Fontes: Dulcich et al: 2026 e Kligerman et al: 2015, RadioGraphics
O cigarro e o mosaico
O cigarro faz mais que DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e câncer: uma parte dos fumantes desenvolve doenças intersticiais
próprias do tabagismo, com graus variados de inflamação e fibrose, que muitas vezes coexistem no
mesmo pulmão. A primeira metade do caderno separa essas doenças na TC.
A segunda trata da atenuação em mosaico, um achado e não um diagnóstico: áreas de
atenuação diferente lado a lado. Vem de doença das pequenas vias aéreas, de doença vascular ou
de doença do parênquima (vidro fosco), e a dificuldade é saber qual área é a doente: a
clara, a escura ou as duas.
Grupo
Doenças
Atribuíveis ao tabaco
Pneumonia eosinofílica aguda · bronquiolite respiratória e doença intersticial associada · pneumonia por macrófagos alveolares (a antiga pneumonia intersticial descamativa) · histiocitose de Langerhans · fibrose intersticial relacionada ao tabagismo
Fortemente associadas, multifatoriais
Fibrose pulmonar idiopática · enfisema combinado com fibrose
Enfisema e DPOC
Enfisema é o aumento irreversível dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal, com
destruição das paredes alveolares. O antigo critério "sem fibrose" caiu: fibrose e enfisema
coexistem com frequência.
Tipo
Imagem
Contexto
Centrolobular
Centro do lóbulo secundário, predomínio superior, respeita os limites do lóbulo até avançar
O mais comum, fortemente ligado ao fumo
Parasseptal
Periferia do lóbulo, junto da pleura · bolhas · pneumotórax espontâneo
Fumantes, com o centrolobular
Panlobular
Destruição uniforme do lóbulo, áreas extensas sem arquitetura, predomínio inferior
Reservado à deficiência de alfa-1-antitripsina
Graduação visual (Fleischner)
Definição
Centrolobular leve
0,5 a 5% de uma zona pulmonar
Centrolobular moderado
Mais de 5% de uma zona
Confluente
Lucências que se juntam em vários lóbulos
Destrutivo avançado
Lucências difusas, lóbulos hiperexpandidos e distorção
Parasseptal leve × substancial
Lucências subpleurais de menos de 1 cm × maiores, algumas de mais de 1 cm
Graus de enfisema centrolobular (Fleischner), quatro pacientes
Leve: 0,5 a 5% de uma zona.Moderado: mais de 5% de uma zona.Confluente: lucências que se juntam em vários lóbulos.Destrutivo avançado: lucências difusas, lóbulos hiperexpandidos e distorção.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 3. Ver artigo
Enfisema parasseptal
Leve: lucências subpleurais redondas de menos de 1 cm.Substancial: lucências maiores, algumas de mais de 1 cm, junto da parede e da pleura mediastinal.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 4. Ver artigo
a graduação visual vale
É reprodutível, acompanha gravidade, perda de função e mortalidade, e o grau inicial prevê
progressão. A TC acha enfisema em quem ainda não preenche o critério espirométrico de DPOC, e a
TC de baixa dose serve tanto quanto a de dose padrão. Gravidade do enfisema também se associa a
mais câncer de pulmão.
+ complemento · fenótipo de via aérea e redução de volume
Bronquite crônica: espessamento difuso da parede brônquica, às vezes com tampões. Doença de
pequena via aérea: vidro fosco centrolobular e mosaico com aprisionamento na expiração. Na
redução de volume (cirurgia ou válvulas endobrônquicas), a TC procura enfisema heterogêneo, com um
lobo muito doente ao lado de outro preservado, e cissuras completas. A síndrome do pulmão
evanescente são bolhas gigantes, em geral superiores, de até um terço do hemitórax.
DPOC com predomínio de via aérea
TC axial: espessamento difuso da parede brônquica (setas).
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 5. Ver artigo
Síndrome do pulmão evanescente, homem de 37 anos com dispneia
Radiografia: hipertransparência dos campos superior e médio direitos (seta) e atelectasia em estrias embaixo.TC coronal: bolha gigante de parede fina ocupando quase todo o hemitórax direito e comprimindo o pulmão; bolhas menores à esquerda, enfisema parasseptal e centrolobular.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 6. Ver artigo
Doenças intersticiais do tabagismo
Doença
TC
Pistas
Pneumonia eosinofílica aguda
Vidro fosco em placas, septos espessados, pequenos derrames · difusa, periférica em um terço
Homem de 20 a 40 anos que começou ou voltou a fumar · lavado com 25% ou mais de eosinófilos · eosinófilos do sangue normais no início · melhora em 24 a 48 h com corticoide
Bronquiolite respiratória (e a doença intersticial associada)
Nódulos centrolobulares em vidro fosco, mal definidos, superiores · vidro fosco em placas · enfisema centrolobular · aprisionamento nas bases
Sem sintoma: bronquiolite · com tosse, dispneia e alteração funcional: doença intersticial · a diferença é clínica · parar de fumar
Pneumonia por macrófagos alveolares (antiga descamativa)
Vidro fosco extenso, inferior, periférico ou difuso · cistos pequenos dentro do vidro fosco em um terço
40 a 60 anos, homem, fumo em até 90% (também ocupação, colagenose, fármacos)
Histiocitose de Langerhans
Nódulos de menos de 1 cm, alguns escavados, que viram cistos bizarros de parede fina e grossa · superior, poupando bases e seios costofrênicos
20 a 40 anos, fumo em mais de 95% · pneumotórax em 15% · neoplasia mieloide (BRAF V600E) · 25% regridem ao parar de fumar
Fibrose intersticial do tabagismo
Reticulação leve periférica, superior e média · cistos agrupados de paredes finas nos segmentos superiores dos lobos inferiores, poupando a região subpleural · podem se juntar em lesões císticas de parede grossa, muitas vezes de mais de 2,5 cm
Fibrose hialina ("colágeno em corda") com enfisema · evolução indolente, ao contrário da fibrose pulmonar idiopática
Pneumonia eosinofílica aguda, homem de 30 anos
TC axial: septos espessados difusos (setas), consolidação e vidro fosco em placas, pequenos derrames.TC coronal: o mesmo.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 7. Ver artigo
Bronquiolite respiratória, fumante de 42 anos
TC axial: nódulos centrolobulares em vidro fosco, mal definidos (setas).
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 8. Ver artigo
Pneumonia por macrófagos alveolares, homem de 50 anos
TC axial: vidro fosco extenso nas bases (setas pretas) e pequenos cistos (setas brancas).TC coronal: o predomínio inferior (setas).
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 9. Ver artigo
Fases da histiocitose de Langerhans, quatro pacientes
Nódulos bronquiolocêntricos mal definidos (setas brancas): fase inflamatória inicial.Nódulos escavados (setas pretas).Cistos bizarros de parede fina e grossa.Fase fibrocística avançada, com distorção.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 11. Ver artigo
Histiocitose de Langerhans, fumante de 43 anos
TC axial: nódulos sólidos irregulares (setas pretas), nódulos escavados (setas brancas) e cistos (pontas de seta).TC coronal: predomínio superior, bases e seios costofrênicos poupados.Dezoito meses depois de parar de fumar: os nódulos quase sumiram; ficam cistos e enfisema.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 12. Ver artigo
Cistos
Fibrose do tabagismo
Faveolamento
Enfisema parasseptal
Forma
Irregulares, muitas vezes maiores
Redondos, uniformes (cerca de 1 cm), em fileiras
Poligonais, numa camada subpleural
Parede
Fina, bem definida
Grossa, bem definida
Feita pelos septos
Onde
Superior e média, poupa a subpleura
Inferior, sem poupar
Superior, sem poupar
Fibrose intersticial do tabagismo, três pacientes
Fumante de 70 anos: reticulação subpleural e vidro fosco em placas (setas brancas) cercados de enfisema, e cisto de parede irregular (seta preta).O mesmo paciente, no pulmão direito posterior.Ex-fumante de 66 anos: reticulação, vidro fosco periférico e cistos agrupados de tamanhos e paredes variados, nas regiões posteriores.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 13. Ver artigo
Fibrose do tabagismo com enfisema, homem de 62 anos
TC coronal: reticulação periférica, vidro fosco, cistos de parede grossa (setas pretas) e enfisema parasseptal superior extenso (setas brancas).TC axial: os cistos de parede grossa (setas).
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 14. Ver artigo
Fibrose do tabagismo acompanhada por 6 anos, fumante de 45 anos
Inicial: vidro fosco periférico e cistos pequenos.Três anos depois: mais reticulação.Seis anos depois: cistos de parede fina mais evidentes nos lobos inferiores, poupando a subpleura. Progressão lenta, sem grande aumento de extensão.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 15. Ver artigo
não escreva "enfisema combinado com fibrose"
O termo é impreciso e foi ampliado para qualquer enfisema com qualquer fibrose. No laudo,
descreva separadamente o padrão e a extensão do enfisema e da fibrose, dizendo se a fibrose
é ou não PIU (pneumonia intersticial usual). Mesmo assim, a combinação importa: espirometria "preservada" (um processo compensa o
outro), mais hipertensão pulmonar e mais câncer de pulmão. Cisto grande de parede grossa
favorece fibrose do tabagismo, não faveolamento.
Outros
O que saber
Fibrose pulmonar idiopática
Fumo é fator de risco independente, dose-dependente · PIU: reticulação subpleural e basal, bronquiectasia de tração, faveolamento
Alterações intersticiais (ILA)
Achados bilaterais não pendentes em mais de 5% de uma zona · vira doença intersticial com sintoma, função alterada, fibrose em mais de 5% do volume pulmonar ou progressão · TC a cada 2 a 3 anos no de baixo risco
Lesão por cigarro eletrônico (EVALI)
Uso nos últimos 90 dias · padrão de pneumonia em organização em 55%, centrado na via aérea em 9%, misto em 20%, dano alveolar nos graves
Pneumonia intersticial usual (fibrose pulmonar idiopática), homem de 76 anos
TC axial: reticulação subpleural, bronquiectasia de tração e faveolamento agrupado.TC sagital: o predomínio basal (seta).
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 16. Ver artigo
Enfisema e fibrose no mesmo pulmão, dois pacientes
Homem de 76 anos, sagital: enfisema centrolobular confluente em cima e PIU nos lobos inferiores (setas).O mesmo paciente, axial.Homem de 73 anos, coronal: enfisema centrolobular com bolha apical e nódulo irregular no lobo inferior direito (seta), que era carcinoma epidermoide, sobre fibrose do tabagismo.O mesmo paciente, axial: reticulação periférica e vidro fosco nas bases (setas).
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 17. Ver artigo
Enfisema, PIU e fibrose do tabagismo juntos, ex-fumante de 75 anos
TC axial: grande lesão cística (seta branca), bronquiectasia de tração subpleural com faveolamento leve (seta preta), enfisema centrolobular e parasseptal (pontas de seta).
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 18. Ver artigo
Alteração intersticial que progrediu, fumante de 78 anos
Inicial: vidro fosco subpleural no lobo inferior esquerdo.Dois anos depois: reticulação leve.Quatro anos depois: distorção lobular. Virou doença intersticial fibrótica.
Fonte: Dulcich G, Mestas Nuñez M et al. RadioGraphics 2026;46(6):e250167, Fig. 19. Ver artigo
Atenuação em mosaico: as causas
Causa
Quanto
O que acontece
Parênquima (vidro fosco)
Cerca de metade
A área densa é a doente · vasos do mesmo calibre nas duas áreas · edema, hemorragia, pneumocistose, dano alveolar, pneumonia em organização, pneumonite de hipersensibilidade, PINE (pneumonia intersticial não específica)
Pequenas vias aéreas
Cerca de um terço
A área clara é a doente (ar preso, menos perfusão por vasoconstrição hipóxica) · bronquiolite constritiva, asma, pneumonite de hipersensibilidade, bronquiolite respiratória
Vascular
O resto
A área clara é a doente (menos fluxo) · TEP (tromboembolia pulmonar) crônico, hipertensão arterial pulmonar
Bronquiolite constritiva, mulher de 43 anos com artrite reumatoide
Inspiração: áreas claras geográficas (asteriscos) com vasos menores.Expiração: as áreas claras não mudam (aprisionamento); a parede posterior da traqueia curvada para dentro (seta) mostra que a expiração foi boa.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 1. Ver artigo
Pneumonia em organização, mulher de 55 anos
Inspiração: lobo superior esquerdo mais denso (asterisco).Expiração: tudo fica mais denso, sem aprisionamento. Vasos do mesmo calibre: a área densa é a doente.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 2. Ver artigo
quanto mosaico é normal
Um pouco de mosaico na inspiração aparece em até 20% das pessoas normais, e aprisionamento
lobular em 40 a 80%, mais com a idade e no fumante. Aprisionamento em menos de três lóbulos
vizinhos ou até um segmento aparece igual em normais e asmáticos. Mosaico ou aprisionamento em
mais de um segmento costuma ter causa: procure.
Variação normal, mulher de 73 anos
Inspiração normal.Expiração: região anterior (asterisco) menos densa que a posterior e alguns lóbulos claros pendentes (setas). Sem significado patológico.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 3. Ver artigo
Bronquiolite constritiva
Causas
Pós-infecciosa
Vírus, micoplasma
Colagenose
Artrite reumatoide (a mais comum; olhe as erosões dos úmeros), lúpus, esclerose sistêmica
Transplante
Rejeição crônica do pulmão (pelo menos 50% em 5 anos), doença do enxerto contra o hospedeiro
Fármacos e fumaças
Penicilamina, ouro, cocaína · NO2 (dióxido de nitrogênio), SO2 (dióxido de enxofre), amônia, cloro, diacetil (pipoca)
DIPNECH (hiperplasia difusa idiopática de células neuroendócrinas pulmonares)
Mulher de meia-idade não fumante com "asma": mosaico com nódulos (menos de 5 mm, tumorlets; 5 mm ou mais, carcinoides)
Bronquiolite constritiva depois de transplante por fibrose cística, mulher de 22 anos
Pulmão quase homogêneo, com poucas áreas normais mais densas (asterisco), vias aéreas que não afilam (setas brancas) e fios de esternotomia em concha (seta preta).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 5. Ver artigo
Bronquiolite constritiva na artrite reumatoide, mulher de 41 anos
Mosaico de limites nítidos; sem expiração, o aprisionamento não pôde ser avaliado.Janela óssea: erosões das cabeças umerais, a pista da artrite reumatoide.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 19. Ver artigo
DIPNECH, mulher de 48 anos tratada como asma
Mosaico com nódulos de 3 a 6 mm (setas).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 20. Ver artigo
Atenuação em mosaico: como diferenciar
Passo
O que procurar
1. Vasos na área clara
Finos: via aérea ou vascular · iguais nas duas áreas: parênquima · na hipertensão pulmonar, os vasos da área densa ficam maiores que o brônquio
2. Vias aéreas grandes
Espessamento, distorção e tampões apontam doença de pequena via aérea (o melhor preditor, melhor que o aprisionamento) · bronquiectasia na área clara: pequena via aérea · na área densa: parênquima (pneumonia em organização, PINE)
3. Sinais diretos
Nódulos centrolobulares com mosaico = pequena via aérea · superiores, com vidro fosco e lóbulos claros: pneumonite de hipersensibilidade · enfisema ou fumo favorecem bronquiolite respiratória (o fumo protege da hipersensibilidade)
4. Artéria pulmonar
Tronco acima de 29 mm (homem) ou 27 mm (mulher) · tronco maior que a aorta · artéria segmentar maior que o brônquio em 3 lobos ou mais (muito específico)
5. Coração
VD (ventrículo direito) com parede acima de 4 mm, VD:VE (razão entre os ventrículos direito e esquerdo) acima de 1, septo retificado, refluxo para a veia cava inferior e as hepáticas · coração direito dilatado: procure shunt
Favorece causa intersticial (dano alveolar em organização, hipersensibilidade fibrótica)
8. Expiração
A área clara não muda: aprisionamento (pequena via aérea) · tudo fica mais denso: parênquima ou vascular
Os vasos na área clara, três pacientes
TEP crônico, homem de 48 anos: áreas claras segmentares com vasos finos (setas brancas) e áreas densas (setas pretas); artéria segmentar maior que o brônquio (pontas de seta) e artéria pulmonar esquerda dilatada (asterisco).Asma mal controlada, homem de 54 anos: áreas claras bem definidas (asterisco), vasos finos e tampões nos brônquios que as suprem (setas).Hemorragia alveolar, homem de 41 anos: vidro fosco com pulmão normal, vasos de calibre igual e septos espessados (setas).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 6. Ver artigo
Onde estão os brônquios doentes, dois pacientes
Fibrose cística, mulher de 22 anos: bronquiectasias com tampões (setas) indo para o pulmão claro; brônquios normais no pulmão denso (asterisco).Pneumonia em organização, mulher de 42 anos: brônquios dilatados (setas) no pulmão denso. O contrário da doença de pequena via aérea.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 7. Ver artigo
Edema, mulher de 66 anos
Angio-TC coronal: mosaico lobular em vidro fosco, espessamento peribrônquico (seta branca) sem distorção nem tampões, pior nas áreas densas, e septos espessados (setas pretas).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 8. Ver artigo
Nódulos centrolobulares com mosaico, dois pacientes
Pneumonite de hipersensibilidade, homem de 34 anos que cria papagaios: vidro fosco e nódulos centrolobulares de predomínio superior (setas) e lóbulos claros nas bases (asterisco).Bronquiolite respiratória, fumante de 29 anos: vidro fosco tênue, nódulos centrolobulares superiores (setas) e lucências nas bases (asterisco).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 10. Ver artigo
Pneumonite de hipersensibilidade fibrótica, mulher de 61 anos
Inspiração: mosaico, reticulação periférica média e superior (ponta de seta) e nódulos centrolobulares (setas).Expiração: aprisionamento focal (asterisco).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 11. Ver artigo
Pneumonia intersticial descamativa, fumante de 50 anos
Lobos superiores: vidro fosco poupando lóbulos e nódulos centrolobulares mal definidos (seta), da bronquiolite respiratória que a acompanha.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 12. Ver artigo
Pneumocistose, homem de 43 anos com aids (contagem de linfócitos T CD4 de 23)
Vidro fosco difuso poupando lóbulos, com septos espessados (seta).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 16. Ver artigo
Dano alveolar difuso, 26 anos
Consolidação e vidro fosco geográficos (asterisco) com lóbulos poupados (ponta de seta).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 17. Ver artigo
TEP crônico
Hipertensão arterial pulmonar
Mosaico
Segmentar ou subsegmentar, bem demarcado
Pequenas áreas no lóbulo, vidro fosco perivascular (parece nódulo centrolobular)
Artérias
Trombo aderido, oclusão abrupta, teias e bandas, calibre irregular
Afilamento abrupto, vasos em saca-rolhas
Por que importa
Tem tratamento invasivo
Trombo in situ pode imitar TEP crônico
Hipertensão arterial pulmonar, mulher de 24 anos
Vidro fosco nodular centrado nas artérias.Expiração: aumento difuso da densidade, sem aprisionamento.Tronco pulmonar de só 26 mm, mas maior que a aorta.Quatro câmaras: septo retificado na sístole (seta) e trabéculas do VD proeminentes.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 13. Ver artigo
TEP crônico, homem de 56 anos
Sagital: artérias segmentares finas na área clara (contorno branco) e grossas na densa (contorno preto); tronco pulmonar dilatado (asterisco).Janela de partes moles: tronco muito maior que a aorta e trombo crônico na artéria pulmonar esquerda (seta).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 14. Ver artigo
Hipertensão pulmonar recém-diagnosticada, mulher de 75 anos
Mosaico e artéria subsegmentar do lobo superior direito muito maior que o brônquio (círculo); veia cava superior esquerda (seta).Átrio e ventrículo direitos dilatados e comunicação interatrial do tipo seio venoso (seta preta).Veia do lobo superior direito drenando na cava superior (drenagem anômala parcial) e veia cava inferior dilatada com refluxo.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 15. Ver artigo
Doença veno-oclusiva, mulher de 36 anos tratada como hipertensão arterial pulmonar
Vidro fosco, septos espessados (setas brancas) e nódulos centrolobulares mal definidos (setas pretas).Septo retificado (seta), VD hipertrofiado, septo interatrial abaulado para a esquerda e tronco maior que a aorta.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 18. Ver artigo
a expiração que não foi expiração
Confira se a parede membranosa posterior da traqueia se curva para dentro: sem isso, a
expiração foi fraca e o aprisionamento não pode ser avaliado. O inverso também engana: o paciente
que expira durante a aquisição "inspiratória" deixa o pulmão normal parecendo vidro fosco. E
algumas doenças não brônquicas também prendem ar: TEP crônico, pneumonite de hipersensibilidade e a
pneumonia por macrófagos (pela bronquiolite associada).
TEP crônico que prende ar, homem de 66 anos
Inspiração: áreas claras (asterisco), artéria pulmonar direita, átrio direito e cava inferior dilatados, refluxo nas hepáticas (seta).Expiração 2 dias depois: aprisionamento (asterisco) e trombo calcificado aderido na artéria pulmonar direita (seta branca).
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 21. Ver artigo
Doença mista na artrite reumatoide, mulher de 60 anos
Inspiração.Expiração: as áreas densas normais ficam mais densas, as claras não mudam (aprisionamento) e o vidro fosco aumenta. A biópsia mostrou bronquiolite constritiva onde havia aprisionamento e pneumonia em organização no vidro fosco.
Fonte: Kligerman SJ, Henry T, Lin CT, Franks TJ, Galvin JR. RadioGraphics 2015;35(5):1360–1380, Fig. 22. Ver artigo
+ complemento · técnica da expiração
Cortes finos em duas a seis alturas, em expiração forçada, com reconstrução de alta resolução.
Indicações: doença bronquiolar conhecida que piorou, fator de risco para bronquiolite constritiva, ou
mosaico achado por acaso (vale chamar o paciente de volta). Doença mista é comum: aprisionamento num
lugar, vidro fosco em outro.
Pontos de prova: alto rendimento
Centrolobular
Superior, o mais comum
Panlobular
Inferior · alfa-1-antitripsina
Parasseptal
Subpleural · pneumotórax
Fleischner leve
0,5–5% de uma zona
Enfisema e câncer
Mais enfisema, mais câncer
Pneumonia eosinofílica aguda
Começou a fumar · septos, derrame · lavado ≥ 25%
Bronquiolite respiratória
Nódulos centrolobulares em vidro fosco superiores
Bronquiolite × doença intersticial
Diferença clínica
Macrófagos alveolares
Vidro fosco inferior, cistos em 1/3
Langerhans
Nódulos escavados e cistos bizarros · poupa as bases
Fibrose do tabagismo
Cistos agrupados, poupa a subpleura, lesões > 2,5 cm
Faveolamento
Cistos de ~1 cm em fileiras, basais
Enfisema + fibrose
Descrever separado · hipertensão pulmonar, câncer
ILA
> 5% de uma zona
Mosaico
Achado, não diagnóstico
Causas
Parênquima ~1/2, via aérea ~1/3, vascular
Aprisionamento normal
Lobular em 40–80%
> 1 segmento
Procurar causa
Vasos iguais
Parênquima: a área densa é a doente
Bronquiectasia na área clara
Pequena via aérea
Nódulos centrolobulares + mosaico
Pequena via aérea
Tronco > aorta
Hipertensão pulmonar
Segmentar > brônquio em ≥ 3 lobos
Hipertensão pulmonar
TEP crônico
Mosaico segmentar, teias
Expiração
Clara que não muda = aprisionamento
Expiração boa
Traqueia posterior curvada para dentro
DIPNECH
Mulher não fumante, mosaico e nódulos
Armadilhas e erros comuns
Erros
Chamar de doença o aprisionamento de poucos lóbulos
Achar que a área clara é sempre a normal
Ler aprisionamento numa expiração fraca
Chamar de vidro fosco o pulmão de quem expirou na aquisição
Escrever "enfisema combinado com fibrose" sem descrever cada um
Confundir cistos da fibrose do tabagismo com faveolamento
Esquecer a artéria pulmonar e o coração diante de um mosaico
Chamar de asma a DIPNECH
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Homem de 45 anos, não fumante, com enfisema de distribuição uniforme no lóbulo e predomínio nos lobos inferiores. A causa a investigar é:
O enfisema panlobular, uniforme no lóbulo e de predomínio inferior, é o da deficiência de alfa-1-antitripsina. O centrolobular, o mais comum, é superior e ligado ao fumo; o parasseptal é subpleural.
Homem de 32 anos, fumante, com nódulos e cistos de formas bizarras nos lobos superiores, poupando as bases e os seios costofrênicos. O diagnóstico mais provável é:
Nódulos (alguns escavados) evoluindo para cistos bizarros, de predomínio superior e poupando as bases, em fumante jovem: histiocitose de Langerhans (fumo em mais de 95%). A linfangioleiomiomatose tem cistos difusos e regulares em mulheres; a pneumonia por macrófagos tem vidro fosco inferior.
Homem de 25 anos que voltou a fumar há 2 semanas, com dispneia, febre, vidro fosco com septos espessados e pequenos derrames. O lavado broncoalveolar tem 30% de eosinófilos. O diagnóstico é:
Doença aguda (até 1 mês), opacidades difusas com septos espessados e derrames, lavado com 25% ou mais de eosinófilos, em quem começou ou voltou a fumar: pneumonia eosinofílica aguda. Os eosinófilos do sangue costumam ser normais no início; melhora em 24 a 48 horas com corticoide.
Ex-fumante com cistos agrupados de paredes finas, de formas variadas, nos segmentos superiores dos lobos inferiores, poupando a região subpleural, e alguns cistos grandes de parede grossa. A hipótese que melhor explica é:
Cistos agrupados de formas variadas, poupando a subpleura, nos segmentos superiores dos lobos inferiores, que podem se juntar em lesões de parede grossa (muitas vezes de mais de 2,5 cm), são a marca da fibrose do tabagismo. O faveolamento é subpleural, basal, em fileiras de cistos de cerca de 1 cm; o parasseptal é uma camada subpleural.
TC com atenuação em mosaico: na área clara os vasos são finos e, na expiração, essa área não muda de atenuação. Há brônquios espessados com tampões que vão para a área clara. A causa mais provável é:
Área clara que não muda na expiração é aprisionamento, e brônquios doentes indo para a área clara apontam pequenas vias aéreas (o melhor preditor). Nas causas vasculares e de parênquima, todo o pulmão fica mais denso na expiração; no vidro fosco, os vasos têm o mesmo calibre nas duas áreas.
Quanto ao aprisionamento de ar na TC em expiração, é correto afirmar que:
Aprisionamento lobular aparece em 40 a 80% das pessoas normais e aumenta com a idade e o fumo; o que pede investigação é o que passa de um segmento. TEP crônico e pneumonite de hipersensibilidade também prendem ar. E sem a parede posterior da traqueia curvada para dentro, a expiração pode ter sido insuficiente.