87 · Fraturas da Pelve, do Acetábulo e do Fêmur Proximal
Musculoesquelético · trauma
Fraturas da Pelve, do Acetábulo e do Fêmur Proximal
Fontes: Raniga, Pal et al: 2025, Scheinfeld et al: 2015 e Sheehan et al: 2015, RadioGraphics
Do anel ao colo do fêmur
Três fraturas do mesmo território, com perguntas diferentes. No anel pélvico (trauma de alta
energia), a pergunta é estabilidade e sangramento. No acetábulo, é o tipo de Letournel e o
teto de carga. No fêmur proximal (sobretudo idosos, com mortalidade de 14 a 36% em 1 ano), é se a
fratura é intra ou extracapsular, porque a cabeça perde sangue nas intracapsulares.
Região
Classificação
A pergunta
Anel pélvico
Young-Burgess (mecanismo) e AO/OTA (Arbeitsgemeinschaft für Osteosynthesefragen e Orthopaedic Trauma Association) (estabilidade)
Sacro e dois ossos inominados, com a sínfise na frente e as sacroilíacas atrás. Quem segura o anel são
os ligamentos, não os ossos: o interósseo sacroilíaco (o mais forte), os sacroilíacos posteriores e
anteriores, e os acessórios sacrotuberoso, sacroespinhoso e iliolombar. O arco posterior carrega a
maior parte da carga e decide a estabilidade. O anel quase sempre quebra em dois ou mais pontos:
achou um, procure o outro.
Vetor
Mecanismo
Padrão
Compressão anteroposterior (APC)
Impacto frontal, rotação externa
Diástase da sínfise, sacroilíaca abrindo de frente para trás ("livro aberto") · ramos verticais
Compressão lateral (LC)
Impacto lateral, rotação interna
Impacção do sacro, ramos horizontais e superpostos · fratura em crescente do ilíaco
Cisalhamento vertical (VS)
Queda em pé
Hemipelve sobe, fraturas verticais do sacro
Young-Burgess
Achado
APC I
Sínfise com menos de 2,5 cm, sem lesão sacroilíaca · estável
APC II
Mais de 2,5 cm · sacroilíaca abre só na frente, em V (posterior íntegro) · instável na rotação, estável na vertical
APC III
Mais de 2,5 cm · sacroilíaca abre paralela (anterior e posterior rotos) · instável na rotação e na vertical
LC I
Ramos oblíquos + impacção da asa sacral do mesmo lado
LC II
Ramos + fratura-luxação do ilíaco posterior (crescente)
LC III
LC de um lado + APC do outro: pelve em ventania
VS
Hemipelve deslocada na vertical
O anel anterior nas lesões por compressão anteroposterior
Homem de 29 anos: diástase leve da sínfise, leve desnível vertical e sacroilíaca direita pouco alargada (setas).Homem de 33 anos: diástase grande com desnível; sacroilíaca direita alargada e assimétrica.TC axial, homem de 30 anos: diástase com translação anteroposterior.TC coronal, homem de 29 anos: diástase com translação craniocaudal.TC coronal, homem de 25 anos: fratura vertical do púbis direito com gap largo (seta), padrão menos comum.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 9. Ver artigo
A sacroilíaca nas lesões por compressão anteroposterior
TC axial, homem de 29 anos: alargamento sutil e assimétrico da sacroilíaca anterior (seta).TC coronal, homem de 30 anos: o mesmo do outro lado.Homem de 49 anos: abertura anterior em V à esquerda, APC II.Homem de 58 anos: alargamento difuso e paralelo, APC III.TC coronal, homem de 44 anos: translação craniocaudal.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 14. Ver artigo
O anel anterior nas lesões por compressão lateral
Radiografia, homem de 34 anos: ramos fraturados horizontais e superpostos (setas finas); linhas arqueadas sacrais interrompidas à direita (seta grossa), sugerindo impacção do sacro.TC axial, homem de 30 anos: ramo inferior direito cominutivo.Homem de 37 anos: ramos inferiores bilaterais, com superposição à direita.Homem de 55 anos: fratura em dobra segmentar dos ramos (ponta de seta).
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 10. Ver artigo
O sacro nas lesões por compressão lateral
Homem de 30 anos: dobra sutil da cortical anterior da asa sacral direita.Homem de 37 anos: esmagamento e impacção da cortical anterior à esquerda.Homem de 55 anos: fratura completa, cominutiva e desviada à direita (axial).Coronal do mesmo caso.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 16. Ver artigo
O ilíaco nas lesões por compressão lateral
3D, homem de 45 anos: fratura de Duverney, só a asa (seta).Radiografia, homem de 55 anos: fratura vertical do ilíaco da crista à incisura isquiática, com desnível; diástase da sínfise e ramo direito fraturado.3D, homem de 25 anos: fratura em crescente até a incisura e a sacroilíaca.TC axial, homem de 46 anos: crescente.TC axial, homem de 55 anos: crescente.TC axial, mulher de 40 anos: crescente pouco desviada.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 12. Ver artigo
Pelve em ventania (LC III)
TC axial, homem de 45 anos: impacção do sacro à esquerda (setas finas) e sacroilíaca direita alargada (seta grossa); um lado gira para dentro, o outro para fora.TC coronal, homem de 37 anos: o mesmo padrão.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 13. Ver artigo
AO/OTA
Equivale a
A: estável
Avulsões, asa do ilíaco (Duverney), sacrococcígea
B: instável na rotação, estável na vertical
APC I e II, LC I e II, LC III
C: instável na rotação e na vertical
APC III, VS, mecanismo combinado
Anel pélvico: o que procurar e o que relatar
A radiografia AP (anteroposterior) entra na avaliação secundária, mas vê mal o sacro (sensibilidade de 10 a 67%). A TC
é feita em quase todos. Para sangramento ativo, a TC multifásica acerta mais (95% contra 74% da fase
única). Sangramento arterial vai para embolização; venoso e ósseo, para estabilização mecânica.
Estrutura
Achado
Sínfise
Normal até 6 mm no homem e 10 mm na mulher (TC) · sínfise travada (um púbis por cima do outro) e fratura em báscula na LC
Ramos
Horizontais e superpostos na LC · verticais e afastados na APC e no VS
Ilíaco
Duverney: só a asa, anel íntegro, estável · crescente: LC de alta energia até a sacroilíaca (fragmento menor = mais instável)
Sacroilíaca
Normal 2 a 4 mm · em V na APC II, paralela na APC III
Sacro
Impacção da cortical anterior na LC · fratura vertical com gap na APC e no VS
Sínfise travada e fratura em báscula
3D, homem de 30 anos: um púbis por cima do outro (seta) e rotação da hemipelve (seta curva).TC axial: a sínfise travada.3D, homem de 56 anos: fratura do ramo com angulação anterior (seta).TC coronal do mesmo caso.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 11. Ver artigo
O sacro nas lesões por compressão anteroposterior
TC axial, homem de 44 anos: fratura vertical do sacro direito com gap (seta).3D: fratura vertical com gap (seta fina), avulsão iliolombar e do sacro inferolateral (setas grossas), sinais de instabilidade.TC axial: fratura completa do sacro à esquerda com gap e sacroilíaca direita alargada com avulsão, APC III bilateral.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 15. Ver artigo
Sinal de instabilidade
Valor
Diástase da sínfise
Mais de 2,5 cm
Sacroilíaca alargada
Mais de 1 cm
Gap de fratura
Mais de 5 mm
Avulsões
Processo transverso de L5 (iliolombar), sacro inferolateral, espinha e tuberosidade isquiáticas
Outros
Deslocamento vertical, fratura completa do sacro, fraturas bilaterais dos ramos
Cisalhamento vertical
Radiografia, homem de 35 anos: ramos esquerdos verticais com desnível, diástase da sínfise e fratura vertical do sacro direito (ponta de seta).3D, homem de 45 anos: lesões anterior e posterior com desnível craniocaudal.TC axial, homem de 30 anos: fratura completa do sacro esquerdo com gap.Radiografia, homem de 33 anos: fratura vertical dos ramos direitos e do púbis esquerdo com diástase.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 17. Ver artigo
a cinta pélvica esconde
A cinta (na altura dos trocânteres) reduz o volume e tampona o sangramento venoso, e por isso
disfarça a lesão, sobretudo a APC. Procure o que sobra: sínfise ainda alargada ou desalinhada,
avulsão do ligamento da sínfise ou do reto abdominal, hematoma pré-púbico ou pré-sacral, sacroilíaca
assimétrica, avulsões dos ligamentos posteriores, lesão da bexiga.
O que sobra com a cinta
TC coronal, homem de 37 anos: sínfise ainda alargada e desnivelada, com avulsão ligamentar (seta).TC axial, homem de 30 anos: desalinhamento anteroposterior da sínfise apesar da cinta.TC sagital, homem de 44 anos: lesão do reto abdominal com hematoma pré-púbico (setas).TC axial, homem de 31 anos: contraste extravasado da via urinária até a sínfise.TC coronal, homem de 41 anos: avulsão do ligamento sacroilíaco interósseo e sacroilíaca direita assimétrica.TC axial, homem de 45 anos: avulsão do sacro inferolateral (ligamento sacroespinhoso).
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 19. Ver artigo
Associada
Quando pensar
Ruptura da bexiga
APC, fraturas do sacro e do ilíaco
Uretra
Fraturas do arco púbico
Nervos sacrais
Fraturas do sacro
Vasos
APC III e VS · epigástrica inferior e ramos da ilíaca interna
Fixação da pelve
Fixador externo com pinos supra-acetabulares e parafusos iliossacrais (ponta de seta).Placa na sínfise.Parafuso sacroilíaco e implante intramedular curvo.Fixação espinopélvica.
Fonte: Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. RadioGraphics 2025;45(10):e250027, Fig. 21. Ver artigo
Acetábulo: colunas, linhas e incidências
O acetábulo é um "lambda" de duas colunas que se encontram no contraforte ciático, junto da
sacroilíaca. Coluna anterior: borda anterior do ilíaco, linha arqueada, espinhas, parede anterior,
ramo superior. Coluna posterior: o ísquio, as incisuras isquiáticas, a parede posterior, a
tuberosidade. Descreva olhando o acetábulo de frente, por fora, com a incisura para baixo.
Linha na radiografia
Marca
Iliopectínea
Coluna anterior
Ilioisquiática
Coluna posterior
Borda anterior
Parede anterior
Borda posterior
Parede posterior (mais lateral)
O acetábulo em formação (3D)
Menina de 4 meses: ílio (Il), ísquio (Is) e púbis (P) separados pela cartilagem trirradiada.Menino de 4 anos.Menina de 10 anos.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 1. Ver artigo
Colunas e linhas
3D lateral: colunas e superfícies articulares coloridas.3D medial.3D anterior.3D posterior.Radiografia: as quatro linhas (iliopectínea, ilioisquiática e as bordas anterior e posterior), coloridas.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 2. Ver artigo
Incidência de Judet (45°)
Mostra
Oblíqua obturadora
Coluna anterior, parede posterior, forame obturador · melhor para o sinal do esporão
Oblíqua ilíaca
Coluna posterior, parede anterior, asa do ilíaco, incisura isquiática maior
A TC é mais sensível que a radiografia (e dá menos dose que as cinco incidências). A reconstrução 3D
com o fêmur retirado, de cortes finos (0,5 a 0,625 mm) e filtro de partes moles, mostra o tipo ao
cirurgião.
Acetábulo: os 10 tipos de Letournel
Elementar
Como é
No axial do teto
Parede posterior (a mais comum)
Só a borda posterior · a única que poupa a placa quadrilátera · luxação posterior (painel do carro)
Oblíqua
Coluna posterior
Da incisura isquiática maior pelo acetábulo e forame obturador
Coronal
Coluna anterior
Do ilíaco (alta, intermediária, baixa) ao forame obturador · idosos
Coronal
Parede anterior
A mais rara · não cruza o forame obturador
Transversa
Divide em superior e inferior; cada parte fica presa a uma coluna · transtectal, justatectal ou infratectal
Sagital
Parede posterior, homem de 45 anos
3D lateral: parede posterior cominutiva (seta).3D medial: placa quadrilátera íntegra.Cortes axiais correlacionados: oblíqua no teto, fragmento impactado e solto, corpo livre na articulação.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 5. Ver artigo
Coluna posterior, homem de 45 anos
3D lateral: coluna posterior (*) solta do contraforte ciático; fratura no ramo isquiopúbico (seta).3D medial.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 6. Ver artigo
Coluna anterior, homem de 63 anos
3D lateral: fratura no ramo isquiopúbico (seta).3D medial: do ilíaco ao acetábulo, coluna anterior (*) solta.Cortes axiais: coronal no teto, típica de coluna.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 7. Ver artigo
Transversa, homem de 63 anos
3D lateral (setas).3D medial.Níveis transtectal (T), justatectal (J) e infratectal (I).
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 10. Ver artigo
Associada
Como é
Transversa + parede posterior
Comum
Em T
Transversa com haste descendo pelo ramo isquiopúbico · a de pior acerto diagnóstico
Duas colunas
Todo o acetábulo de carga solto do contraforte ciático · sinal do esporão na oblíqua obturadora · congruência secundária
Coluna ou parede anterior + hemitransversa posterior
Idosos · a parte anterior é mais desviada
Coluna posterior + parede posterior
A coluna pode estar sem desvio
Transversa + parede posterior, mulher de 54 anos
3D lateral: transversa (setas) e parede posterior cominutiva (*).3D medial.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 12. Ver artigo
Em T, homem de 40 anos
3D lateral: transversa (setas retas) e a haste descendo pela incisura (ponta de seta) até o ramo isquiopúbico (seta curva).3D medial.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 13. Ver artigo
Em T com parede anterior
3D lateral: a parede anterior (azul).3D medial: a parede anterior também aparece por dentro.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 9. Ver artigo
Duas colunas, homem de 54 anos
3D: colunas anterior (A) e posterior (P) soltas do contraforte (S); nenhuma parte articular fica presa a ele.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 14. Ver artigo
Coluna ou parede anterior + hemitransversa posterior, dois pacientes
Coluna anterior: 3D lateral, parte anterior (*) solta e hemitransversa posterior (seta).3D medial.Parede anterior: 3D lateral.3D medial.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 15. Ver artigo
Coluna posterior + parede posterior, homem de 59 anos
3D lateral: coluna posterior (P) solta e parede posterior cominutiva (*).3D medial.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 16. Ver artigo
o atalho do forame obturador
O anel obturador quebrado aponta para fratura de coluna ou em T; a transversa e a de parede não
o atravessam. Atenção: a transversa também cruza as duas colunas, mas não é "duas colunas"; nesta,
nenhuma parte articular fica presa ao contraforte. Cinco tipos fazem 80%: parede posterior, transversa,
transversa + parede posterior, duas colunas e em T. Quase metade tem componente de parede
posterior.
Teto e conduta
O que saber
Arco do teto
Ângulo do centro do acetábulo à fratura: mais de 45° nas três incidências poupa o teto · na TC, equivale aos 10 mm superiores
Cirurgia
Desvio de mais de 2 mm no teto, cabeça instável, fragmento intra-articular, sem congruência secundária
Parede posterior
Menos de 20% da parede: estável · mais de 40 a 50%: instável
Momento
Imediato na luxação irredutível, fratura exposta, lesão vascular ou nervosa · senão em 2 a 3 dias, antes de 10
3D: arco do teto de 45° e os 10 mm superiores do acetábulo.
Fonte: Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. RadioGraphics 2015;35(2):555–577, Fig. 17. Ver artigo
Fêmur: cabeça e colo
A cabeça é irrigada sobretudo pela circunflexa femoral medial (artérias retinaculares que entram
na junção cabeça-colo lateral). Fraturas da cabeça, subcapitais e transcervicais ameaçam essa irrigação;
a basicervical e a transtrocanteriana, quase nada.
Pipkin (cabeça)
Onde
Conduta
1
Abaixo da fóvea (fora da carga)
Redução fechada ou retirada do fragmento
2
Acima da fóvea (carga) · o fragmento preso ao ligamento redondo pode virar
Fixação
3
1 ou 2 + fratura do colo
Redução aberta urgente (a fechada é contraindicada)
4
1 ou 2 + fratura do acetábulo
Redução e fixação
Pipkin
Tipo 1: abaixo da fóvea.Tipo 2: acima da fóvea.Tipo 3: com fratura do colo.Tipo 4: com fratura do acetábulo.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 5. Ver artigo
Pipkin 2 depois de luxação posterior, homem de 28 anos
Radiografia depois da redução: fragmento grande, preso ao ligamento redondo, que virou (seta).TC coronal: o fragmento e outro oculto na radiografia.Depois da fixação: parafusos no fragmento e na osteotomia do trocânter.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 6. Ver artigo
Colo
O que saber
Garden
1 incompleta ou impactada em valgo · 2 completa sem desvio · 3 com desvio parcial · 4 desvio completo
Pauwels (jovem)
Ângulo da fratura com a horizontal: até 30° · 30 a 50° · mais de 50° (mais cisalhamento, mais falha)
Impactada em valgo
Fácil de perder: triângulo denso lateral
Impactada em varo
Mais pseudartrose · "chapéu de cogumelo" que imita osteófito
Necrose
6 a 30% · pior com desvio e redução ruim · só se afasta com segurança em 6 meses
Garden
1: incompleta, impactada em valgo.2: completa sem desvio.3: desvio parcial.4: desvio completo.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 9. Ver artigo
Garden 4, mulher de 91 anos
Fratura subcapital com desvio completo (seta).
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 11. Ver artigo
Impactada em valgo e em varo
Mulher de 88 anos, valgo: triângulo denso da superposição cortical lateral (seta).Mulher de 66 anos, varo: superposição medial (seta pequena) e cortical lateral fraturada (seta grande).TC, mulher de 68 anos, varo: chapéu de cogumelo (seta grande), que imita osteófito.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 12. Ver artigo
Pauwels 3, homem de 58 anos
Linha de fratura a cerca de 70° da horizontal (seta).Parafuso deslizante. Evoluiu com necrose e prótese total.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 14. Ver artigo
Tratamento do colo
Quem
Parafusos canulados
Sem desvio ou impactada (Garden 1 e 2), Pauwels 1 e 2
Redução e fixação urgentes
Jovem com desvio (preservar a cabeça)
Artroplastia
Idoso com desvio (falha da fixação de 36% contra 4% da prótese total)
a fratura oculta
Radiografia normal com dor no quadril e incapacidade de apoiar: RM (linha com hipossinal em T1). Ela
também separa a fratura de estresse: de compressão (inferomedial, jovem, conservadora) e de
tensão (superolateral, idoso, tende a desviar: fixar cedo). Linha cortical em T1 trata-se como
fratura.
Fratura oculta do colo, homem de 70 anos
Radiografia: sem fratura.RM T1 coronal: linha com hipossinal (seta).
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 13. Ver artigo
Fratura de estresse de tensão, mulher de 85 anos com osteoporose
Radiografia: falha na cortical lateral (seta branca), perpendicular às trabéculas de tensão (setas pretas).Depois de piora da dor: fratura completa e desviada.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 16. Ver artigo
Fratura de estresse de compressão, mulher de 54 anos
Radiografia: reação periosteal sutil e espessamento cortical medial (seta).RM STIR (short tau inversion recovery: sequência com supressão de gordura por inversão): linha com hipossinal na cortical medial sobre edema.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 17. Ver artigo
subcondral não é necrose
A fratura subcondral por insuficiência tem linha irregular, convexa para a superfície e edema dos dois
lados; a necrose tem linha lisa, contínua e côncava, com osso sem realce acima.
Fêmur: transtrocanteriana, subtrocanteriana e atípica
Evans-Jensen
Estabilidade
1: duas partes sem desvio
Estável
2: duas partes com desvio
Estável
3: três partes, cominuição posterolateral
Instável
4: três partes, cominuição posteromedial
Instável
5: quatro ou mais partes
Muito instável
Obliquidade reversa
Muito instável (os adutores medializam o fragmento distal)
Evans-Jensen
Tipo 1: duas partes sem desvio.Tipo 2: duas partes com desvio.Tipo 3: cominuição posterolateral.Tipo 4: cominuição posteromedial.Tipo 5: quatro ou mais partes.Obliquidade reversa.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 18. Ver artigo
Transtrocanterianas, mulheres de 65 a 80 anos
Tipo 1: linha sem desvio (seta).Tipo 2: desviada, mas estável.Tipo 5: cominuição posteromedial (seta pequena) e posterolateral (seta grande), muito instável.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 19. Ver artigo
Situação
O que saber
Transtrocanteriana
Extracapsular, bem irrigada · o risco é instabilidade e consolidação viciosa · placa ou haste
Incompleta
Só no trocânter maior, sem chegar à cortical medial · a RM mostra
Trocânter menor isolado no adulto
Tumor até prova em contrário
Subtrocanteriana
Do trocânter menor até 5 cm abaixo · jovem (alta energia), idoso (espiral) · haste · Russell-Taylor: fossa piriforme poupada (1) ou não (2), trocânter menor íntegro (A) ou não (B)
Atípica (bisfosfonato por mais de 5 anos)
Transversa ou oblíqua curta, espessamento cortical lateral ("bico") · consolida mal (46% reoperam) · olhe o outro fêmur · fixação profilática da incompleta
Transtrocanteriana incompleta, homem de 54 anos
Radiografia: sem fratura.RM T1: linha do trocânter maior em direção à cortical medial (seta).
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 22. Ver artigo
Trocânter menor isolado, homem de 73 anos
Fratura do trocânter menor (seta) em metástase esclerótica de câncer de próstata.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 23. Ver artigo
Subtrocanteriana tipo 1B, mulher de 84 anos
Fratura cominutiva espiral que pega o trocânter menor (seta pequena) e poupa a fossa piriforme (seta grande).Haste intramedular com parafuso cefalomedular.
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 26. Ver artigo
Fratura atípica do fêmur
Espessamento da cortical lateral (seta).Fratura transversa completa com o bico lateral (setas).
Fonte: Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584, Fig. 27. Ver artigo
Pontos de prova: alto rendimento
Anel
Quebra em dois pontos
Estabilidade
Arco posterior e ligamentos
APC I
Sínfise < 2,5 cm
APC II
Sacroilíaca em V
APC III
Sacroilíaca paralela
LC
Ramos horizontais, impacção do sacro
LC II
Crescente
LC III
Ventania
VS
Hemipelve sobe
Instável
Sínfise > 2,5 cm, sacroilíaca > 1 cm, gap > 5 mm
Avulsão de L5
Iliolombar, instável
Arterial × venoso
Embolizar × estabilizar
Cinta
Disfarça a APC
Iliopectínea
Coluna anterior
Ilioisquiática
Coluna posterior
Oblíqua obturadora
Coluna anterior, parede posterior
Oblíqua ilíaca
Coluna posterior, parede anterior
Mais comum
Parede posterior
Transversa
Linha sagital no teto
Duas colunas
Esporão, acetábulo solto
Teto
Arco > 45° poupa
Parede posterior
< 20% estável
Cabeça femoral
Circunflexa medial
Pipkin 2
Acima da fóvea
Pipkin 3
Com colo: aberta urgente
Garden 1–2
Sem desvio: parafusos
Idoso com desvio
Artroplastia
Pauwels 3
> 50°
Fratura oculta
RM T1
Estresse de tensão
Superolateral, fixar
Obliquidade reversa
Muito instável
Trocânter menor isolado
Tumor
Atípica
Bisfosfonato, bico lateral, outro lado
Armadilhas e erros comuns
Erros
Achar a lesão anterior e não procurar a posterior
Confiar na TC com cinta para dizer que o anel é estável
Chamar de APC III um deslocamento vertical pequeno com diástase grande
Chamar de duas colunas uma fratura transversa
Classificar a fratura do acetábulo só no axial
Perder a fratura do colo impactada em valgo
Chamar de osteófito o chapéu de cogumelo da impactação em varo
Ignorar a fratura isolada do trocânter menor no adulto
Não olhar o fêmur do outro lado na fratura atípica
Questões
Questões
uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1
TC de trauma: diástase da sínfise de 3,5 cm e sacroilíaca esquerda aberta só na frente, em V, com a parte posterior íntegra. A classificação de Young-Burgess é:
Diástase de mais de 2,5 cm com a sacroilíaca aberta só na frente, em V (ligamentos posteriores íntegros, o ilíaco faz dobradiça) é APC II: instável na rotação, estável na vertical. Abertura paralela da sacroilíaca seria APC III.
A avulsão do processo transverso de L5 (ligamento iliolombar) indica lesão dos estabilizadores posteriores. Também: sínfise de mais de 2,5 cm, sacroilíaca de mais de 1 cm, gap de mais de 5 mm, deslocamento vertical. A Duverney poupa o anel; sínfise até 6 mm no homem e sacroilíaca de 2 a 4 mm são normais.
No corte axial do teto do acetábulo, uma fratura de orientação sagital (de frente para trás) sugere:
No axial do teto, a transversa é sagital, as de coluna são coronais e as de parede são oblíquas. A regra serve para os tipos elementares; os associados pedem a 3D ou a soma dos cortes.
O sinal do esporão na oblíqua obturadora indica fratura:
Na fratura das duas colunas todo o acetábulo de carga se solta do contraforte ciático e vai para dentro; o pedaço do ilíaco que fica preso à sacroilíaca aparece como um esporão acima do colo na oblíqua obturadora. É a fratura em que as colunas podem manter congruência secundária.
Mulher de 82 anos com fratura subcapital do colo do fêmur com desvio completo (Garden 4). O tratamento mais indicado é:
No idoso com fratura do colo desviada, a artroplastia (parcial para baixa demanda, total para ativos) supera a fixação, que falhou em 36% contra 4% da prótese total num ensaio. Parafusos canulados ficam para as sem desvio; no jovem com desvio, redução e fixação urgentes.
Fratura subtrocanteriana transversa com espessamento cortical lateral, em paciente que usa bisfosfonato há 7 anos. A conduta de imagem a lembrar é:
É a fratura atípica do bisfosfonato: transversa ou oblíqua curta com bico cortical lateral. Pode ser bilateral: avalie o outro fêmur, onde uma fratura incompleta pode pedir fixação profilática. Consolida mal (46% reoperam).
Fontes.
Raniga S, Pal D, Mehta C, et al. High-Energy Pelvic Ring Injuries: A Comprehensive Imaging Review.
RadioGraphics 2025;45(10):e250027. doi:10.1148/rg.250027
Scheinfeld MH, Dym AA, Spektor M, et al. Acetabular Fractures: What Radiologists Should Know and How
3D CT Can Aid Classification. RadioGraphics 2015;35(2):555–577. doi:10.1148/rg.352140098
Sheehan SE, Shyu JY, Weaver MJ, Sodickson AD, Khurana B. Proximal Femoral Fractures: What the
Orthopedic Surgeon Wants to Know. RadioGraphics 2015;35(5):1563–1584. doi:10.1148/rg.2015140301
Os esquemas com texto em inglês (anatomia, classificações, fluxogramas) ficaram de fora; os desenhos
das classificações de Pipkin, Garden e Evans-Jensen não têm texto e entraram. No artigo da pelve, a
legenda do esquema descreve a APC II sem abertura anterior da sacroilíaca, mas o texto diz que a abertura
em V é a marca dela; o caderno segue o texto. Conferido em 07/10/2026.
Blocos marcados com + complemento são aprofundamentos opcionais, tirados das mesmas
fontes.