Cadernos QRad 56 · Adrenais: Incidentaloma e Washout
Abdome · glândulas adrenais

Adrenais: Incidentaloma e Washout

Fontes: Mayo-Smith, JACR 2017 (white paper ACR) · Chung & Garratt, RadioGraphics 2023

O incidentaloma antes do pânico

Massa adrenal incidental aparece em 3 a 7% dos adultos (~5% dos exames), e o placar é tranquilizador: sem câncer conhecido, menos de 1% é maligna, e o tipo mais comum é o adenoma não hiperfuncionante. Mesmo no paciente oncológico, o incidentaloma ainda é mais provavelmente benigno. O desafio inteiro do tema é um só: achar o raro maligno ou hiperfuncionante sem afogar a maioria benigna em exames; o white paper da ACR (American College of Radiology) é explícito sobre o risco de sobrediagnóstico.

as regras de ouro antes de qualquer algoritmo < 1 cm no menor eixo não se persegue: “nodularidade” e “espessamento” subcentimétricos não viram massa.

Para conduta, meça o maior eixo em qualquer plano.

Qualquer exame prévio vale para estabilidade: TC de tórax, PET (tomografia por emissão de pósitrons), US de abdome, RM de coluna lombar.

Contexto manda: comorbidades graves e expectativa de vida limitada podem encerrar a investigação antes de começar.
+ complemento · de onde vem este caderno Duas fontes que se completam: o algoritmo ACR 2017 (o fluxo de conduta) e as lições dos tumor boards de 2023 (RadioGraphics), com os atípicos, os imitadores e a demolição da fé cega no washout. Quando as duas discordam em ênfase, este caderno mostra as duas.

O que fecha benigno de cara

Cinco assinaturas encerram a investigação no primeiro exame, sem protocolo dedicado, sem seguimento:

AssinaturaCritério
Gordura macroscópica≤ −20 UH (unidades Hounsfield) → mielolipoma (prevalência de até 6%) · na RM: suprime com saturação de gordura e faz artefato de tinta nanquim na interface
Densidade ≤ 10 UH (TC sem contraste)Adenoma rico em lipídio: ~70% dos adenomas · vale para qualquer tamanho · medir o centro (2/3 centrais) de lesão homogênea
Queda de sinal em oposição de faseGordura microscópica = adenoma · índice adrenal: (fase − oposição) ÷ fase × 100 → > 16,5% a 1,5 T e > 1,7% a 3 T
Sem realceVariação < 10 UH entre pré e pós-contraste = cisto ou hemorragia: nada a seguir
Calcificação benignaHematoma antigo ou sequela granulomatosa: nada a seguir
Mielolipomas bilaterais, paciente de 40 anos com hiperplasia adrenal congênita por deficiência de 21-hidroxilase
TC coronal na fase portal: adrenais aumentadas com várias massas com gordura macroscópica (*), de até 13 cm à esquerda e 10 cm à direita, que cresceram muito em
TC coronal na fase portal: adrenais aumentadas com várias massas com gordura macroscópica (*), de até 13 cm à esquerda e 10 cm à direita, que cresceram muito em 9 anos com o tratamento irregular.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 11. Ver artigo
a sexta assinatura: o tempo Estabilidade ≥ 12 meses fecha benigno, e o dado novo dos tumor boards refina: quase 1/3 dos adenomas cresce, todos a < 3 mm/ano; os malignos crescem a > 5 mm/ano. No estudo, o corte de 3 mm/ano separou com sensibilidade e especificidade de 100%, mas numa série só; o white paper do ACR (2017) diz que não há limiar de velocidade de crescimento conhecido que separe benigno de maligno.
o cisto que finge adenoma Líquido simples também mede ≤ 10 UH: o cisto unilocular homogêneo imita adenoma na TC sem contraste (e, pelo centro hipodenso, imita feocromocitoma cístico). O desempate é o realce: adenoma realça, cisto não realça nada. Endotelial e pseudocisto respondem por > 80%; pseudocisto tem parede mais espessa, é unilocular e calcifica na periferia. Cisto confirmado não precisa de seguimento.
Pseudocisto adrenal esquerdo, homem de 63 anos
TC coronal na fase portal: massa adrenal esquerda de 3,6 cm (*) com densidade homogênea de líquido simples e calcificações periféricas grosseiras (seta), estáve
TC coronal na fase portal: massa adrenal esquerda de 3,6 cm (*) com densidade homogênea de líquido simples e calcificações periféricas grosseiras (seta), estável há 3 anos.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 4. Ver artigo
Cisto adrenal direito que imita adenoma, homem de 35 anos
US sagital com Doppler colorido: massa anecoica de parede fina no retroperitônio direito (seta), com reforço acústico posterior, sem nodularidade nem fluxo.
US sagital com Doppler colorido: massa anecoica de parede fina no retroperitônio direito (seta), com reforço acústico posterior, sem nodularidade nem fluxo.
TC sem contraste: nódulo adrenal direito circunscrito com 15 UH (seta), lido como indeterminado para adenoma.
TC sem contraste: nódulo adrenal direito circunscrito com 15 UH (seta), lido como indeterminado para adenoma.
RM axial T2: nódulo com hipersinal homogêneo igual ao do líquor (seta), sem gordura microscópica nem realce. Cisto entra no diferencial da lesão homogênea de 0
RM axial T2: nódulo com hipersinal homogêneo igual ao do líquor (seta), sem gordura microscópica nem realce. Cisto entra no diferencial da lesão homogênea de 0 a 20 UH.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 5. Ver artigo

O algoritmo ACR por tamanho e história

O ALGORITMO ACR 2017: ADULTO ASSINTOMÁTICO, ACHADO INCIDENTAL MASSA ADRENAL ≥ 1 cm < 1 cm no menor eixo: não perseguir TEM CARA DE BENIGNO? gordura macro · ≤ 10 UH · sem realce · calcificado · queda em oposição de fase BENIGNO encerra aqui ESTÁVEL HÁ ≥ 1 ANO (qualquer exame prévio)? TC de tórax, PET, US, RM de coluna… tudo vale BENIGNO sem seguimento 1 a 2 cm · SEM câncer provavelmente benigno TC adrenal em 12 meses (considerar) p/ documentar estabilidade > 2 a < 4 cm · SEM câncer malignidade sobe com o tamanho TC protocolo adrenal JÁ indeterminada → TC 6–12 m ou ressecar ≥ 4 cm isolada · SEM câncer pensar carcinoma adrenocortical RESSECÇÃO sem biópsia após avaliação bioquímica COM história de câncer (sem outra metástase) TC protocolo adrenal · necrose central ou indeterminada/≥ 4 cm ou crescendo → PET-TC com FDG ou biópsia (a hipótese é metástase) BIOQUÍMICA de rotina metanefrinas + supressão c/ dexa (hipertensa: renina/aldosterona) crescendo sem câncer conhecido: avaliação bioquímica e ressecção conforme a velocidade; não há corte de crescimento no algoritmo. bilaterais: aplicar o algoritmo a cada lesão · contexto (comorbidades, expectativa de vida) pode encerrar qualquer investigação.
O fluxo do white paper 2017: características benignas ou estabilidade encerram; sem elas, decidem o tamanho e a história oncológica.
os três destinos do indeterminado 1–2 cm, sem câncer: quase certamente benigno; considerar TC de protocolo adrenal em 12 meses para documentar estabilidade.

> 2 a < 4 cm, sem câncer: protocolo adrenal na identificação (a malignidade cresce com o tamanho); se seguir indeterminada, TC em 6–12 meses ou ressecção conforme o contexto.

≥ 4 cm isolada, sem câncer: ressecção sem biópsia, porque a hipótese a tratar é o carcinoma adrenocortical.
com história de câncer Sem características benignas nem exame prévio → protocolo adrenal (pré + pós), porque o contraste isolado não separa benigno de maligno. Necrose central, massa crescendo ou ≥ 4 cm → PET-TC com fluordesoxiglicose (FDG) ou biópsia: metástase tende a ser mais ávida que adenoma, e o PET ainda revela doença extra-adrenal oculta.
a mudança de 2017: bioquímica para (quase) todos O algoritmo passou a recomendar considerar avaliação bioquímica de rotina no incidentaloma: hiperfunção subclínica ocorre em 5 a 9%, e, numa série recente, 70% dos feocromocitomas operados foram achados incidentais. O pacote dos endocrinologistas: supressão com dexametasona + metanefrinas plasmáticas (urina de 24 h se equívocas); hipertenso ganha renina/aldosterona. Imagem caracteriza o adenoma, mas não diz se ele funciona.

O protocolo adrenal e o washout

A TC de protocolo adrenal é o exame tudo-em-um: mede densidade e lavagem na mesma visita. Pré-contraste em baixa dose (120 kVp, colimação de 3 mm, cobertura só das adrenais), leitura em tempo real: se nada fechar benigno, seguem a fase portal de 60–90 s e a tardia de 15 minutos.

Feocromocitoma com washout de adenoma, homem de 69 anos
TC de protocolo adrenal sem contraste: nódulo adrenal esquerdo de 2,6 cm com 49 UH (seta).
TC de protocolo adrenal sem contraste: nódulo adrenal esquerdo de 2,6 cm com 49 UH (seta).
Fase portal: 100 UH (seta).
Fase portal: 100 UH (seta).
Fase tardia de 15 minutos: 63 UH (seta), washout absoluto de 73%. Era feocromocitoma: com suspeita clínica ou bioquímica, não se faz biópsia.
Fase tardia de 15 minutos: 63 UH (seta), washout absoluto de 73%. Era feocromocitoma: com suspeita clínica ou bioquímica, não se faz biópsia.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 9. Ver artigo
TC DE PROTOCOLO ADRENAL: UM EXAME, DUAS PERGUNTAS (DENSIDADE E LAVAGEM) 1 · PRÉ-CONTRASTE baixa dose · 120 kVp · 3 mm ≤ 10 UH → adenoma rico em lipídio: PAROU AQUI ≤ −20 UH → mielolipoma 2 · PORTAL (60–90 s) realce < 10 UH sobre o pré = NÃO realça → cisto/hemorragia ≥ 130 UH → pense FEOCROMOCITOMA 3 · TARDIO (15 min) é aqui que o adenoma “lava” o contraste: metástase segura por mais tempo WASHOUT ABSOLUTO (tem o pré) APW = (portal − tardio) ÷ (portal − pré) × 100 ≥ 60% = adenoma série clássica: sens 98% · espec 92% WASHOUT RELATIVO (sem o pré) RPW = (portal − tardio) ÷ portal × 100 ≥ 40% = adenoma dupla energia: o virtual sem contraste ≤ 10 UH fecha A LIÇÃO DE 2023: WASHOUT NÃO DECIDE SOZINHO cruzam o corte de adenoma: feocromocitoma (17–67%!) · metástase hipervascular (rim de células claras, hepatocarcinoma, melanoma, neuroendócrino) · e até o carcinoma adrenocortical. sensibilidade real p/ adenoma incidental: 64–75% · o melhor uso do washout: separar adenoma de metástase quando o primário conhecido NÃO é hipervascular. tamanho, heterogeneidade e contexto clínico entram na conta sempre, e estabilidade ≥ 1 ano continua valendo mais que qualquer fórmula.
As três fases, as duas fórmulas, e o aviso de 2023: washout não decide sozinho.
onde a RM entra, e onde não resolve A RM com desvio químico é a alternativa de quem não pode iodo e ajuda no adenoma pobre em lipídio de 10–30 UH; acima de 30 UH, com frequência ela não mostra queda de sinal, e o protocolo adrenal por TC supera a RM. Na TC de dupla energia, a densidade virtual sem contraste tende a ler mais alta que a verdadeira: por isso ≤ 10 UH no virtual fecha adenoma (à custa de sensibilidade).
+ complemento · PET-TC em números Adenoma é levemente ávido por FDG; o que separa maligno é a comparação com fígado e pool sanguíneo: razão de captação máxima da lesão sobre o fígado ~2,5 e sobre o pool ~3,4 como cortes ótimos. Armadilhas (falsos-negativos): lesão subcentimétrica, primário pouco ávido e metástase necrótica/hemorrágica.

O adenoma fora do figurino

A lição central dos tumor boards: o adenoma nem sempre se veste de adenoma. Sete disfarces:

DisfarceComo reconhecer
Pobre em lipídio≥ 10 UH no pré · 10–30 UH: RM com desvio químico pode resgatar · > 2 cm homogêneo: washout; 1–2 cm: TC de seguimento
Com gordura macroscópicaDegeneração (mielo)lipomatosa: foco pequeno (média de 14% do nódulo), diferente do mielolipoma verdadeiro · com < 50% de gordura, considerar dosar cortisol, porque o adenoma pode funcionar
Com hemorragiaCresce de repente; áreas de 50–90 UH sem realce · na RM, T1 alto/T2 baixo: use subtração para achar tecido realçante por baixo · controle 6–12 semanas após resolver · sangue eleva normetanefrina de leve
Com ferroPerde sinal na fase (eco mais longo) e em todas as sequências; inverte o padrão do lipídio e imita calcificação/hemorragia crônica · pista: ferro também no fígado/baço
HeterogêneoQueda de sinal em < 80% da massa ainda aponta benigno: exceto com primário rico em gordura (células claras renal, hepatocarcinoma) ou padrão de tumor de colisão · seguimento curto documenta
Grande (≥ 4 cm)Pode ser adenoma (homogêneo, circunscrito), mas ≥ 4 cm tem malignidade proporcional ao tamanho (31% numa série > 4 cm) → em geral vai a ressecção, decidida em equipe multidisciplinar · > 20 UH e idade maior pesam contra
Crescendo≤ 3 mm/ano = comportamento de adenoma · > 5 mm/ano = comportamento de maligno (100/100% no estudo)
Adenoma grande e heterogêneo, mulher de 76 anos com metanefrina no limite
TC axial sem contraste: massa adrenal direita de 5 cm (seta), que cresceu de 2,6 cm em 3 anos.
TC axial sem contraste: massa adrenal direita de 5 cm (seta), que cresceu de 2,6 cm em 3 anos.
RM T1 em fase: áreas com hipersinal espontâneo (seta), hemorragia.
RM T1 em fase: áreas com hipersinal espontâneo (seta), hemorragia.
RM T1 fora de fase: focos de queda de sinal (ponta de seta), gordura microscópica. A peça mostrou adenoma com hemorragia e degeneração cística.
RM T1 fora de fase: focos de queda de sinal (ponta de seta), gordura microscópica. A peça mostrou adenoma com hemorragia e degeneração cística.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 2. Ver artigo
Adenoma com ferro que não perde sinal, mulher de 39 anos com câncer de mama e depósito hepático de ferro
RM inicial, T1 fora de fase: nódulo adrenal esquerdo com hipossinal (seta); fígado e baço (*).
RM inicial, T1 fora de fase: nódulo adrenal esquerdo com hipossinal (seta); fígado e baço (*).
T1 em fase: o fígado e o baço perdem sinal pelo ferro (*), e o nódulo não muda (seta).
T1 em fase: o fígado e o baço perdem sinal pelo ferro (*), e o nódulo não muda (seta).
Fase portal: nódulo com hipossinal difuso (seta), lido como calcificado ou hematoma antigo.
Fase portal: nódulo com hipossinal difuso (seta), lido como calcificado ou hematoma antigo.
Controle de 6 meses, T1 fora de fase: o nódulo agora perde sinal (seta), gordura microscópica.
Controle de 6 meses, T1 fora de fase: o nódulo agora perde sinal (seta), gordura microscópica.
T1 em fase: fígado e baço já não perdem sinal.
T1 em fase: fígado e baço já não perdem sinal.
Fase portal: realce homogêneo (seta). Era adenoma; o aspecto inicial se devia ao ferro dentro dele.
Fase portal: realce homogêneo (seta). Era adenoma; o aspecto inicial se devia ao ferro dentro dele.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 3. Ver artigo
o mielolipoma que não é Foco pequeno de gordura macroscópica num nódulo sólido não é mielolipoma: é degeneração mielolipomatosa de um adenoma (raramente de um carcinoma adrenocortical, quase sempre > 6 cm, invasivo e com < 5% de gordura). Mielolipoma de verdade é predominantemente gorduroso. E mielolipomas bilaterais pedem uma pergunta: hiperplasia adrenal congênita (deficiência de 21-hidroxilase)?
Adenoma heterogêneo com foco de gordura, mulher de 62 anos
RM axial T2: massa adrenal direita de 5,8 cm (seta), heterogênea, com hipersinal.
RM axial T2: massa adrenal direita de 5,8 cm (seta), heterogênea, com hipersinal.
T1 em fase: foco arredondado de 4 mm com hipersinal na parte posterior (ponta de seta).
T1 em fase: foco arredondado de 4 mm com hipersinal na parte posterior (ponta de seta).
T1 fora de fase: o foco com artefato de tinta nanquim em volta (ponta de seta), gordura macroscópica; não há gordura intracelular no resto.
T1 fora de fase: o foco com artefato de tinta nanquim em volta (ponta de seta), gordura macroscópica; não há gordura intracelular no resto.
T1 pós-contraste: realce heterogêneo (seta preta) dentro da massa (seta branca). Ressecada pelo tamanho: adenoma com área de degeneração lipomatosa de 5 mm sobr
T1 pós-contraste: realce heterogêneo (seta preta) dentro da massa (seta branca). Ressecada pelo tamanho: adenoma com área de degeneração lipomatosa de 5 mm sobre hemorragia antiga.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 1. Ver artigo

Carcinoma, metástase e o feocromocitoma

TumorA cara e os números
Carcinoma adrenocortical (CAC)Bimodal (< 5 anos e 4ª–5ª décadas) · grande e heterogêneo (necrose, hemorragia, calcificação) · raramente < 20 UH no pré · quase 70% têm ≥ 6 cm · risco por tamanho: < 4 cm 0,1–0,2% · 4–6 cm 2,4–4,8% · ≥ 6 cm 19,5–37,7% · invasão local, trombo venoso · washout geralmente < 60%, mas PODE cruzar o corte · biópsia evitada (semeadura no trajeto; não separa bem de adenoma)
MetástaseO maligno adrenal mais comum (de pulmão, intestino, mama, pâncreas) · > 10 UH sem lavagem típica · MAS as hipervasculares (células claras renal, hepatocarcinoma, melanoma, neuroendócrino) podem lavar como adenoma · pistas: primário conhecido, bilateral/multifocal, crescimento rápido, surgimento novo · e a metástase de células claras/hepatocarcinoma pode ter gordura microscópica, e aí T2 alto e heterogeneidade apontam metástase
Feocromocitoma3–5% dos incidentalomas · o diagrama abaixo, e a regra de ouro: metanefrinas antes de qualquer agulha
Feocromocitoma bilateral, homem de 38 anos com von Hippel-Lindau
TC na fase portal: dois nódulos adrenais à direita e um à esquerda com realce heterogêneo (setas brancas), o esquerdo com degeneração cística (seta preta) e cal
TC na fase portal: dois nódulos adrenais à direita e um à esquerda com realce heterogêneo (setas brancas), o esquerdo com degeneração cística (seta preta) e calcificação (ponta de seta preta); cisto na cauda do pâncreas (ponta de seta branca).
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 6. Ver artigo
Feocromocitoma cístico, mulher de 50 anos com hipertensão persistente e dor abdominal aguda
TC na fase portal: halo de tecido com realce intenso, de 105 UH (ponta de seta), em volta de conteúdo cístico. Metanefrinas urinárias muito elevadas.
TC na fase portal: halo de tecido com realce intenso, de 105 UH (ponta de seta), em volta de conteúdo cístico. Metanefrinas urinárias muito elevadas.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 7. Ver artigo
Feocromocitoma achado numa TC de coronárias, mulher de 67 anos
TC com contraste: massa adrenal esquerda volumosa e bem delimitada (seta), com degeneração cística ou necrose central (ponta de seta), sem invasão.
TC com contraste: massa adrenal esquerda volumosa e bem delimitada (seta), com degeneração cística ou necrose central (ponta de seta), sem invasão.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 8. Ver artigo
Feocromocitoma com hemorragia, mulher de 68 anos com dor no flanco e hipotensão
TC sem contraste: hematoma retroperitoneal esquerdo volumoso (setas) e massa adrenal esquerda (ponta de seta).
TC sem contraste: hematoma retroperitoneal esquerdo volumoso (setas) e massa adrenal esquerda (ponta de seta).
Fase portal: realce intenso da massa (ponta de seta), com necrose central.
Fase portal: realce intenso da massa (ponta de seta), com necrose central.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 10. Ver artigo
Metástase adrenal direita de câncer de pulmão não pequenas células, mulher de 76 anos
PET-CT: captação na periferia de uma massa adrenal direita heterogênea de 7,5 cm (pontas de seta).
PET-CT: captação na periferia de uma massa adrenal direita heterogênea de 7,5 cm (pontas de seta).
RM coronal T2: massa bem delimitada, heterogênea, com hipersinal predominante (seta), sem gordura microscópica.
RM coronal T2: massa bem delimitada, heterogênea, com hipersinal predominante (seta), sem gordura microscópica.
PET-CT depois de 6 meses de imunoterapia: massa menor e sem captação (seta).
PET-CT depois de 6 meses de imunoterapia: massa menor e sem captação (seta).
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 12. Ver artigo
Metástase adrenal esquerda de CHC (carcinoma hepatocelular), homem de 64 anos com cirrose
TC na fase portal: massa adrenal esquerda volumosa com hipoatenuação central (ponta de seta), necrose, e realce periférico (seta).
TC na fase portal: massa adrenal esquerda volumosa com hipoatenuação central (ponta de seta), necrose, e realce periférico (seta).
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 13. Ver artigo
Metástase adrenal com gordura microscópica, de carcinoma renal de células claras, mulher de 63 anos
RM T1 em fase: massa renal direita heterogênea (seta).
RM T1 em fase: massa renal direita heterogênea (seta).
T1 fora de fase: queda de sinal na massa renal (pontas de seta), gordura intracelular do carcinoma de células claras.
T1 fora de fase: queda de sinal na massa renal (pontas de seta), gordura intracelular do carcinoma de células claras.
T1 em fase: nódulo adrenal esquerdo de 2,8 cm (seta).
T1 em fase: nódulo adrenal esquerdo de 2,8 cm (seta).
T1 fora de fase: queda de sinal no nódulo (ponta de seta). A gordura microscópica não exclui metástase de células claras.
T1 fora de fase: queda de sinal no nódulo (ponta de seta). A gordura microscópica não exclui metástase de células claras.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 14. Ver artigo
Hemangioma adrenal, mulher de 85 anos
TC sem contraste: lesão adrenal esquerda (seta).
TC sem contraste: lesão adrenal esquerda (seta).
Fase arterial: realce nodular periférico descontínuo (seta).
Fase arterial: realce nodular periférico descontínuo (seta).
Fase tardia: preenchimento progressivo (seta), o padrão clássico do hemangioma.
Fase tardia: preenchimento progressivo (seta), o padrão clássico do hemangioma.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 18. Ver artigo
Ganglioneuroma, homem de 36 anos com massa adrenal esquerda e bioquímica negativa
RM T1 pós-contraste na fase arterial: a massa (setas).
RM T1 pós-contraste na fase arterial: a massa (setas).
Fase portal: a massa (setas).
Fase portal: a massa (setas).
Fase tardia de 3 minutos: realce central lento e progressivo (ponta de seta).
Fase tardia de 3 minutos: realce central lento e progressivo (ponta de seta).
RM T2: hipersinal acentuado (setas).
RM T2: hipersinal acentuado (setas).
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 19. Ver artigo
FEOCROMOCITOMA: 3 A 5% DOS INCIDENTALOMAS; NUMA SÉRIE, 70% DOS OPERADOS ERAM INCIDENTAIS PORTAL ≥ 130 UH hiper-realce portal: espec 100% (≥ 85 UH: sens 88 · espec 84) → bioquímica MESMO com washout de adenoma CÍSTICO-NECRÓTICO 22–97% dos feos · anel espesso de tecido realçante que RETÉM contraste no tardio: cisto puro não realça nada T2 “LÂMPADA” 2/3 têm hipersinal intenso em T2 razão sinal adrenal/músculo ≥ 3,95 a 1,5 T: sens 81% · espec 88% O QUE PRATICAMENTE EXCLUI FEO porção sólida com ≤ 10 UH no pré-contraste: quase exclusivo do adenoma rico em lipídio; raríssimo em feocromocitoma SE A BIOQUÍMICA VIER NEGATIVA e a suspeita persistir: imagem molecular; análogos de somatostatina com gálio-68 > DOPA/dopamina marcada > MIBG A REGRA DE OURO: METANEFRINAS ANTES DE QUALQUER AGULHA biópsia de feocromocitoma não diagnosticado pode precipitar crise catecolaminérgica; suspeitou, dosou (plasma ou urina de 24 h); confirmou, NÃO biopsia: ressecção 1/3 tem mutação germinativa (o hereditário é mais silencioso e menor) · é o tumor primário adrenal que mais SANGRA: hematoma retroperitoneal com massa realçante: pense nele · hemorragia de qualquer causa eleva metanefrinas de leve, transitoriamente.
As bandeiras vermelhas do feocromocitoma contra o adenoma, e por que a bioquímica vem antes da biópsia.
CAC × metástase: por que insistir A distinção muda o tratamento inteiro: CAC vai a adrenalectomia; metástase, a tratamento sistêmico. Sem primário conhecido, excesso hormonal adrenocortical e calcificação puxam para CAC; multiplicidade e história oncológica puxam para metástase. O PET-FDG ajuda nos dois: o CAC é ávido.

Bilaterais e os raros

Doença bilateralAssinatura
HiperplasiaEspessamento difuso, liso, adreniforme (mantém o formato) · dependente do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), de origem hipofisária ou ectópica (quase metade dos ectópicos vem de câncer de pulmão) · pode surgir rápido e imitar metástase
Doença nodular adrenocorticalEsporádica · micronodular (< 1 cm, crianças/jovens) · macronodular (≥ 1 cm, adultos): glândulas espessadas com múltiplos nódulos bilaterais, hipercortisolismo clínico ou secreção autônoma leve
LinfomaRaro; secundário > primário (não Hodgkin) · até 75% dos primários são bilaterais · homogêneo, realce leve, restrição à difusão, muito ávido no PET · linfadenopatia e esplenomegalia desempatam contra hiperplasia
Mielolipomas bilateraisFortemente associados à hiperplasia adrenal congênita (21-hidroxilase): crescem quando o corticoide é abandonado
Feocromocitoma bilateralPensar síndrome (von Hippel-Lindau, neoplasia endócrina múltipla) · bilateral sem cara benigna → bioquímica sempre, mesmo com washout de adenoma
Hiperplasia adrenal bilateral por tumor neuroendócrino pancreático produtor de ACTH, mulher de 58 anos
TC sem contraste: metástases hepáticas novas (setas) e espessamento difuso acentuado da adrenal esquerda (ponta de seta).
TC sem contraste: metástases hepáticas novas (setas) e espessamento difuso acentuado da adrenal esquerda (ponta de seta).
TC sem contraste: espessamento difuso acentuado da adrenal direita (ponta de seta), mantendo a forma normal.
TC sem contraste: espessamento difuso acentuado da adrenal direita (ponta de seta), mantendo a forma normal.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 15. Ver artigo
Doença adrenocortical macronodular bilateral, homem de 62 anos com hipertensão mal controlada
TC sem contraste: vários nódulos adrenais bilaterais (setas).
TC sem contraste: vários nódulos adrenais bilaterais (setas).
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 16. Ver artigo
Linfoma adrenal bilateral, homem de 67 anos com leucemia linfocítica crônica
TC sem contraste: massas adrenais bilaterais homogêneas (setas).
TC sem contraste: massas adrenais bilaterais homogêneas (setas).
PET-CT: captação nas massas (setas). Biópsia: linfoma difuso de grandes células B.
PET-CT: captação nas massas (setas). Biópsia: linfoma difuso de grandes células B.
Fonte: Chung R et al. RadioGraphics 2023;43(7):e220191, Fig. 17. Ver artigo
RaroAssinatura
Hemangioma50–70 anos · realce nodular periférico descontínuo com preenchimento centrípeto progressivo (o padrão do fígado) · calcificações comuns (flebólitos) · sem o preenchimento típico, indistinguível: vigilância pode substituir cirurgia quando a cara é clássica
OncocitomaRaríssimo · mulher, adrenal esquerda · grande, circunscrito, realce leve e sem lipídio (o que o separa de feo e de adenoma rico) · imagem não separa benigno de maligno → ressecção
GanglioneuromaJovem assintomático · 20–30% dos casos na medula adrenal · homogêneo < 40 UH, realce lento e progressivo · calcificação pontilhada em ~metade · T2 alto com aspecto espiralado (whorled) · 6–8 cm ao diagnóstico: confundível com CAC; na criança, o diferencial é neuroblastoma/ganglioneuroblastoma
+ complemento · o fio da meada bilateral Bilateral difuso e liso = pense eixo hormonal (hiperplasia, ACTH ectópico); bilateral nodular = doença macronodular, metástases ou adenomas; bilateral com gordura = hiperplasia congênita; bilateral homogêneo + PET ávido + baço grande = linfoma. A morfologia da glândula vale mais que qualquer número isolado.

Pontos de prova: alto rendimento

PrevalênciaIncidentaloma em 3–7% dos adultos · sem câncer conhecido, < 1% é maligno
Regra do < 1 cmNodularidade/espessamento subcentimétrico não se persegue
MedidaPara conduta: maior eixo em qualquer plano
Fecha benignoGordura macro (≤ −20 UH) · ≤ 10 UH · queda em oposição de fase · sem realce (< 10 UH de variação) · calcificação benigna · estável ≥ 1 ano
≤ 10 UHAdenoma rico em lipídio (~70% dos adenomas): em qualquer tamanho
Índice de desvio químico(fase − oposição)/fase × 100 · adenoma se > 16,5% a 1,5 T (> 1,7% a 3 T)
CrescimentoAdenoma cresce ≤ 3 mm/ano (1/3 deles cresce!) · maligno > 5 mm/ano · corte de 3 mm/ano: 100/100% (uma série; o ACR 2017 não fixa limiar)
Estabilidade≥ 12 meses em QUALQUER exame prévio fecha benigno
1–2 cm sem câncerConsiderar TC adrenal em 12 meses
2–4 cm sem câncerTC protocolo adrenal na identificação
≥ 4 cm sem câncerRessecção sem biópsia (hipótese: carcinoma adrenocortical)
Com câncerProtocolo adrenal · necrose central/crescimento/≥ 4 cm → PET-TC ou biópsia
BioquímicaConsiderar de rotina: dexametasona + metanefrinas · hiperfunção subclínica em 5–9% · 70% dos feos operados eram incidentais (uma série)
Protocolo adrenalPré (baixa dose, 120 kVp) → portal 60–90 s → tardio 15 min
Washout absoluto(portal − tardio)/(portal − pré) × 100 · ≥ 60% = adenoma
Washout relativo(portal − tardio)/portal × 100 · ≥ 40% = adenoma
Washout não decide sozinhoCruzam o corte: feo (17–67%), metástase hipervascular, CAC · sensibilidade real 64–75%
Melhor uso do washoutAdenoma × metástase de primário não hipervascular
Dupla energiaVirtual sem contraste lê mais alto → ≤ 10 UH no virtual fecha adenoma
RM com desvio químicoAjuda no pobre em lipídio de 10–30 UH · acima de 30 UH, com frequência não mostra queda
Cisto≤ 10 UH que não realça nada · endotelial + pseudocisto > 80% · sem seguimento
Hemorragia50–90 UH sem realce · RM com subtração · controle 6–12 semanas · eleva normetanefrina de leve
CACRaramente < 20 UH · ~70% ≥ 6 cm · ≥ 6 cm: malignidade 19,5–37,7% · biópsia evitada
FeocromocitomaPortal ≥ 130 UH (espec 100%) · ACR 2017: realce ávido > 110–120 UH já pede bioquímica · cístico-necrótico com anel espesso · T2 lâmpada · porção sólida ≤ 10 UH praticamente exclui
Feo: regra de ouroMetanefrinas antes de qualquer biópsia · confirmou → ressecção, não agulha
Metástase com gorduraCélulas claras renal e hepatocarcinoma: T2 alto e heterogeneidade denunciam
Hiperplasia bilateralDifusa, lisa, adreniforme · ACTH ectópico: quase metade é pulmão
Linfoma adrenalAté 75% dos primários bilaterais · homogêneo + restrição + PET ávido + esplenomegalia
HemangiomaRealce nodular periférico descontínuo com preenchimento centrípeto · flebólitos
GanglioneuromaJovem · < 40 UH homogêneo · realce lento progressivo · calcificação pontilhada em ~50%

Armadilhas e erros comuns

Erros de fechamento

  • Fechar adenoma por washout ≥ 60% em massa hiper-realçante ou cístico-necrótica (o feo cruza o corte em 17–67%)
  • Fechar adenoma num ≤ 10 UH que não realça: cisto também mede ≤ 10 UH
  • Chamar de mielolipoma o nódulo sólido com foco pequeno de gordura (degeneração mielolipomatosa de adenoma)
  • Confiar na queda de oposição de fase com primário de células claras ou hepatocarcinoma na história

Erros de conduta

  • Biopsiar massa adrenal sem dosar metanefrinas antes
  • Biopsiar a suspeita de carcinoma adrenocortical (semeadura; ressecção direta)
  • Perseguir nodularidade < 1 cm ou repetir imagem no cisto confirmado
  • Esquecer a bioquímica: imagem não diz se o adenoma funciona

Erros de leitura

  • Interpretar crescimento de ≤ 3 mm/ano como malignidade
  • Ler ferro (perde sinal NA FASE) como se fosse lipídio (perde na OPOSIÇÃO)
  • Chamar hiperplasia adreniforme bilateral de metástases, ou linfoma de hiperplasia (baço e linfonodos desempatam)
  • Esquecer que hemorragia recente eleva metanefrinas transitoriamente

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

TC de abdome por dor inespecífica em mulher de 52 anos: nódulo adrenal esquerdo de 2,8 cm, homogêneo, com densidade de 7 UH na fase pré-contraste, realçando na fase portal. Sem história oncológica. Qual a conduta?

Densidade ≤ 10 UH em lesão homogênea na TC sem contraste fecha adenoma rico em lipídio em qualquer tamanho e encerra a investigação de imagem; washout, RM e PET não acrescentam nada aqui. O realce na portal só confirma que não é cisto (que não realçaria nada).

O detalhe que sobrevive à alta: o white paper passou a recomendar considerar bioquímica de rotina (supressão com dexametasona + metanefrinas) mesmo no adenoma fechado pela imagem, porque a TC diz o que a lesão É, não se ela funciona, e a hiperfunção subclínica ronda 5 a 9% dos incidentalomas.
↑revisar esta parte do caderno · O que fecha benigno de cara
Questão 2

TC de protocolo adrenal em nódulo incidental de 2,6 cm: pré 45 UH, portal 150 UH, tardio de 15 min 80 UH. O washout absoluto é de ~67%. Qual a leitura correta?

A conta está certa: (150 − 80) ÷ (150 − 45) × 100 ≈ 67%, acima do corte de 60%, mas a lição de 2023 é justamente que 17 a 67% dos feocromocitomas também lavam ≥ 60%. E este nódulo carrega a bandeira vermelha do hiper-realce portal: ≥ 130 UH tem especificidade de ~100% para feo. A recomendação explícita do artigo de 2023: bioquímica quando há realce portal ≥ 130 UH ou área cístico-necrótica, mesmo com washout de adenoma.

Os 45 UH no pré já afastavam o rico em lipídio (≤ 10 UH, que, na porção sólida, praticamente exclui feo); e cisto não realçaria nada. O washout funciona melhor no cenário oposto: separar adenoma de metástase de primário não hipervascular.
↑revisar esta parte do caderno · O protocolo adrenal e o washout
Questão 3

Homem de 58 anos, sem história de câncer. TC: massa adrenal direita isolada de 5,2 cm, heterogênea, sem gordura macroscópica, 32 UH no pré-contraste, sem exames prévios. Pelo algoritmo ACR, a conduta é:

Massa ≥ 4 cm isolada, sem características benignas e sem história de câncer vai a ressecção sem biópsia, porque o alvo é o carcinoma adrenocortical, cujo risco sobe com o tamanho (≥ 6 cm: 19,5–37,7% nas séries modernas; quase 70% dos carcinomas se apresentam com ≥ 6 cm). A biópsia é evitada por dois motivos: risco de semeadura no trajeto e histologia que não separa bem carcinoma de adenoma.

A bioquímica pré-operatória é obrigatória, inclusive para excluir feocromocitoma antes de qualquer procedimento. Washout e seguimento são ferramentas das massas de 1 a 4 cm; com 5,2 cm heterogêneos, esperar é dar tempo ao tumor.
↑revisar esta parte do caderno · O algoritmo ACR por tamanho e história
Questão 4

Nódulo adrenal de 2,2 cm caracterizado como adenoma há 2 anos. Nas TCs seguintes, cresceu para 2,4 cm (ano 1) e 2,6 cm (ano 2). Sem história oncológica. Qual a interpretação?

O dado que mudou a leitura do crescimento: quase 1/3 dos adenomas cresce (todos a menos de 3 mm/ano), enquanto os nódulos malignos da mesma série cresceram todos a mais de 5 mm/ano. O corte de 3 mm/ano separou os dois grupos com sensibilidade e especificidade de 100% nessa série (o ACR 2017 lembra que não há limiar de crescimento validado). Aqui, 2 mm/ano, dentro do comportamento benigno.

Crescer não é sinônimo de malignizar; a velocidade é que informa. Um salto súbito de tamanho, por outro lado, pede outra pergunta antes de “câncer”: hemorragia dentro do adenoma (áreas de 50–90 UH sem realce, controle em 6–12 semanas), e vale lembrar que sangue eleva a normetanefrina transitoriamente.
↑revisar esta parte do caderno · O adenoma fora do figurino
Questão 5

Mulher de 50 anos, hipertensa, com massa adrenal incidental de 3,5 cm com área central cístico-necrótica e anel espesso de tecido que realça intensamente e retém contraste no tardio. A equipe cogita biópsia para definir o diagnóstico. Qual a resposta correta?

Área cístico-necrótica num incidentaloma sólido é bandeira de feocromocitoma (presente em 22–97% deles), e o anel espesso realçante que retém contraste é justamente o que o separa do cisto puro (que não realça nada). Biopsiar um feo não diagnosticado pode precipitar crise catecolaminérgica, e por isso a regra de ouro é metanefrinas (plasma ou urina de 24 h) antes de qualquer agulha. Confirmou, não se biopsia: vai a ressecção.

O washout não protege (feo cruza o corte de adenoma em até 67% dos casos) e nem o desvio químico nem o PET respondem a pergunta que importa aqui. Se a bioquímica vier negativa com suspeita persistente, o caminho é a imagem molecular (análogos de somatostatina com gálio-68 à frente).
↑revisar esta parte do caderno · Carcinoma, metástase e o feocromocitoma
Questão 6

Homem de 67 anos com leucemia linfocítica crônica e esplenomegalia. TC: massas adrenais bilaterais, homogêneas, de realce leve, e PET-TC com captação intensa nas duas. Qual o diagnóstico mais provável?

Doença linfoproliferativa + massas adrenais bilaterais e homogêneas de realce leve + avidez intensa ao FDG + esplenomegalia: a leitura é linfoma adrenal (o secundário é o mais comum; entre os primários, até 75% são bilaterais; o subtipo dominante é o não Hodgkin). Na RM, a marca extra é a restrição à difusão.

A hiperplasia por ACTH ectópico faz espessamento difuso e adreniforme (mantém o formato da glândula, sem virar massa); feocromocitomas bilaterais pedem estigmas sindrômicos e viriam hiper-realçantes; mielolipomas teriam gordura macroscópica; e metástases bilaterais raramente seriam tão homogêneas, além de o contexto hematológico apontar para o linfoma.
↑revisar esta parte do caderno · Bilaterais e os raros
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Fontes.
[A] Mayo-Smith WW, Song JH, Boland GL, et al. Management of Incidental Adrenal Masses: A White Paper of the ACR Incidental Findings Committee. J Am Coll Radiol 2017;14(8):1038–1044. doi:10.1016/j.jacr.2017.05.001
[B] Chung R, Garratt J, Remer EM, et al. Adrenal Neoplasms: Lessons from Adrenal Multidisciplinary Tumor Boards. RadioGraphics 2023;43(7):e220191. doi:10.1148/rg.220191

O algoritmo, os cortes de conduta e a bioquímica vêm de [A]; os adenomas atípicos, as rasteiras do washout, o feocromocitoma, os bilaterais e os raros vêm de [B]. Conferido em 01/09/2026.

Os diagramas são próprios. Blocos marcados com + complemento são acréscimos do autor, além do texto das fontes.