Fontes: Jiao et al: 2025, Koeller e Shih 2019 e Shih e Koeller 2020, RadioGraphics
Primeiro o espaço
Diante de uma lesão no canal, o passo que mais estreita o diferencial é dizer em que espaço ela
está. Na emergência, a TC costuma vir primeiro (mostra o osso); a RM separa o que comprime a
medula, que tende a ir para a cirurgia, do que não comprime, tratado com antibiótico, embolização ou
imunoterapia.
Espaço
O que tem
Como a dura se comporta
Epidural
Gordura, vasos, raízes · limites: corpos e discos à frente, facetas e ligamento amarelo atrás
Íntegra, mas se deforma acompanhando a lesão
Subdural
Espaço virtual entre dura e aracnoide
Íntegra e não se deforma; a coleção apaga o subaracnoide
Subaracnoide
Líquor, medula, raízes
Lesão intradural: extramedular (desloca a medula) ou intramedular (expande a medula)
Os três espaços
Epidural: a lesão empurra a dura, que se deforma.Subdural: a coleção fica por dentro da dura, que não se deforma, e comprime o saco.Subaracnoide: a lesão fica dentro do saco, junto da medula.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 12. Ver artigo
o que pede imagem
Câncer conhecido, perda de peso, dor que não melhora e piora à noite; imunossupressão, droga injetável,
infecção urinária, corticoide; retenção urinária, incontinência, anestesia em sela, fraqueza bilateral.
Emergências que comprimem
Emergência compressiva
Pista
Imagem
Metástase e mieloma epidurais
Câncer conhecido; fratura patológica sem trauma
Massa que sai do corpo para o epidural · sinal da cortina: o ligamento longitudinal posterior prende o meio e a massa abaula dos dois lados
Hérnia discal
Radiculopatia, déficit
Protrusão: base mais larga que o disco herniado · extrusão: base mais estreita · sequestro: fragmento solto (pode migrar)
Espondilodiscite
Febre, VHS (velocidade de hemossedimentação) e PCR (proteína C reativa) altos; via hematogênica, S. aureus
Placas erodidas, disco e medula óssea com edema, realce paravertebral, abscesso epidural
Hematoma subdural
Coagulopatia, anticoagulante, punção recente
Coleção que não deforma a dura · Mercedes-Benz invertido: o septo dorsal e os ligamentos denticulados dividem o líquido em três folhas
Tumor intradural extramedular
Meningioma, schwannoma
Desloca a medula; ver adiante
Caso 1: mieloma epidural, mulher de 64 anos (anestesia em sela, retenção urinária)
TC e T2 axiais: massa epidural posterior apagando o saco dural.T2 sagital: compressão e edema da medula de T3 a T5.T1 pós-contraste sagital.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 17. Ver artigo
Sinal da cortina
Desenho: a massa vertebral sobe pelo epidural anterior dos dois lados e o ligamento longitudinal posterior segura o meio (seta).T2 axial, homem de 61 anos com câncer de próstata.A mesma imagem com a massa contornada: o meio preso pelo ligamento.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 18. Ver artigo
Caso 2: extrusão discal C6-C7, homem de 69 anos
Radiografia inicial normal; RM 4 dias depois em T2 e STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão) com a extrusão comprimindo a medula (setas); TC e T2 axiais com o disco no canal.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 19. Ver artigo
Sequestro discal L4-L5, mulher de 53 anos
T2 sagital e axial: fragmento migrado para baixo, comprimindo a raiz L5 esquerda (contorno).
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 20. Ver artigo
Caso 3: espondilodiscite, mulher de 74 anos
TC com contraste e coronal óssea: inflamação paravertebral e placas erodidas; RM com perda do sinal da medula óssea, realce, retropulsão e edema medular; TC depois da estabilização.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 21. Ver artigo
Caso 4: hematoma subdural, homem de 61 anos com plaquetas abaixo de 50 mil
T2 axiais e sagitais: coleções subdurais (setas) e metástases ósseas difusas.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 22. Ver artigo
Mercedes-Benz invertido
T2 axial: coleção em três folhas comprimindo a cauda equina.Desenho: o septo dorsal (seta) e os ligamentos denticulados (setas laterais) dividem o líquido.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 23. Ver artigo
Caso 5: meningioma em C4, mulher de 54 anos
T2 sagital com edema medular, T1, T1 pós-contraste com realce homogêneo e base dural; axiais com a medula desviada.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 24. Ver artigo
Emergências que não comprimem
Emergência não compressiva
Imagem
Mielite transversa
Segmento longo, toda a secção, medula sem expansão · idiopática, pós-infecciosa, sistêmica (o caso pós-COVID tinha realce das leptomeninges)
Aracnoidite e meningite
Raízes agrupadas que realçam · diferencial principal: doença leptomeníngea (punção lombar e encéfalo)
Artrite séptica
Derrame articular e partes moles (na coluna, sobretudo facetas; o caso foi em C1-C2)
Infarto medular
Olhos de coruja: hipersinal nos cornos anteriores (artéria espinal anterior) · pedir difusão, que os protocolos não trazem · procurar dissecção vertebral
Fístula arteriovenosa dural
Homem idoso, fraqueza que piora no esforço · edema medular torácico baixo com flow voids na face posterior da medula · angiografia para tratar
Degeneração combinada subaguda
Hipersinal longitudinal dos funículos posteriores, sem realce · B12 (a mais comum), óxido nitroso, cobre, vitamina E
Esclerose múltipla
Lesões curtas, periféricas, várias · antes de culpar a EM, excluir o resto
Osteoblastoma
Lesão lítica com edema intenso em volta (flare)
Tendinite calcária do longo do pescoço
Calcificação abaixo de C1 + edema pré-vertebral · trata com anti-inflamatório, não com antibiótico
Nódulo de Schmorl agudo
Defeito na placa com edema em volta
Modic 1 agudo
Edema das placas · líquido no disco e realce paravertebral apontam infecção
Caso 6: mielite transversa pós-COVID, homem de 18 anos
T2: hipersinal longo em quase toda a medula, nas substâncias cinzenta e branca; T1 pós-contraste: realce das leptomeninges e das raízes (seta).
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 27. Ver artigo
Caso 7: aracnoidite com meningite e abscesso cerebral, homem de 21 anos
Axiais: raízes agrupadas e realçando (pontas de seta); sagital pós-contraste; encéfalo com abscesso roto no ventrículo.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 28. Ver artigo
Caso 8: artrite séptica C1-C2, homem de 30 anos
STIR e T1: derrame e edema em volta do dente; TC: líquido no epidural anterior, sem erosão óssea.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 29. Ver artigo
Caso 9: infarto medular por dissecção vertebral, mulher de 61 anos
Angio-RM: a vertebral esquerda amputada; trombo no T1 axial; T2 com hipersinal do bulbo à medula cervical alta; difusão e ADC (coeficiente de difusão aparente) com restrição.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 30. Ver artigo
Caso 10: fístula arteriovenosa dural, homem de 75 anos
T2: edema de T8 a T10 com flow voids na face posterior (seta); angio-RM com veias tortuosas; angiografia da segmentar de T8 com veia precoce.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 31. Ver artigo
Caso 11: degeneração combinada subaguda por óxido nitroso, homem de 32 anos
T2 axial: hipersinal dos dois funículos posteriores (setas); sagitais do bulbo a C7 e na medula torácica.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 32. Ver artigo
Caso 12: esclerose múltipla
STIR e T2: lesões curtas e esparsas na medula cervicotorácica, laterais e posteriores no axial.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 33. Ver artigo
Caso 13: osteoblastoma de L2, homem de 55 anos
T1, STIR e T2 com edema e nódulo (setas); PET (tomografia por emissão de pósitrons) com captação intensa; TC com lesão lítica de borda lisa.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 34. Ver artigo
Caso 14: tendinite calcária do longo do pescoço
TC: calcificação abaixo de C1 (contorno); STIR e T2: edema pré-vertebral (setas).
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 35. Ver artigo
Caso 15: nódulo de Schmorl agudo em L2, mulher de 50 anos
TC: defeito redondo na placa superior com borda esclerótica (seta); STIR com edema em volta; T1.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 36. Ver artigo
Caso 16: Modic 1 agudo em L2-L3, mulher de 70 anos
STIR: edema nas placas anteriores (setas e contorno); T2 e T1.
Fonte: Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250023, apresentação, slide 37. Ver artigo
três pegadinhas
Hematoma subdural é raro e sugere coagulopatia ou procedimento. Doença não compressiva pode virar
compressiva (o abscesso da discite). Modic 1 agudo e espondilodiscite se parecem: a clínica e o disco
decidem.
Tumores intradurais extramedulares
Os tumores da coluna são 5 a 10% dos do SNC, e 70 a 80% deles ficam no espaço intradural
extramedular. Qual é o mais comum depende da fonte: a série clássica dá o schwannoma (30 a 50%); o
registro SEER (Surveillance, Epidemiology, and End Results: registro americano de câncer), o meningioma (31%).
Tumor intradural extramedular
Quem e onde
RM
Meningioma
Mulher (até 9:1), idade média 64 anos; torácico em 80%; lateral à medula (anterior mais na cervical)
Isossinal em T1, realce homogêneo, cauda dural em 60 a 70% · folha de ginkgo (medula em leque) · calcificado em 1 a 5%
Schwannoma
40 a 60 anos; raiz dorsal, lombar
Hipersinal em T2, realce, cisto e realce anelar quando grande · halteres pelo forame · erosão por pressão
Schwannoma melanótico
Complexo de Carney; ~10% maligno
Hipersinal em T1 e hipossinal em T2 (melanina)
Neurofibroma
NF1 (neurofibromatose tipo 1); cervical; raízes múltiplas bilaterais
Envolve as raízes; hipersinal intenso em T2 · plexiforme em saco de vermes
MPNST (tumor maligno da bainha do nervo periférico)
Metade em NF1; ~10% pós-radioterapia
Heterogêneo, mais de 5 cm, necrose; imita o benigno
Ependimoma mixopapilar
Homem (2,2:1), 36 anos; filum e cauda (83% dos primários ali)
Massa em salsicha centrada em L2, hipersinal em T2, realce, siderose · contato com o cone
Paraganglioma
Homem, 46 anos; filum
Realce intenso, flow voids, sinal do capuz (hemossiderina na borda, ~5%)
Tumor fibroso solitário
Torácico (60%); fusão NAB2-STAT6
Realce intenso, flow voids, base dural
Metástase leptomeníngea
Melanoma, mama, pulmão, leucemia, linfoma
Nódulos que realçam (mais específicos que o realce linear) · metade tem líquor negativo
Meningioma ventral, homem de 63 anos
T2 sagital: massa quase isointensa empurrando a medula para trás (seta).T1 sagital: isossinal.T1 pós-contraste: realce homogêneo.Axial pós-contraste: compressão importante da medula (pontas de seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 1. Ver artigo
Meningioma ossificado T4-T5, mulher de 85 anos
T2 sagital: massa escura (seta).T2 axial: ocupa a metade esquerda do saco, medula desviada (ponta de seta).TC: ossificação densa (seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 2. Ver artigo
Schwannoma L2, mulher de 29 anos
T2 sagital: massa heterogênea e cística preenchendo o saco (seta).T1 pós-contraste: realce heterogêneo.
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 3. Ver artigo
Schwannomatose, mulher de 33 anos
T2 sagital: massas em C6 e T1 (setas).T1 pós-contraste: realce intenso.Torácica: nódulos menores (setas).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 4. Ver artigo
Schwannoma melanótico L5, homem de 32 anos
T2 sagital: sinal parecido com o do cone (seta).T1 sagital: hipersinal (seta).Axial: a massa no canal, com erosão da margem posterior do corpo.Axial: extensão ao recesso lateral esquerdo (seta).Axial (seta).Pós-contraste sagital: realce (seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 5. Ver artigo
Neurofibromas múltiplos na NF1, homem de 49 anos
T2 sagital: várias massas (setas) remodelando os corpos.Pós-contraste: realce nodular.T2 axial: massas foraminais dos dois lados comprimindo a medula (setas).Pós-contraste axial (pontas de seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 6. Ver artigo
MPNST C2-C3, mulher de 61 anos
T2 sagital: massa intradural com edema medular (setas).Pós-contraste: realce intenso.Axial: extensão paravertebral pelo forame esquerdo (setas).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 7. Ver artigo
Ependimoma mixopapilar L1-L2, mulher de 47 anos
T2 sagital (seta).T2 axial: massa mediana deslocando as raízes (seta).Pós-contraste sagital: realce sólido (seta).Pós-contraste axial (seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 8. Ver artigo
Paraganglioma L4, mulher de 50 anos
T2 sagital: flow voids ao longo do cone (pontas de seta) e capuz parcial na borda inferior (ponta de seta branca).T2 axial: foco cístico (seta).Pós-contraste: realce ávido e vaso proeminente (pontas de seta).T1 axial (seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 9. Ver artigo
Tumor fibroso solitário T6, mulher de 59 anos
T2 axial: massa com focos escuros (flow voids) (seta).Pós-contraste: realce ávido, base dural, medula desviada (seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 10. Ver artigo
Implante de craniofaringioma em L5-S1, homem de 25 anos
Pós-contraste sagital: massa cística e sólida (seta).Axial: realce em anel (seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 11. Ver artigo
Melanocitose leptomeníngea difusa, mulher de 55 anos
Pós-contraste cervical: realce espesso da superfície da medula (setas).Torácica (setas).Lombar: a cauda equina (setas).Encéfalo: realce dos sulcos e massa da pineal (setas).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 12. Ver artigo
Hérnia discal intradural T12-L1, mulher de 78 anos
T2 sagital: massa irregular empurrando o cone (seta).Pós-contraste: realce periférico discreto (seta).
Fonte: Koeller KK, Shih RY. RadioGraphics 2019;39(2):468-490, Fig. 13. Ver artigo
+ complemento · meningioma × schwannoma
O meningioma fixa-se à dura e estira o ligamento denticulado: a medula vira um leque (folha de
ginkgo); na mielo-TC fica isolado da medula pelo líquor. O schwannoma nasce na raiz, sai pelo
forame em halteres e fica cístico quando cresce (Antoni B). Recidiva espinal do meningioma: 1,3 a 6%,
mais nos ventrais, nos de grau maior e em homens.
Massas intramedulares
O tumor intramedular expande a medula (o extramedular a desloca). Ependimoma e astrocitoma são
até 70%: ependimoma no adulto, astrocitoma pilocítico na criança. A dor é insidiosa e piora deitado.
Ler em três passos: nível e compartimento; sinal (sólido que realça, cisto que não realça, siringe);
margem circunscrita (ressecção total) ou infiltrativa (biópsia).
Tumor intramedular
Quem
RM
Ependimoma
Adulto (e NF2 (neurofibromatose tipo 2))
Central, circunscrito, realce · cistos polares, capuz de hemossiderina, siringe
Subependimoma
Adulto
Excêntrico, subpial, sem realce · folha de bambu
Astrocitoma pilocítico
Criança (e NF1)
Excêntrico, realce, cistos; pode ocupar a medula toda
Astrocitoma difuso e glioblastoma
Adulto
Infiltrativo; realce marca grau maior · glioma de linha média H3 K27M (mutação da histona H3 com troca de lisina por metionina na posição 27) em crianças e jovens
Ganglioglioma
Criança
Tumor longo, cistos, realce
Hemangioblastoma
Adulto (um quarto com VHL (doença de von Hippel-Lindau))
Nódulo hipervascular na superfície pial, flow voids, cisto ou siringe em mais da metade
Melanocitoma
Adulto
Superfície pial; hipersinal em T1, hipossinal em T2
Metástase
Pulmão, mama
Nódulo pequeno com muito edema · sinal do anel ou da chama
Cavernoma
Qualquer idade
Centro heterogêneo em T1 e T2 com halo escuro de hemossiderina, sem realce
Epidermoide, dermoide, lipoma
Jovens
Epidermoide: líquido com difusão restrita · dermoide: heterogêneo · lipoma: gordura que suprime
Circunscrito × infiltrativo
Homem de 30 anos, T2 sagital: massa expansiva de C4 a C6.Pós-contraste: realce bem definido (ependimoma ressecado).Axial: central e circunscrita.Mulher de 85 anos, paralisia ascendente, T2: massa infiltrativa de T3 a T5 com edema.Pós-contraste: realce mal definido.PET: hipermetabolismo (glioma de alto grau).
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 1. Ver artigo
Ependimoma, mulher de 61 anos
T2: massa isointensa na junção bulbomedular com cisto no polo superior.Pós-contraste: realce do tumor; o cisto não realça.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 2. Ver artigo
Ependimoma anaplásico com NF2, homem de 32 anos
T2 sagital: massa torácica alta.Pós-contraste: realce e massas extramedulares mais abaixo.Axial: parcialmente exofítica.Encéfalo: schwannoma vestibular.Cauda equina: nódulos.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 3. Ver artigo
Ependimoma mixopapilar do cone, mulher de 17 anos
T2: massa na ponta do cone (L1-L2) com cisto acima.Pós-contraste: realce.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 4. Ver artigo
Subependimoma, homem de 21 anos
T2 sagital: massa de T7 a T10 em folha de bambu.Pós-contraste: sem realce.T2 axial: excêntrica, subpial.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 5. Ver artigo
Astrocitoma pilocítico, mulher de 22 anos
TC: cisto na junção bulbomedular.T2: tumor em C1-C2 com siringe do bulbo a C6.Pós-contraste: realce do tumor.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 6. Ver artigo
Glioblastoma do cone, homem de 27 anos
T2: massa na transição toracolombar.Pós-contraste: realce.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 7. Ver artigo
Ganglioglioma, menina de 6 anos
T2: massa longa de C1 a T3 com cisto em cima e parte sólida embaixo.Pós-contraste: realce periférico do cisto.Axial: heterogênea, com cistos.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 8. Ver artigo
Hemangioblastoma, homem de 44 anos
T2: massa na superfície pial da medula torácica baixa com flow voids e edema.Pós-contraste: realce intenso.Angiografia: o nódulo nutrido pela artéria de Adamkiewicz.Doppler intraoperatório: muito vascular.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 9. Ver artigo
Hemangioblastomas na VHL, homem de 15 anos
T2: edema cervicotorácico e cistos.Pós-contraste: massas em C1-C2 e C7-T1 com cistos e nódulos piais.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 10. Ver artigo
Melanocitoma, homem de 48 anos
T1: hipersinal discreto na junção bulbomedular.T2: hipossinal.Pós-contraste: realce homogêneo.T2* axial: na superfície pial direita.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 11. Ver artigo
Metástase de mama, mulher de 63 anos
T2: nódulo em C2 com edema do bulbo a C5.T2 axial: excêntrico.Pós-contraste: vários nódulos na medula cervical.Encéfalo: metástases.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 12. Ver artigo
Cavernoma, homem de 51 anos
T1: hipersinal heterogêneo.T2: centro claro com halo escuro em C2-C3 e edema.Pós-contraste: realce mínimo.T2* axial: o halo de hemossiderina.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 13. Ver artigo
Epidermoide branco, homem de 38 anos
TC: lesão hiperatenuante de T11 a L2.T1: hipersinal homogêneo.T2: hipossinal; a medula abraça o polo superior (sinal da garra).
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 14. Ver artigo
Dermoide T12-L1, mulher de 36 anos
TC: gordura, partes moles e cálcio.T1: heterogêneo.T2.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 15. Ver artigo
Lipoma intramedular, menina de 11 meses
T1: hipersinal homogêneo.T2: hipersinal.STIR: suprime.Pós-contraste com supressão: sem realce.
Fonte: Shih RY, Koeller KK. RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145, Fig. 16. Ver artigo
onde nasce
Epicentro no canal central: ependimoma. Excêntrico: astrocitoma. Na superfície pial:
hemangioblastoma (e melanocitoma). Na DTI (imagem por tensor de difusão), tratos afastados sugerem tumor circunscrito.
Sinais com nome
Sinal
Onde
O que é
Cortina
Massa epidural anterior
Abaulamento lateral com entalhe mediano pelo ligamento longitudinal posterior
Mercedes-Benz invertido
Hematoma subdural
Coleção em três folhas
Olhos de coruja
Infarto medular
Cornos anteriores claros
Cauda dural
Meningioma
Reação da dura, não invasão
Folha de ginkgo
Meningioma
Medula em leque
Halteres
Schwannoma
Parte no canal, parte fora do forame
Salsicha
Ependimoma mixopapilar
Massa alongada no filum
Capuz
Ependimoma, paraganglioma
Hemossiderina na borda ou nos polos
Folha de bambu
Subependimoma
Alargamento fusiforme abrupto
Cisto com nódulo
Hemangioblastoma
Nódulo pial com cisto ou siringe
Anel ou chama
Metástase intramedular
Realce periférico ou em chama nos polos
Pontos de prova: alto rendimento
Primeiro passo
Dizer o espaço
Subdural
Dura não deforma, coagulopatia
Extrusão
Base mais estreita
Infarto
Olhos de coruja, pedir difusão
FAV (fístula arteriovenosa) dural
Flow voids posteriores, homem idoso
Funículos posteriores
B12, óxido nitroso
Longo do pescoço
Cálcio abaixo de C1, AINE (anti-inflamatório não esteroide)
Meningioma
Mulher, torácico, cauda dural
Schwannoma
Halteres, raiz dorsal
Neurofibroma
Envolve a raiz, NF1
Cauda equina
Mixopapilar e paraganglioma
Ependimoma
Central, capuz, adulto
Pilocítico
Excêntrico, criança
Hemangioblastoma
Pial, cisto, VHL
Metástase
Edema desproporcional
Armadilhas e erros comuns
Erros
Esquecer de pedir difusão na suspeita de infarto
Atribuir todo sintoma novo à esclerose múltipla
Dar antibiótico na tendinite do longo do pescoço
Chamar Modic 1 de normal sem olhar disco e partes moles
Achar que cauda dural é invasão
Confundir realce linear de raiz com metástase
Não estudar a coluna toda num tumor intramedular
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
Coleção no canal que comprime o saco dural sem deformar a dura, em paciente plaquetopênico. O espaço e o diagnóstico mais provável:
No subdural a dura fica íntegra e não se deforma; a coleção apaga o subaracnoide. Hematoma subdural espinal é raro e sugere coagulopatia ou procedimento; pode formar o Mercedes-Benz invertido.
Tetraparesia súbita; T2 com hipersinal simétrico nos cornos anteriores da medula cervical. O próximo passo mais útil:
Olhos de coruja = infarto no território da artéria espinal anterior. Pedir difusão (os protocolos de coluna não a trazem) e procurar a causa, como a dissecção vertebral.
Jovem usuário recreativo de óxido nitroso com parestesias. A RM mais provável mostra:
Degeneração combinada subaguda: hipersinal longitudinal dos funículos posteriores, sem realce. Causas: B12 (a mais comum), óxido nitroso, cobre, vitamina E.
Mulher de 65 anos, massa intradural extramedular torácica com realce homogêneo, base dural larga e cauda dural. O diagnóstico mais provável:
Meningioma: mulher (até 9:1), torácico em 80%, realce homogêneo e cauda dural em 60 a 70% (reação, não invasão). O schwannoma prefere a raiz dorsal lombar e sai pelo forame em halteres.
Nódulo que realça na superfície pial da medula, com flow voids e grande siringe, em paciente com VHL:
Hemangioblastoma: nódulo hipervascular na superfície pial, cisto ou siringe em mais da metade, um quarto com VHL. Ependimoma é central; pilocítico, excêntrico.
Fontes.
1. Jiao A, Bhatia N, Arora S, et al. Imaging of Atraumatic Spinal Emergencies. RadioGraphics
2025;45(10):e250023 (apresentação em slides). doi:10.1148/rg.250023
2. Koeller KK, Shih RY. Intradural Extramedullary Spinal Neoplasms: Radiologic-Pathologic Correlation.
RadioGraphics 2019;39(2):468-490. doi:10.1148/rg.2019180200
3. Shih RY, Koeller KK. Intramedullary Masses of the Spinal Cord: Radiologic-Pathologic Correlation.
RadioGraphics 2020;40(4):1125-1145. doi:10.1148/rg.2020190196
As fontes 2 e 3 usam a classificação da OMS de 2016. A fonte 2 descreve o paraganglioma com T1 hipointenso
na tabela e isointenso no texto, e atribui o sinal do capuz ao paraganglioma; a fonte 3, ao ependimoma.
A apresentação não traz a escala de compressão epidural (Bilsky), a neuromielite óptica nem a hipotensão
liquórica. Dos slides entraram os casos; dos artigos, só as imagens, sem as peças, as fotos cirúrgicas e a
histologia. O logotipo do slide do Mercedes-Benz ficou de fora. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas fontes.