Cadernos QRad 109 · Órbita: Trauma Ocular e Lesões por Compartimento
Cabeça e pescoço · órbita

Órbita: Trauma Ocular e Lesões por Compartimento

Fontes: Pantoja Burbano et al. e Gotti Naves et al: 2024, RadioGraphics

O globo e os compartimentos

O trauma ocular responde por 3% das idas ao pronto-socorro, sobretudo em homens jovens, e a TC de órbitas é o exame de entrada. Fora do trauma, a lesão orbitária se resolve pelo compartimento: cada espaço tem seus suspeitos. A TC vem primeiro; a RM é melhor para globo, músculos, nervo óptico e gordura.

CompartimentoConteúdoSuspeitos
Nervo óptico e bainhaNervo, meninges, líquorNeurite, neuropatia isquêmica, glioma, meningioma, perineurite
IntraconalGordura, vasos, nervosLesões vasculares (malformação venosa cavernosa)
ConalMúsculos extraoculares (anel de Zinn)Oftalmopatia tireoidiana, miosite, IgG4 (doença relacionada à imunoglobulina G4), linfoma
ExtraconalGordura, ramos sensitivosCelulite, abscesso, schwannoma, linfoma, hemangioma, rabdomiossarcoma
Glândula lacrimalLobos orbitário e palpebralAdenoma pleomórfico, adenoide cístico, dacrioadenite, linfoma
GloboTrês camadas, segmentos anterior e posteriorTrauma, endoftalmite, retinoblastoma, melanoma
osso conta a velocidade Remodelamento ósseo liso indica crescimento lento (benigno); erosão indica lesão agressiva.

Trauma ocular: o roteiro GLOBE

GLOBEPerguntaAchados
GQual o mecanismo?Contuso: catarata, hifema, luxação do cristalino, descolamentos · penetrante: ruptura, hemorragia posterior, corpo estranho
LO cristalino está no lugar e com a densidade do outro olho?Luxação; catarata traumática (cristalino hipoatenuante comparado ao outro)
OO olho está redondo?Contorno e volume: ruptura
BHá sangue nos segmentos ou entre as camadas?Hifema, hemorragia vítrea, descolamentos
EExcluir corpo estranho e armadilhasMetal, vidro, madeira; próteses e materiais cirúrgicos

Cristalino e ruptura do globo

CristalinoAchado
Luxação posteriorFibras zonulares rotas dos dois lados; cristalino caído na parte dependente do vítreo · a mais comum (a íris barra a anterior)
SubluxaçãoFibras rotas de um lado: cristalino angulado, uma borda presa
Luxação sem traumaMarfan, homocistinúria
Catarata traumáticaCristalino menos denso que o do outro olho, contorno irregular
Subluxação do cristalino
Desenho: fibras de um lado rotas, o cristalino angula.
Desenho: fibras de um lado rotas, o cristalino angula.
TC: a borda lateral recuada e a medial presa (setas).
TC: a borda lateral recuada e a medial presa (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 11. Ver artigo
Luxação posterior do cristalino
Desenho: fibras rotas dos dois lados.
Desenho: fibras rotas dos dois lados.
T2 axial: o cristalino caído no vítreo (seta).
T2 axial: o cristalino caído no vítreo (seta).
T1 sagital: na parte dependente (seta).
T1 sagital: na parte dependente (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 12. Ver artigo
Catarata traumática em dois pacientes
TC: o cristalino do olho atingido menos denso que o do outro (setas).
TC: o cristalino do olho atingido menos denso que o do outro (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 13. Ver artigo
Armadilha: lente intraocular
TC: lentes depois de cirurgia de catarata (setas).
TC: lentes depois de cirurgia de catarata (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 14. Ver artigo
Ruptura do globoSinais
DiretosContorno alterado (achatado), volume menor, descontinuidade da esclera (o sinal menos frequente)
IndiretosCâmara anterior profunda (ruptura posterior) ou rasa (laceração da córnea) · cristalino recuado · gás ou corpo estranho dentro do olho
Sensibilidade da TCCerca de 75% · a esclera rompe junto às inserções musculares
Ruptura do globo
Desenho e TC: olho deformado, de volume menor, com gás nos segmentos.
Desenho e TC: olho deformado, de volume menor, com gás nos segmentos.
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 17. Ver artigo
Ruptura em trauma contuso
TC: contorno e câmara alterados (setas).
TC: contorno e câmara alterados (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 18. Ver artigo
Laceração da córnea
TC: falha na córnea com câmara anterior rasa (seta).
TC: falha na córnea com câmara anterior rasa (seta).
Outro caso (seta).
Outro caso (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 19. Ver artigo
compare os dois olhos Profundidade da câmara anterior, densidade do cristalino e volume do globo se julgam contra o outro lado. A RM entra na suspeita de ruptura oculta, mas nunca com metal.

Sangue e descolamentos

Sangue e descolamentoEspaçoForma na TC
HifemaCâmara anteriorHiperatenuação na câmara anterior (óbvio no exame, sutil na TC)
Hemorragia vítreaVítreoHiperatenuação difusa ou dependente
Descolamento de retinaSub-retinianoEm V, com o vértice no disco óptico (presa no disco e na ora serrata)
Descolamento de coroideEntre coroide e escleraBiconvexo, periférico, pode ter nível; passa da ora serrata e para nas veias vorticosas · queda da pressão intraocular
Hifema, 19 anos
Desenho: sangue na câmara anterior.
Desenho: sangue na câmara anterior.
TC: câmara anterior densa (seta).
TC: câmara anterior densa (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 26. Ver artigo
Descolamento de retina
TC: forma em V com o vértice no disco óptico (setas).
TC: forma em V com o vértice no disco óptico (setas).
Desenho.
Desenho.
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 28. Ver artigo
Descolamento de coroide
Desenho e TC: coleções biconvexas periféricas, uma delas com nível (setas).
Desenho e TC: coleções biconvexas periféricas, uma delas com nível (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 29. Ver artigo
Descolamento de coroide fino, 14 anos, agressão
TC: camada fina, sem a forma biconvexa (seta).
TC: camada fina, sem a forma biconvexa (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 30. Ver artigo
Hemorragia vítrea
Desenho: o vítreo com sangue.
Desenho: o vítreo com sangue.
TC: vítreo denso (seta).
TC: vítreo denso (seta).
Outro caso: globo empurrado e hematomas atrás do olho (seta, asterisco).
Outro caso: globo empurrado e hematomas atrás do olho (seta, asterisco).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 31. Ver artigo
Garrafada, 26 anos
TC: proptose, globo deformado e fratura do etmoide com gordura herniada (contorno).
TC: proptose, globo deformado e fratura do etmoide com gordura herniada (contorno).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 32. Ver artigo

Corpo estranho e armadilhas

Corpo estranhoNa TC
MetalHiperatenuante; TC com sensibilidade perto de 100% · RM contraindicada
VidroVariável, às vezes pouco denso
MadeiraHipoatenuante (parece ar ou gordura) · inflama · a RM ajuda quando a TC é negativa
Prego de pistola, 40 anos
Radiografia: o prego (seta).
Radiografia: o prego (seta).
TC axial e sagital: o trajeto até a órbita (setas).
TC axial e sagital: o trajeto até a órbita (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 38. Ver artigo
Gancho de roupa, 82 anos
Radiografia de perfil: o gancho (seta).
Radiografia de perfil: o gancho (seta).
TC: o objeto e o enfisema na órbita (seta).
TC: o objeto e o enfisema na órbita (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 39. Ver artigo
Explosão de mina
TC: fragmentos densos nas pálpebras (setas).
TC: fragmentos densos nas pálpebras (setas).
TC: fragmento no cristalino (setas).
TC: fragmento no cristalino (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 40. Ver artigo
Porta de vidro
TC axial: fragmento pouco denso atravessando o segmento anterior, com gás (setas).
TC axial: fragmento pouco denso atravessando o segmento anterior, com gás (setas).
TC sagital (setas).
TC sagital (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 41. Ver artigo
Máquina de polir
TC axial: fragmento linear denso no olho (seta).
TC axial: fragmento linear denso no olho (seta).
TC sagital (seta).
TC sagital (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 42. Ver artigo
ArmadilhaImitaPista
Coloboma, estafiloma, miopia, phthisisRupturaCongênito, afinamento crônico, olho alongado, olho atrófico calcificado
Introflexão escleral (buckle)Corpo estranhoFaixa densa em volta do globo
Lente intraocularCatarata, luxaçãoCirurgia de catarata prévia
Prótese ocularHemorragiaEsfera densa
Óleo de siliconeHemorragia vítreaVítreo homogeneamente denso; hipossinal em T2
Gás, válvula de glaucoma, calcificaçõesCorpo estranhoPlacas esclerais nas inserções musculares, drusas no disco óptico
Armadilha: estafiloma
T2 axial: abaulamento posterior dos dois olhos, sem perda de volume (setas).
T2 axial: abaulamento posterior dos dois olhos, sem perda de volume (setas).
TC: o mesmo (setas).
TC: o mesmo (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 21. Ver artigo
Armadilha: miopia
TC: olho alongado no eixo anteroposterior (linha).
TC: olho alongado no eixo anteroposterior (linha).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 22. Ver artigo
Armadilha: phthisis bulbi
TC: olho pequeno, irregular e calcificado (setas).
TC: olho pequeno, irregular e calcificado (setas).
Outro paciente (seta).
Outro paciente (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 23. Ver artigo
Armadilha: introflexão escleral
Desenho: a faixa em volta do globo.
Desenho: a faixa em volta do globo.
T2: o globo cintado (seta).
T2: o globo cintado (seta).
T2: outro corte (seta).
T2: outro corte (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 24. Ver artigo
Armadilha: óleo de silicone
TC e T2: vítreo homogeneamente denso na TC e escuro em T2 (asterisco, setas).
TC e T2: vítreo homogeneamente denso na TC e escuro em T2 (asterisco, setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 34. Ver artigo
Armadilha: prótese ocular
TC: esfera densa no lugar do olho (seta).
TC: esfera densa no lugar do olho (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 35. Ver artigo
Hematoma em volta de prótese, paciente anticoagulado
TC: sangue em volta do implante (setas).
TC: sangue em volta do implante (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 36. Ver artigo
Armadilha: ar depois de sutura da córnea
TC: bolha no segmento anterior (seta).
TC: bolha no segmento anterior (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 44. Ver artigo
Armadilha: válvula de glaucoma
TC: linha densa periférica (setas).
TC: linha densa periférica (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 45. Ver artigo
Armadilha: catarata crônica calcificada
TC: calcificação no cristalino (seta).
TC: calcificação no cristalino (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 46. Ver artigo
Armadilha: catarata crônica
TC: contorno denso do cristalino (seta).
TC: contorno denso do cristalino (seta).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 47. Ver artigo
Armadilha: placas esclerais
TC: calcificações nas inserções dos músculos (setas).
TC: calcificações nas inserções dos músculos (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 48. Ver artigo
Armadilha: drusas do disco óptico
TC: focos densos no disco óptico (setas).
TC: focos densos no disco óptico (setas).
Fonte: Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240051, apresentação, slide 49. Ver artigo

Nervo óptico e bainha

Nervo e bainhaQuemRM
Neurite da EM (esclerose múltipla)Adulto jovem, dor ao mover o olhoUnilateral, curta, anterior · bilateral, mais da metade do nervo, posterior ou quiasma: pensar em NMOSD (distúrbio do espectro da neuromielite óptica); realce da bainha: MOG (doença associada ao anticorpo contra a glicoproteína da mielina do oligodendrócito)
Neuropatia isquêmicaPerda visual súbita indolor; arterite de células gigantesRestrição (melhor até 5 dias), realce reduzido
GliomaCriança; bilateral = NF1 (neurofibromatose tipo 1)Nervo aumentado e tortuoso, pouco realce, indistinguível do nervo
Meningioma da bainha4ª e 5ª décadas; NF2 (neurofibromatose tipo 2)Bainha espessa que realça, calcificação, trilho de trem (axial) e rosquinha (coronal): o nervo no meio não realça
PerineuriteMais velhos, mais de 2 semanasRealce da bainha com nervo poupado e gordura borrada
Neurite óptica da EM, mulher de 40 anos
T2 com supressão: segmento curto do nervo (seta).
T2 com supressão: segmento curto do nervo (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 3. Ver artigo
Neuropatia óptica isquêmica posterior, homem de 82 anos
Difusão: hipersinal no nervo (seta).
Difusão: hipersinal no nervo (seta).
ADC (coeficiente de difusão aparente): restrição (seta).
ADC (coeficiente de difusão aparente): restrição (seta).
T1 de parede vascular: realce das artérias temporais superficiais (arterite).
T1 de parede vascular: realce das artérias temporais superficiais (arterite).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 4. Ver artigo
Glioma do nervo óptico, menina de 3 anos
T2 axial: nervo aumentado (seta).
T2 axial: nervo aumentado (seta).
T2 coronal (seta).
T2 coronal (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 5. Ver artigo
Meningioma da bainha, mulher de 48 anos
Axial pós-contraste: trilho de trem (seta).
Axial pós-contraste: trilho de trem (seta).
Coronal: rosquinha em volta do nervo (seta).
Coronal: rosquinha em volta do nervo (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 6. Ver artigo
Perineurite, homem de 48 anos
Coronal pós-contraste: realce da bainha com o nervo poupado (seta).
Coronal pós-contraste: realce da bainha com o nervo poupado (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 7. Ver artigo

Intraconal: as lesões vasculares

IntraconalQuemImagem
Malformação venosa cavernosaA massa benigna mais comum do adulto; mulher de meia-idadeOvoide, lateral retrobulbar, remodela osso · realce progressivo: enche do centro para fora (2 e 6 minutos)
Variz orbitáriaProptose que piora no ValsalvaDistende na manobra, flebólitos
Malformação linfáticaCriançaCistos que atravessam compartimentos, níveis líquido-líquido
SchwannomaProptose indolorAo longo do nervo; realce imediato (contra o progressivo da malformação)
MetástaseMama, melanoma, próstata, pulmãoAté 13% dos tumores orbitários · mama cirrosa pode dar enoftalmia
Malformação venosa cavernosa, homem de 43 anos
T2: massa ovoide intraconal (setas).
T2: massa ovoide intraconal (setas).
Pós-contraste aos 120 s: realce começando (seta).
Pós-contraste aos 120 s: realce começando (seta).
Aos 390 s: preenchida (seta).
Aos 390 s: preenchida (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 8. Ver artigo
Variz orbitária, homem de 56 anos
TC em repouso (seta).
TC em repouso (seta).
TC no Valsalva: distende (seta).
TC no Valsalva: distende (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 9. Ver artigo
Malformação venolinfática, menino de 7 anos
T2: cistos com níveis líquido-líquido (seta).
T2: cistos com níveis líquido-líquido (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 10. Ver artigo
Metástase de próstata, homem de 59 anos
T2: lesão intraconal infiltrando o nervo (seta).
T2: lesão intraconal infiltrando o nervo (seta).
Pós-contraste (seta).
Pós-contraste (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 11. Ver artigo
Schwannoma, homem de 40 anos
Lesão extraconal superior ao longo do nervo (seta).
Lesão extraconal superior ao longo do nervo (seta).
Pós-contraste.
Pós-contraste.
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 18. Ver artigo

Músculos aumentados

Músculo aumentadoPadrãoPista
Oftalmopatia tireoidianaBilateral, simétrica · tendão poupado (garrafa de Coca-Cola) · I'M SLOw: inferior, medial, superior, lateral, oblíquosA causa mais comum · hipersinal em T2 = fase ativa · compressão do nervo no ápice
Miosite idiopáticaUnilateral, tendão acometido, medial primeiroDor ao mover o olho, gordura borrada, responde a corticoide
Doença por IgG4Bilateral assimétrica, tendão poupado, reto lateralIndolor; ramos do trigêmeo espessados, sinusopatia
LinfomaUnilateralIndolor, ADC muito baixo
Oftalmopatia de Graves, homem de 33 anos
TC coronal: músculos aumentados (setas).
TC coronal: músculos aumentados (setas).
TC axial: tendões poupados (setas).
TC axial: tendões poupados (setas).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 12. Ver artigo
Miosite idiopática, mulher de 33 anos
T2: reto lateral esquerdo aumentado, com o tendão (seta).
T2: reto lateral esquerdo aumentado, com o tendão (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 13. Ver artigo
Linfoma dos músculos, mulher de 60 anos
Pós-contraste: retos inferior e medial aumentados (seta).
Pós-contraste: retos inferior e medial aumentados (seta).
Difusão (seta).
Difusão (seta).
ADC muito baixo (seta).
ADC muito baixo (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 14. Ver artigo

Extraconal, glândula lacrimal e globo

Extraconal e lacrimalImagem
Celulite pós-septalVia sinusal; gordura borrada atrás do septo · abscesso subperiosteal lentiforme na parede medial (etmoide)
Hemangioma infantilLactente; cresce nos primeiros 5 meses e involui · realce intenso, flow voids, sem restrição
RabdomiossarcomaCriança; proptose rápida · erosão óssea, restrição (separa do hemangioma)
Linfoma5ª a 7ª décadas · molda-se às estruturas, homogêneo, ADC baixo (cerca de 0,6 × 10⁻³ mm²/s)
Adenoma pleomórficoO tumor mais comum da lacrimal · bem definido, remodelamento liso
Carcinoma adenoide císticoO maligno mais comum · doloroso, perineural, erosão óssea
Celulite orbitária com abscesso subperiosteal, menina de 5 anos
TC: coleção lentiforme na parede medial (setas).
TC: coleção lentiforme na parede medial (setas).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 15. Ver artigo
Hemangioma infantil, menina de 6 meses
T2: massa com flow voids (setas).
T2: massa com flow voids (setas).
Pós-contraste: realce intenso.
Pós-contraste: realce intenso.
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 16. Ver artigo
Rabdomiossarcoma, menina de 5 anos
T2 (seta).
T2 (seta).
Pós-contraste.
Pós-contraste.
Difusão: hipersinal.
Difusão: hipersinal.
ADC: restrição.
ADC: restrição.
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 17. Ver artigo
Linfoma bilateral, mulher de 57 anos
Pós-contraste: massas que se moldam ao globo (setas).
Pós-contraste: massas que se moldam ao globo (setas).
ADC: cerca de 0,6 × 10⁻³ mm²/s.
ADC: cerca de 0,6 × 10⁻³ mm²/s.
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 19. Ver artigo
Adenoma pleomórfico, mulher de 64 anos
Massa bem definida na glândula lacrimal (seta).
Massa bem definida na glândula lacrimal (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 20. Ver artigo
Carcinoma adenoide cístico, mulher de 56 anos
RM: massa lacrimal (seta).
RM: massa lacrimal (seta).
TC 14 meses depois: erosão da parede lateral (seta).
TC 14 meses depois: erosão da parede lateral (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 21. Ver artigo
GloboImagem
EndoftalmiteEspessamento uveoescleral com realce, restrição do exsudato
RetinoblastomaA neoplasia intraocular mais comum da criança · calcificação, restrição; nervo espesso = invasão
Melanoma uvealA do adulto · hipersinal em T1 e hipossinal em T2 (melanina) · forma de cogumelo quando rompe a membrana de Bruch
Endoftalmite, homem de 53 anos
Pós-contraste: espessamento uveoescleral (setas).
Pós-contraste: espessamento uveoescleral (setas).
Difusão (seta).
Difusão (seta).
ADC: restrição (seta).
ADC: restrição (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 22. Ver artigo
Retinoblastoma, menina de 3 anos
CISS (constructive interference in steady state, sequência T2 3D de alta resolução): massa no globo (setas).
CISS (constructive interference in steady state, sequência T2 3D de alta resolução): massa no globo (setas).
Difusão: restrição (setas).
Difusão: restrição (setas).
SWI (imagem ponderada em suscetibilidade magnética): calcificações escuras (seta).
SWI (imagem ponderada em suscetibilidade magnética): calcificações escuras (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 23. Ver artigo
Melanoma uveal, homem de 57 anos
T1: lesão clara (seta).
T1: lesão clara (seta).
T2: lesão escura (seta).
T2: lesão escura (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 24. Ver artigo
Descolamento de retina
RM: o V preso no disco (seta).
RM: o V preso no disco (seta).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 25. Ver artigo
Descolamento de coroide
TC: coleções periféricas biconvexas (setas).
TC: coleções periféricas biconvexas (setas).
Fonte: Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. RadioGraphics 2024;44(10):e240026, Fig. 26. Ver artigo

Pontos de prova: alto rendimento

GLOBEMecanismo, cristalino, forma, sangue, estranho
LuxaçãoPosterior é a mais comum
Catarata traumáticaCristalino menos denso
RupturaContorno, volume, câmara anterior
Câmara profundaRuptura posterior
RetinaV até o disco
CoroideBiconvexo
MadeiraHipoatenuante
SiliconeDenso na TC, escuro em T2
Meningioma da bainhaTrilho de trem, calcificação
Glioma bilateralNF1
Malformação cavernosaRealce progressivo
TireoideTendão poupado, I'M SLOw
MiositeTendão acometido, dor
MelanomaT1 claro, cogumelo

Armadilhas e erros comuns

Erros

  • Achar que todo corpo estranho é denso
  • Pedir RM sem afastar metal
  • Chamar óleo de silicone de hemorragia
  • Ler câmara anterior profunda como normal
  • Esperar ver a esclera rota
  • Chamar miosite de doença tireoidiana
  • Confundir malformação venosa com schwannoma

Questões

Questões

uma passada rápida no que o caderno cobraQuestão 1 / 6
Questão 1

TC após trauma contuso: globo de volume reduzido e contorno achatado, câmara anterior mais profunda que a do outro olho. O diagnóstico:

Perda de volume e de contorno com câmara anterior profunda indicam ruptura posterior. A laceração da córnea dá câmara anterior rasa.
↑revisar esta parte do caderno · Cristalino e ruptura do globo
Questão 2

Após trauma, o cristalino de um olho está no lugar mas menos denso que o do outro. O achado sugere:

O edema das fibras deixa o cristalino hipoatenuante em relação ao contralateral: catarata traumática.
↑revisar esta parte do caderno · Cristalino e ruptura do globo
Questão 3

Coleção hiperatenuante em forma de V, com o vértice no disco óptico. O diagnóstico:

A retina fica presa no disco óptico e na ora serrata: o descolamento forma um V. O de coroide é biconvexo e periférico.
↑revisar esta parte do caderno · Sangue e descolamentos
Questão 4

Lasca de madeira na órbita. Na TC ela costuma aparecer:

A madeira é hipoatenuante e passa por ar ou gordura. Não presuma que o corpo estranho seja denso; com TC negativa e suspeita alta, a RM ajuda (sem metal).
↑revisar esta parte do caderno · Corpo estranho e armadilhas
Questão 5

Mulher de 45 anos com perda visual progressiva; bainha do nervo espessada com realce em trilho de trem e calcificação, nervo central sem realce. O diagnóstico:

Meningioma da bainha: adulto, trilho de trem (axial) e rosquinha (coronal), calcificação. O glioma é o próprio nervo aumentado, em criança.
↑revisar esta parte do caderno · Nervo óptico e bainha
Questão 6

Dor ao mover o olho e reto medial direito aumentado, incluindo a inserção do tendão, com borramento da gordura. O mais provável:

Miosite: unilateral, dolorosa, tendão acometido. A oftalmopatia tireoidiana é bilateral e poupa o tendão (inferior e medial primeiro).
↑revisar esta parte do caderno · Músculos aumentados
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Fontes.
1. Pantoja Burbano OA, Amaya Trigos MA, Aluja Jaramillo F, et al. Ocular Trauma: Anatomy, Pitfalls, and Systematic Approach to Imaging Interpretation. RadioGraphics 2024;44(10):e240051 (apresentação em slides). doi:10.1148/rg.240051
2. Gotti Naves G, José de Oliveira Cabral H, de Oliveira HR, et al. Practical Approach to Orbital Lesions by Anatomic Compartments. RadioGraphics 2024;44(10):e240026 (Santa Casa de São Paulo). doi:10.1148/rg.240026

A apresentação chama de "câmara posterior" o que é o segmento posterior (vítreo), e põe o descolamento de retina entre retina e coroide; o caderno segue a fonte 2 (espaço sub-retiniano). Nenhuma das fontes trata do hematoma retrobulbar com síndrome compartimental, da fratura em blowout com encarceramento, da lesão traumática do nervo óptico nem da fístula carótido-cavernosa. Os desenhos sem texto do olho entraram; os quadros e desenhos com rótulos em inglês ficaram de fora. Conferido em 07/10/2026.