafusos de massa lateral C3–C7 (orientados para cima e lateral) + pediculares em C2 e C7 (horizontais, levemente mediais) com hastes
Artroplastia de disco
Preserva o movimento: jovem SEM artrose facetária/uncovertebral · prótese bola-soquete (ou sela), quilhas/espículas/parafusos ancorando nos platôs
Lombar
Posterior é o padrão (lâminas, canal, disco, parafusos pediculares + hastes) · anterior para a junção lombossacra · lateral quando não precisa descomprimir por trás. As cinco vias do cage: anterior (ALIF), oblíqua (OLIF), lateral transpsoas (XLIF), transforaminal (TLIF) e posterior (PLIF); o diagrama abaixo
Discectomia e fusão cervical anterior (ACDF) de C3 a C5, mulher de 62 anos
TC sagital: artrodese intersomática bem-sucedida, com ponte óssea sólida através (*) e em volta (setas) dos enxertos.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 3. Ver artigo
Artroplastia de disco lombar em L4-L5, homem de 48 anos
TC sagital: prótese bem posicionada e ancorada nos platôs, com integração óssea (o osso esponjoso chega à superfície do implante, setas), sem esclerose nem osteólise. Alinhamento preservado. Artefatos metálicos escuros (* branco) e claros (* preto).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 5. Ver artigo
Artroplastia de disco cervical em C4-C5, homem de 51 anos
TC sagital: prótese em posição variante, com as margens (ponta de seta) cerca de 3 mm anteriores aos platôs; eixo do implante angulado para trás, abertura anterior desproporcional e leve lordose segmentar (linhas). Pequena osteólise subcortical (seta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 6. Ver artigo
ALIF, OLIF, XLIF, TLIF e PLIF no axial: o psoas e os vasos entregam o caminho
usado.
+ complemento · o vocabulário dos implantesParafusos (pediculares, translaminares, transarticulares, de massa lateral):
âncoras das hastes; placas anteriores baixas e rentes; hastes (Harrington e
Luque são história: escreva só “haste”); hastes de crescimento magnéticas da
escoliose infantil (o atuador abriga o ímã; atuadores de 70/90 mm distraem até 28/48 mm;
standard alonga para cranial, offset para caudal); enxertos (autólogo, alógeno,
matriz desmineralizada, proteína morfogenética óssea (BMP)); cages (titânio, PEEK, carbono, cerâmica: ocos,
recheáveis); próteses de disco (constrained × não constrained).
Hastes de crescimento magnéticas para escoliose, menina de 7 anos com síndrome de Marfan
TC sagital de haste standard unilateral: atuador com o mecanismo de alongamento para cranial (seta branca). A osteólise em volta dos parafusos proximais (seta preta) indica fixação sem sucesso.Radiografia frontal depois da revisão: haste standard (seta preta) e haste offset (seta branca), que alongam de forma independente para cranial e para caudal.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 10. Ver artigo
O pós-operatório normal, e os números do sucesso
Os milímetros que definem posição correta e o relógio da fusão.
o checklist do implante bem posto
Parafuso pedicular no centro do pedículo, paralelo ao platô, sem violar
cortical (sacro pode passar a anterior de propósito). Placa cervical ≥ 5 mm dos
platôs vizinhos. Cage ≥ 2 mm da margem posterior do corpo (marcador radiopaco).
Junção parafuso-haste com o cap completamente assentado: desalinhamento angular da
haste no conector é sinal de instabilidade do constructo.
Parafuso de placa cervical anterior incompletamente engatado, fixação C3–C5
TC sagital: parafuso incompletamente engatado em C5 (seta) e parafuso bem engatado acima (ponta de seta). A artrodese foi bem-sucedida, com ponte óssea completa nos espaços discais.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 29. Ver artigo
Migração posterior do cage, homem de 69 anos com instrumentação L3–L5
TC sagital logo depois da cirurgia: cage L3-L4 bem posto, a 2 mm da margem posterior do corpo vertebral (seta).TC sagital 6 semanas depois: o cage migrou para trás, para dentro do canal (seta), com efeito de massa sobre o saco dural.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 13. Ver artigo
o laudo sem culpados
Violação de pedículo ocorre em até 5,1% dos parafusos, e sintomas em
< 0,2%. Use descritores neutros: posição + relação com a estrutura +
sinais de lesão (“a ponta do parafuso L1 esquerdo tangencia a cava, com planos
gordurosos preservados”), nunca “malposicionado”. Lesão direta ou indireta
(laceração, borramento) = comunicação urgente ao cirurgião, como a ponta
indentando a aorta, que já rendeu stent profilático.
Posição variante de parafusos pediculares em dois pacientes
Homem de 71 anos, axial em L5: parafuso pedicular direito (seta) atravessando o recesso lateral direito do canal.Mulher de 60 anos, axial em T1: parafuso pedicular esquerdo atravessando o processo articular esquerdo (seta), lateral ao pedículo.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 15. Ver artigo
Parafuso pedicular torácico indentando a aorta, homem de 52 anos
TC axial: a ponta do parafuso pedicular esquerdo de T7 (seta) ultrapassa a cortical anterolateral do corpo vertebral e indenta a aorta descendente (*). Foi colocado um stent revestido para reduzir o risco de lesão aórtica.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 16. Ver artigo
Parafuso de massa lateral sem ancoragem, homem de 71 anos
TC sagital: o parafuso de massa lateral direito de C3 não tem ancoragem óssea (seta), com a ponta na faceta C2-C3, e o constructo recuou (ponta de seta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 21. Ver artigo
Soltura, pseudoartrose e quebra
Osteólise na ponta × difusa, as regras da soltura e os sinais da pseudoartrose.
as frases que resolvem
Osteólise circunferencial > 2 mm = soltura provável, mas a certeza exige
mudança de posição em exames seriados. Mecânica rói mais a ponta (pivô);
infecciosa rói difuso, e clínica/laboratório/medicina nuclear desempatam, porque
as caras se sobrepõem (e o BMP imita infecção no começo). Esclerose em volta do parafuso
= resposta a soltura prévia.
Pseudoartrose (sem ponte madura em 24 meses): linha hipoatenuante, cistos subcorticais,
vácuo discal (micromovimento), subsidência/migração/fratura do cage; na
radiografia dinâmica, > 2 mm interespinhosos ou ≥ 2° de Cobb. Na “locked”, a ponte
tentou e ficou uma camada não ossificada no meio: com vácuo = instável, sem vácuo =
estável.
Quebra: fadiga de parafuso/haste (a reconstrução volumétrica (VRT) acha a fratura
pouco desviada);
desengate de haste; migração do cage e subsidência > 3 mm estreitando forame.
E as fraturas periprotéticas do osso enfraquecido: descrever traço, cominução,
extensão articular/foraminal e alinhamento.
Pseudoartrose e osteólise, homem de 70 anos com dor 8 anos depois de instrumentação L1–S1
TC sagital: osteólise em volta dos parafusos de L1 e S1 (pontas de seta) e vácuo em L1-L2, L4-L5 e L5-S1 (setas brancas), sugerindo micromovimento. Artrodeses L2-L3 e L3-L4 bem-sucedidas (setas pretas). Doença do segmento adjacente com degeneração discal grave (*).TC coronal: os mesmos achados.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 19. Ver artigo
Osteólise e migração de parafuso, homem de 66 anos com instrumentação posterior C2–T2
TC sagital: osteólise em volta do parafuso direito de C2 (seta), sugerindo fixação óssea comprometida.TC sagital 16 meses depois: osteólise progressiva (seta) e migração angular do parafuso, que entra na faceta C1-C2 direita (ponta de seta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 20. Ver artigo
Osteólise e recuo de parafuso, mulher de 33 anos com instrumentação posterior C3–C7
TC sagital: osteólise em volta do parafuso de massa lateral esquerdo de C3 (seta), com recuo do parafuso (ponta de seta).TC sagital 3 meses depois: osteólise progressiva (seta), recuo maior do parafuso e leve aumento da anterolistese C3-C4 (ponta de seta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 22. Ver artigo
Osteólise infecciosa e deslocamento de parafuso, homem de 31 anos com instrumentação cervical anterior e posterior
TC axial: osteólise geográfica em volta do parafuso anterior direito de C6 (seta), por infecção.Reconstrução volumétrica oblíqua: o parafuso esquerdo de C6 deslocado para as partes moles pré-vertebrais (ponta de seta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 23. Ver artigo
Fratura de parafuso em dois pacientes
Mulher de 66 anos, TC sagital: fratura da haste do parafuso esquerdo de T2 dentro do pedículo (seta), com desvio mínimo.Homem de 78 anos, TC sagital: fratura do colo do parafuso esquerdo de S1 (seta).Mesmo paciente, reconstrução volumétrica oblíqua: a fratura (seta) fica mais evidente na reconstrução.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 26. Ver artigo
Fratura de haste, mulher de 69 anos com instrumentação T8–S2
TC: ganchos desengatados em T8-T9 (setas brancas), haste fraturada em S1 (seta preta), osteólise em volta do parafuso de S1 e vácuo em L5-S1 (ponta de seta), indicando micromovimento e instabilidade.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 27. Ver artigo
Desengate de haste, homem de 62 anos com instrumentação L5–S1
TC sagital: desalinhamento angular e migração superior da haste (ponta de seta) em relação ao conector (**). O pequeno vácuo no disco (seta) e a falta de ponte óssea indicam micromovimento e instabilidade do constructo.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 8. Ver artigo
Desengate de haste, mulher de 77 anos com instrumentação L3–S1
TC axial: desengate da haste no parafuso pedicular esquerdo de S1 (ponta de seta branca), porque o parafuso de travamento (*) saiu do encaixe do conector (ponta de seta preta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 28. Ver artigo
Osteólise periprotética e migração do enxerto de cimento, homem de 47 anos com instrumentação L4–S1
TC axial: extensão anterior do enxerto intersomático de cimento (seta), em contato com a veia ilíaca comum direita (*).TC sagital: a mesma extensão anterior (seta) e osteólise nas interfaces enxerto-platô (pontas de seta), com subsidência.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 17. Ver artigo
Migração do cage, homem de 52 anos com instrumentação L4–S1
TC axial: deslocamento anterior do cage de L4-L5 (seta), logo abaixo da bifurcação aórtica, em contato com as ilíacas comuns.TC sagital: o mesmo deslocamento anterior (seta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 18. Ver artigo
Subsidência do cage, homem de 71 anos com dor lombar 6 meses depois de fusão L4-L5
TC coronal: vácuo em L4-L5 (seta) e migração do cage para dentro do platô, maior que 3 mm, com osteólise em volta (pontas de seta): micromovimento e falta de integração óssea.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 30. Ver artigo
Fratura periprotética, mulher de 77 anos com instrumentação L3–S1
TC sagital 1 dia depois da cirurgia: alinhamento basal, com o corpo de S1 íntegro (seta).TC sagital 1 mês depois: fratura nova no segmento adjacente S1 (seta), com desvio anterior.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 31. Ver artigo
Fratura periprotética, mulher de 73 anos com instrumentação L4–S1
TC sagital: fratura dos processos articulares de L3, o segmento adjacente (setas).TC coronal: as fraturas dos processos articulares direito e esquerdo de L3 (setas).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 32. Ver artigo
+ complemento · doença do segmento adjacente
O bloco fundido vira braço de alavanca: a carga se transfere aos segmentos
móveis vizinhos, acelerando disco e facetas, mais na lombar e mais acima do
constructo. É a razão de ser das próteses de disco (preservar movimento).
fusão intersomática lombar: como ler [B]Classificação de Brantigan-Steffee-Fraser (BSF), validada contra a exploração cirúrgica: BSF-1, pseudartrose: colapso, perda de altura discal, escorregamento, migração do cage, reabsorção ou halo hipoatenuante em torno do implante. BSF-2, pseudartrose “travada”: faixa hipoatenuante no meio do cage, apesar de osso sólido crescendo de cada platô para dentro dele; muitos desses pacientes vão bem clinicamente. BSF-3, fusão: ponte trabecular em ≥ 50% da área, com densidade semelhante à do pós-operatório imediato.
Leia por zonas: as zonas fora do cage são mais reprodutíveis que as de dentro (ICC (coeficiente de correlação intraclasse) 0,79–0,84 × 0,70–0,79), e o padrão de ponte depende do desenho do cage e de onde se pôs o enxerto, mais que da via de acesso.
Quando: aos 12 meses a maioria das fusões já está visível; 15–16% atrasam e se consolidam mais tarde, por volta dos 17 meses.
Pseudartrose não se decide por um achado isolado: considerar intervenção exige que se somem sintomas persistentes, falha progressiva do material e ponte que parou de progredir.
Pseudoartrose travada (locked) instável
TC sagital: ponte óssea tentada mas incompleta através do cage (pontas de seta), com uma camada não ossificada entre as colunas ossificadas (*). O vácuo nessa camada e na interface cage-platô (seta) sugere micromovimento e instabilidade segmentar.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 24. Ver artigo
Pseudoartrose travada (locked) estável
TC sagital: a mesma ponte incompleta (pontas de seta), com camada não ossificada (seta) entre as colunas ossificadas (*), mas sem vácuo, o que sugere estabilidade segmentar.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 25. Ver artigo
Do atraso à fusão, homem de 29 anos com instrumentação L5–S1 por espondilolistese
TC sagital 39 semanas depois da cirurgia: área hipoatenuante irregular na junção do platô superior com o enxerto (seta), integração óssea e artrodese ainda incompletas.TC sagital 2 anos depois: integração óssea completa na interface platô-enxerto (seta) e artrodese bem-sucedida.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 14. Ver artigo
Coleções, líquor e infecção
Coleção
Assinatura e conduta
Hematoma
Horas–dias · denso, biconvexo, dorsolateral ao cordão quando epidural · sintomático em só 0,1–1% · subcutâneo em geral não precisa de nada
Seroma
Líquido simples no leito: achado normal, autolimitado quando superficial · BMP aumenta o risco · drenar se grande/sintomático/infectado
Pseudomeningocele
< 2% das laminectomias/discectomias · coleção hipoatenuante contígua à dura pelo defeito posterior, borda de tecido fibroso reativo (não é meninge verdadeira) · pode dar hipotensão intracraniana e meningite · mielo-TC separa de seroma e localiza o vazamento · protrusão dural no leito da laminectomia é normal: não confundir
Fístula
A lembrança cervical é a fístula esofágica para o leito do enxerto após instrumentação anterior, que o contraste oral na TC denuncia
Infecção do sítio
1º mês · S. aureus e gram-negativos · fatores: diabetes, tabagismo, falência renal, obesidade, cirurgia longa, implante e enxerto · TC com contraste: coleção em anel, flegmão paravertebral, gás, destruição de corpo · RM é mais acurada; TC segura o plantão
Seroma pós-operatório, mulher de 68 anos com instrumentação T4–S1 e descompressão L2–L4
TC sagital da coluna lombar: coleção hipoatenuante no leito da descompressão posterior (setas), seroma pós-operatório.TC axial em L3-L4: a mesma coleção (setas).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 33. Ver artigo
Pseudomeningocele, homem de 70 anos com instrumentação L4–S1
TC axial em L4-L5: grande coleção hipoatenuante no leito da descompressão (seta branca), sem plano de separação do saco dural, com borda de tecido fibroso reativo (seta preta). A RM mostrou hipotensão intracraniana e um pequeno defeito dural com fístula liquórica em L4-L5.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 34. Ver artigo
Fístula esofágica, mulher de 66 anos com instrumentação cervicotorácica anterior e posterior
TC sagital com contraste oral: fístula entre o esôfago e o enxerto intersomático (seta). Ponte óssea madura no enxerto posterolateral (pontas de seta).Mielo-TC axial cervical: a fístula (seta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 4. Ver artigo
Abscesso paravertebral, homem de 31 anos com instrumentação C5–T1
TC axial com contraste venoso: coleção com realce periférico atrás dos processos espinhosos (setas), abscesso de partes moles, com densificação da gordura adjacente.
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 35. Ver artigo
Abscesso de partes moles, homem de 33 anos com instrumentação cervical C4–C7
TC axial com contraste venoso e redução iterativa de artefato metálico: coleção com realce periférico acima da haste direita (seta), abscesso.TC coronal: o mesmo abscesso (seta).
Fonte: Ghodasara N et al. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861, Fig. 36. Ver artigo
+ complemento · a agenda do tempo
Hematoma fala nas primeiras horas–dias; infecção do sítio, no 1º mês; soltura
mecânica e pseudoartrose, em meses a anos; doença do segmento adjacente, em anos.
A idade do exame reordena o diferencial inteiro.
Pontos de prova: alto rendimento
Modalidades
RX (radiografia) = base e seguimento · TC = implante/fusão/osso · RM = canal/coleção/infecção · mielo-TC = fístula liquórica
Artefato: modificáveis
kVp e corrente altos · colimação fina · pitch baixo · kernel suave · voxel ≤ 0,75 mm · MAR (metal artifact reduction: redução de artefato metálico) iterativo · monoenergético alto no dual-energy
Materiais
Aço > titânio >> PEEK (quase sem artefato)
ACDF
Discectomia + cage ± placa anterior · placa a ≥ 5 mm dos platôs (senão ossificação periplaca)
Cervical posterior
Massa lateral C3–C7 (cima/lateral) · pediculares C2 e C7
Artroplastia de disco
Jovem SEM artrose facetária · preserva movimento (antídoto do segmento adjacente)
Acessos lombares
ALIF anterior (lombossacra) · OLIF entre vasos e psoas · XLIF atravessa o psoas · TLIF unilateral (facetectomia inferior) · PLIF bilateral
Cage: posição
Marcador posterior a ≥ 2 mm da margem posterior · mais perto = risco de migrar ao canal
Subsidência
≤ 3 mm esperada antes da fusão · > 3 mm = estreita disco/forame, dor radicular
Parafuso pedicular
Centro do pedículo, paralelo ao platô · sacral pode furar a cortical anterior · violação em até 5,1%, sintomas < 0,2%
Relógio da fusão
6 meses: ponte trabecular · 1 ano: ponte cortical madura · 24 meses sem ponte = pseudoartrose
Fibrose epidural
Cicatriz normal do trajeto · 50–75 UH (unidades Hounsfield) · pode regredir
Soltura
Osteólise circunferencial > 2 mm · certeza = mudança de posição em série · esclerose = soltura prévia
Mecânica × infecciosa
Ponta/pivô × difusa, e o BMP imita infecção no início
Pseudoartrose
Linha hipoatenuante + cistos + vácuo (micromovimento) · dinâmica: > 2 mm interespinhosos ou ≥ 2° de Cobb
Quebra e desengate
Fadiga de parafuso/haste (3D ajuda) · haste desalinhada no conector = instabilidade
Segmento adjacente
Alavanca do bloco fundido · lombar, sobretudo acima
Hematoma epidural
Denso, biconvexo, dorsolateral · sintomático em 0,1–1%
Pseudomeningocele
< 2% · contígua à dura, borda fibrosa · mielo-TC diferencia · protrusão dural pós-laminectomia é normal
Magnéticas: atuador com ímã · standard alonga cranial, offset caudal · 70/90 mm → 28/48 mm de distração
Laudo neutro
Descrever posição + efeito, sem “malposicionado” · lesão de víscera/vaso = comunicação urgente
Armadilhas e erros comuns
Achados normais lidos como doença
Gás/líquido/edema do trajeto no pós-imediato
Seroma superficial banal (e o risco extra com BMP)
Protrusão dural no leito da laminectomia lida como pseudomeningocele
Osteólise inicial do BMP lida como infecção
Subsidência ≤ 3 mm do cage lida como falha
Complicações perdidas
Fratura de parafuso/haste pouco desviada (use o 3D)
Cap de conector solto/haste desengatada
Vácuo discal ignorado (é o dedo-duro do micromovimento)
Fístula esofágica pós-cervical anterior sem contraste oral
Erros de laudo
“Malposicionado/mau posicionamento” em vez de descrição neutra
Fechar soltura sem série comparativa
Fechar pseudoartrose antes do prazo (24 meses) sem sinais duros
Não comunicar urgência quando a ponta toca víscera/vaso com sinais de lesão
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
TC lombar imediatamente após fusão intersomática L4-L5: o marcador radiopaco posterior do cage está a 1 mm da margem posterior do corpo vertebral. Qual a implicação desse achado?
A régua do cage: o marcador posterior deve ficar a ≥ 2 mm da margem posterior do corpo. Mais perto que isso, sobe o risco de migração posterior para o canal: com efeito de massa no saco dural ventral, como no caso clássico em que o cage bem posto no pós-imediato aparece dentro do canal 6 semanas depois. Não é indicação automática de revisão: o laudo descreve a posição e o risco; a conduta é do cirurgião com a clínica.
Os outros números da mesma família: subsidência de até 3 mm no platô é esperada antes da fusão (> 3 mm estreita disco e forame); placa cervical a ≥ 5 mm dos platôs vizinhos (mais perto = ossificação periplaca); e lateralização do cage gera carga axial assimétrica e desalinhamento.
TC de controle 18 meses após instrumentação lombar: halo de osteólise circunferencial de 3 mm ao redor de um parafuso pedicular, mais exuberante junto à PONTA, com esclerose marginal. Sem febre, provas inflamatórias normais. Qual a leitura mais provável?
Osteólise circunferencial > 2 mm sugere soltura, e o PADRÃO aponta a causa: a soltura mecânica rói mais a ponta, porque o parafuso pivota em torno de um fulcro; a infecciosa tende a ser difusa ao longo do trajeto. A esclerose marginal é a resposta adaptativa do osso à soltura. E a regra de ouro: o diagnóstico de certeza exige mudança de posição do implante em exames seriados.
Como as caras se sobrepõem, clínica, laboratório e eventualmente medicina nuclear entram no desempate: aqui, ambos tranquilizadores. A reação ao BMP causa osteólise de platô, no início (semanas), não halo de parafuso aos 18 meses. Consequência esperada da soltura não tratada: micromovimento, pseudoartrose e falha do implante.
Dois anos após artrodese L4-L5 com cage, paciente segue com lombalgia. TC: linha hipoatenuante atravessando o enxerto intersomático, pequenos cistos subcorticais nos platôs e fenômeno do vácuo no espaço discal. O que esses achados configuram?
Aos 24 meses, a artrodese bem-sucedida exibe trabeculação madura e ponte cortical sólida. O trio do caso (linha hipoatenuante pelo enxerto, cistos subcorticais e vácuo discal) é a assinatura da pseudoartrose com micromovimento. Na radiografia dinâmica, a confirmação funcional: variação interespinhosa > 2 mm ou mudança ≥ 2° no ângulo de Cobb. A variante “locked” mostra ponte tentada com uma camada não ossificada no meio: com vácuo = instável; sem vácuo = estável.
Pseudoartrose dói, sobrecarrega o implante e termina em fadiga: quebra de parafuso ou haste (o 3D acha as fraturas pouco desviadas), desengate de conector, migração do cage. O segmento adjacente é outra história: degeneração acelerada ACIMA/abaixo do bloco fundido, não dentro dele.
TC lombar pós-operatória: cage intersomático em L3-L4, trajeto cirúrgico atravessando o músculo psoas esquerdo (com edema residual nele), elementos posteriores íntegros e parede abdominal anterior intacta. Qual foi o acesso?
O trajeto de dissecção fica gravado na TC e conta o acesso: passar POR DENTRO do psoas é a marca do XLIF (fusão intersomática lateral extrema). O OLIF usa o corredor oblíquo ENTRE os vasos e o psoas (sem atravessá-lo); o ALIF entra anterior, entre os grandes vasos (via clássica da junção lombossacra); TLIF e PLIF vêm por trás: o primeiro com laminectomia + facetectomia inferior unilateral, o segundo com laminotomias bilaterais, e deixam os elementos posteriores editados, o que não ocorreu aqui.
Reconhecer o acesso importa porque cada corredor tem suas complicações próprias (plexo lombar no transpsoas, vasos ilíacos no anterior) e porque ele explica as alterações esperadas de partes moles no leito.
Duas semanas após laminectomia lombar, TC mostra coleção hipoatenuante no leito cirúrgico posterior, sem separação do saco dural, com fina borda de tecido reativo. O paciente refere cefaleia ortostática. Qual o diagnóstico mais provável?
Coleção hipoatenuante contígua ao saco dural através do defeito posterior, com borda de tecido fibroso reativo (não meninge verdadeira: daí “pseudo”), é a pseudomeningocele (< 2% das laminectomias/discectomias). A cefaleia ortostática fecha o mecanismo: hipotensão intracraniana por hipovolemia liquórica, e meningite é o outro risco. Na dúvida com seroma, a mielo-TC mostra o contraste intratecal entrando na coleção e localiza o vazamento.
Os concorrentes: seroma não se comunica com a dura nem dá cefaleia postural; hematoma agudo seria denso e biconvexo (sintomático em só 0,1–1%); abscesso pede o contexto do 1º mês com anel espesso, flegmão e clínica. E não confundir com a protrusão dural normal para o leito da laminectomia.
Radiografia de escoliose infantil tratada com hastes de crescimento magnéticas: o constructo tem uma haste standard e uma offset. Qual a razão dessa combinação?
Nas hastes de crescimento magnéticas, o atuador (o segmento mais largo) abriga o ímã e o mecanismo de distração, acionado por controle remoto externo, sem reoperar. Na haste standard, o ímã fica na porção distal do atuador e o alongamento ocorre para cranial; na offset, o ímã é proximal e o alongamento vai para caudal. Combinar uma de cada permite alongar cada haste de forma independente; duas standard alongam juntas.
Números úteis: atuadores de 70 e 90 mm permitem até 28 e 48 mm de distração pós-operatória. E o que a imagem vigia: osteólise ao redor dos parafusos de ancoragem (fixação óssea falhando) e o alinhamento do constructo a cada alongamento.
Fontes. [A] Ghodasara N, Yi PH, Clark K, Fishman EK, Farshad M, Fritz J. Postoperative
Spinal CT: What the Radiologist Needs to Know. RadioGraphics 2019;39(6):1840–1861.
doi:10.1148/rg.2019190050
[B] Peng SH, Pao JL. CT Evaluation of Lumbar Interbody Fusion: A Comprehensive Review with an Integrated Framework for Principle-Based Interpretation. Diagnostics 2026;16(1):140. doi:10.3390/diagnostics16010140 (CC BY)
O quadro sobre a fusão intersomática lombar vem de [B]; o restante, de [A]. Conferido em 01/09/2026.
Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do
autor, além do texto das fontes.